Topo

Jogos

Análises


X-COM: Enemy Unknown

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

2012-10-18T18:23:37

18/10/2012 18h23

"Enemy Unknown" resgata uma das mais amadas franquias de estratégia e faz isso em grande estilo, com um jogo envolvente e que, mesmo adaptado para os controles limitados dos videogames, mantêm a profundidade tática e gerencial que se espera de um verdadeiro "X-COM".

Com raízes fincadas em uma época diferente, "X-COM" não facilita as coisas para o jogador: após uma longa série de missões tutoriais, a dificuldade e o desafio são escalonados sem piedade, punindo os desavisados com a morte permanente de seus soldados e recompensando os jogadores dedicados com a satisfação da vitória em um game realmente desafiador.

Introdução

"X-COM: Enemy Unknown" é um jogo de estratégia por turnos, feito pela Firaxis, a mesma do aclamado "Civilization V". No game, você dirige uma agência internacional na luta contra invasores alienígenas.

Atuando em um futuro próximo, o Projeto XCOM difere dos Homens de Preto tradicionais: não há tempo para sutileza, então seus soldados apelam para armaduras invocadas e um arsenal poderoso.

O jogo combina de forma excepcional o combate tático com o micro-gerenciamento da base subterrânea, envolvendo o jogador por horas a fio na luta contra os invasores do espaço.

Pontos Positivos

Estratégia de alta qualidade

"Enemy Unknown" é um jogo de estratégia do mais alto escalão, com uma combinação distinta de combate tático e microgerenciamento, em que cada pequena decisão afetará sua performance na partida. Com sua interpretação de "X-COM", a Firaxis consegue mostrar que domina o gênero como poucos.

Durante as partidas, você opera em duas frentes: de um lado, construindo e gerenciando o quartel general do projeto X-COM, um formigueiro humano com cientistas, caças futuristas, engenheiros e claro, soldados em treinamento. Do outro, você dirige seus agentes no campo de batalha, em missões de resgate, captura, extermínio e por aí vai.

O treinamento dos soldados permite dar nomes e definir a aparência de cada um deles, além de selecionar habilidades e equipamentos conforme ganham experiência. É fácil se apegar aos personagens e temer por suas vidas durante as missões de campo.

O gerenciamento da  base e o combate são dois momentos muito diferentes, mas sempre envolventes. Planejar cada expansão, pesquisa e construção é vital para o sucesso do projeto. Administrar os recursos é a diferença entre a vida e a morte do seu pessoal na luta contra os invasores espaciais.

Mas o combate se sobressai, sem dúvida, como o ponto alto do jogo: você move suas unidades pelo mapa, agindo em turnos. A câmera se aproxima para um ângulo típico de jogos de ação na hora de atirar, derrubar uma porta ou correr para uma cobertura. E qualquer erro pode resultar na morte permanente dos seus soldados.

Vale destacar, "Enemy Unknown" não subestima o jogador: após uma longa série de missões tutoriais, o desafio das missões é escalonada rapidamente, mesmo para quem joga na dificuldade 'normal'. Missões avançadas podem ser frustrantes, mas também são altamente satisfatórias: afinal, nada melhor do que superar um desafio realmente elevado - coisa rara nos games atuais.

Controles funcionam bem

Um detalhe crucial em "X-COM" é que o jogo foi planejado desde o princípio para rodar nos consoles Xbox 360 e PlayStation 3, não apenas no PC. E por incrível que pareça, os controles não foram prejudicados por isso.

Com o uso inteligente dos botões e uma navegação elegante, "Enemy Unknown" é o melhor exemplo de como levar um jogo de estratégia para os consoles, sem tornar a experiência superficial - como aconteceu no passado, com "Civilization Revolution", da própria Firaxis.

Respeito ao material original

"Enemy Unknown" resgata uma das franquias mais amadas pelos jogadores realmente veteranos. Nascida em 1993 com "UFO Defense", "X-COM" é um legítimo clássico, que rendeu várias continuações - nem todas com a mesma qualidade do jogo original.

A ambientação segue a idéia do original: você dirige uma agência secreta de combate aos alienígenas que estão invadindo a Terra, mais ou menos como os Homens de Preto do cinema. Porém em "Enemy Unknown" não há tempo para sutilezas e memórias apagadas: seus agentes usam armaduras pesadas, fuzis, shotguns e eventualmente, armas mais futuristas.

O clima de tensão é grande, tanto durante a campanha, em que é preciso escolher constantemente quais pedidos de ajuda aceitar ou recusar, quanto no campo de batalha, onde um descuido significa o fim da linha para os agentes.


A Firaxis soube trazer o clima e o estilo clássico de "X-COM" para uma nova geração. "Enemy Unknown" não vai agradar a todos, mas abrirá sorrisos nos rostos dos veteranos e com certeza trará novos jogadores para o gênero.

Replay elevado

Embora "X-COM" não tenha uma trama das mais complexas, a campanha solo é longa e envolvente, com uma boa quantidade de objetivos secundários e situações de combate diferentes a cada nova partida. Chegar ao final não é tarefa fácil e mais de uma vez você vai considerar começar de novo. E não vai achar isso ruim.

Com vários níveis de dificuldade, múltiplas estratégias de gerenciamento e mapas desafiadores, "Enemy Unknown" é um jogo que merece ser jogado muitas vezes. As situações apresentadas na campanha mudam a cada nova partida, o que torna as coisas menos previsíveis.

O game oferece também um modo multiplayer. Com suporte para apernas 2 jogadores, não é tão complexo e envolvente quanto em "Civilization V", seu irmão mais velho.

Pontos Negativos

Poderia ser melhor acabado

O capricho nas mecânicas de jogo de "Enemy Unknown" não se estende por completo ao visual, principalmente nas animações - e na ausência delas.

Por exemplo, quando seus caças saem em disparada para interceptar um disco voador, rola uma cena de decolagem muito legal, mas a luta em si é representada por imagens estáticas e sem graça.

Já durante as missões, onde a Firaxis criou uma combinação sensacional de movimento tático com cenas de ação, há momentos em que a animação não corresponde: você quebra uma janela para atirar no ET do outro lado da parede, mas aponta a arma para o outro lado e ainda assim, os disparos acertam o alienígena.

Não é algo que arruine a experiência, mas por um breve instante, esse tipo de coisa tira o jogador de dentro daquele mundo. Infelizmente, faltou polimento e mais atenção aos detalhes das animações, coisa que não poderia acontecer em um jogo deste escalão.

Nota: 9 (Excelente)