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Retro City Rampage

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

2012-10-23T15:54:31

23/10/2012 15h54

Paródia dos jogos de ação comtemporâneos, "Retro City Rampage" leva as mecânicas típicas de "Grand Theft Auto" para um mundo inspirado nos games da geração 8-bit, criando uma experiência divertida e nostálgica, recheada com incontáveis referências aos jogos e a cultura pop de meados dos anos 1980. Porém, a nostalgia só garante a diversão até certo ponto e depende muito do jogador ter vivido aquela época ou conseguir entender a avalanche de referências oitentistas.

Introdução

E se "Grand Tefht Auto" tivesse nascido no Nintendinho? Esse é o conceito por trás de "Retro City Rampage".  O jogo de ação coloca você no controle de Player, um bandidinho comum, no nível mais baixo de uma superorganização criminosa. Após uma série de missões para a quadrilha, você é solto em Theftopolis para continuar sua história ou simplesmente sair por aí se metendo em grandes confusões.

Pontos Positivos

Experiência retrô

O principal apelo de "Retro City Rampage" é a experiência similar ao de um game de NES. Desde o visual pixelado, os personagens super simplificados e a paleta de cores, tudo remete aos jogos da geração 8-bit.

Enquanto homenageia uma grande variedade de jogos com suas missões, "Retro City Rampage" não é exatamente fiel às mecânicas de jogo de outrora: mundo aberto, combinação de gêneros e uso de cobertura para se proteger dos tiros são elementos modernos, mas que ganham uma cara nova e são bem utilizados na aventura retrô.

Um elemento importante na experiência é a dificuldade: algumas missões de "Retro City Rampage" são muito fiéis aos jogos de outrora, com desafios impiedosos que podem frustrar os jogadores mais novinhos. A campanha principal conta com 62 missões, inspiradas em diversos games, de "Paper Boy" até "Metal Gear" e muito mais.

Muitas atividades paralelas

Além da campanha principal, você pode passear livremente por Tefthopolis, provocando o caos, atropelando pessoas e trocando tiros com policiais. Mas também há missões e outras atividades paralelas para entreter o jogador, evitando assim que "Retro City" fique enjoativo.

Uma parada obrigatória é o Nolan's Arcade, fliperama que presta uma singela homenagem à Nolan Bushnell, criador do Atari. Lá dentro, você pode jogar vários minigames nos arcades, que rendem conteúdos secretos. Por falar em segredos, a cidade é cheia de passagens secretas, com indefectíveis canos verdes que levam para esgotos com seus próprios perigos e tesouros.

Por fim, há muitos desafios pelas ruas, que rendem missões curtas e divertidas e muitos pontos extras para seu placar.

 

Boas referências de época

Para quem foi jovem no fim da década de 80, "Retro City Rampage" é um baú cheio de boas lembranças. Toda a história e as missões pegam emprestadas situações e personagens de videogames, filmes e seriados de TV daquela época. De "Batman", "Frogger" e "De Volta para o Futuro" até obras mais obscuras hoje em dia, como "Bill & Ted", passando pelas Tartarugas Ninjas e claro, Super Mario, "Retro City Rampage" é uma verdadeira metralhadora de referências pop.

Vale ressaltar, em alguns momentos o jogo traz referências mais contemporâneas, como uma missão de sonho no melhor estilo "Inception" e outra em que critica as manjadas missões de seguir um carro sem ser visto, tão comum nos jogos de ação atuais - aqui, Player fica tão entendiado com a missão sem graça que você precisa parar constantemente para tomar café ou ele acaba dormindo ao volante e perdendo o alvo de vista.

Pontos Negativos

Muleta da nostalgia

Embora seja um jogo divertido, com uma cidade cheia de motivos para ser explorada e missões inspiradas em jogos clássicos, "Retro City Rampage" parece se apegar demais aos sucessos do passado. De fato, sem todas as incontáveis referências pop, o jogo é bem simples e provavelmente não deve ser tão bacana para quem não viveu - ou não tem muito interesse - por aquela época.

Em algumas missões, inclusive, "Retro City Rampage" erra na dose e tenta imitar demais estilos de jogo variados - sem que seus controles sejam capazes de proporcionar uma experiência satisfatória. Um ótimo exemplo é a missão de "Paper Boy", em que o sistema de direção de "Retro City" atrapalha e dificulta uma missão que não deveria ser tão complicada.

Mesmo as ruas de Tefhtopolis, cheias de cartazes e lojas inspiradas na cultura pop oitentista, só são divertidas e interessantes para quem consegue entender do que se trata. Para um jogador nascido nos últimos 15 anos, são apenas ruazinhas cheias de cenários mais ou menos repetidos.

No final, parece que "Retro City Rampage" usa a nostalgia como muleta e aí mora o perigo: seu encanto só funciona com quem tem uma boa lembrança daquela época para despertar. Para os demais, é só um joguinho de ação com um visual retrô.

Nota: 7 (Bom)