Topo

Jogos

Análises


Medal of Honor: Warfighter

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

2012-10-29T18:53:52

29/10/2012 18h53

A vertente moderna de "Medal of Honor", que estreou em 2010, mostra sinais de amadurecimento com "Warfighter". A campanha solo traz uma boa história, com toques dramáticos, em uma tentativa de humanizar os soldados do Tier 1, soldados de elite dos EUA que dedicam suas vidas à guerra ao terror. O jogo consegue com isso - e uma boa diversidade de missões - se diferenciar da grife rival, "Call of Duty", mas não oferece muito mais para o jogador, principalmente no fraco multiplayer, que fica atrás até mesmo de "Battlefield 3", da própria EA, lançado em 2011.

Introdução

"Medal of Honor: Warfighter" traz de volta os soldados do Tier 1, grupo de operações especiais norte-americano dedicado ao combate contra o terrorismo. No jogo, você participa de missões em várias partes do mundo, inspiradas em fatos reais, ao mesmo tempo que acompanha os dramas familiares dos protagonistas. "Warfighter" traz gráficos caprichados, cortesia do engine Frostbite 2, o mesmo do consagrado "Battlefield 3", e apresenta boas idéias em seu modo multiplayer, que infelizmente, poderiam ser melhor desenvolvidas.

Pontos Positivos

Campanha solo

A campanha solo de "Warfighter" tenta se diferenciar de todos os jogos de tiro contemporâneos ao apresentar os homens por trás das fardas do Tier 1 - mais especificamente Preacher, um dos soldados que você controla no game. As missões de "Medal of Honor" são pontuadas por uma trama paralela, que envolve o casamento problemático de Preacher e o convívio familiar complicado dos soldados de elite, suas esposas e filhos.

A história também mostra, nas entrelinhas, como esses soldados acabam levando uma vida parecida com os terroristas que combatem, atuando em células infiltradas em locais distantes, disfarçados como habitantes locais. Esses grupos são liderados por um agente isolado, que passa apenas a informação e as ordens necessárias para cada célula operar.

Talvez a semelhança entre os soldados e seus inimigos seja o que torne essa visão mais próxima da "guerra ao terror" tão interessante e isso diferencia, de forma positiva, "Medal of Honor: Warfighter" de outros jogos de tiro militares. A produtora Danger Close até tenta mostrar um pouco do "outro lado", com um tutorial em um acampamento terrorista que parece ter a intenção de chocar a audiência - mas nem de longe se compara ao famigerado aeroporto de "Modern Warfare 2".

A campanha em si não dura muito. Como é de praxe nessa geração, a aventura dura entre 5 e 8 horas, dependendo da dificuldade escolhida e de sua habilidade. Nesse intervalo, você vai participar de missões na Somália, no Oriente Médio e no Leste Europeu. Além dos tiroteios típicos em cidades poeirentas e arruinadas, há sequências de sniper, trechos sobre trilhos em barcos e helicópteros.

Comparado ao jogo de 2010, "Medal of Honor" soube acrescentar uma dose saudável de adrenalina à campanha, sem ficar muito 'cinematográfico', o que é bom, pois evita tornar a franquia uma cópia de "Call of Duty".

Fases de perseguição

"Warfighter" tem dois estágios de direção que se destacam por serem muito bem feitos e divertidos. No primeiro, você precisa perseguir um alvo por uma cidadezinha no Oriente Médio, começando devagar para não ser descoberto e terminando em uma perseguição eletrizante, derrubando portões e barracas de feira em meio ao trânsito caótico.

No segundo, você foge pelas avenidas de Dubai, desviando dos perseguidores que estão atrás de uma carga valiosa. É preciso ser ágil no volante e também ficar atento para se esconder e esperar os inimigos perderem seu rastro, em uma verdadeira missão furtiva sobre rodas.

Além de originais, as duas missões funcionam muito bem, com controles e física bem executados. Ambas foram produzidas pela Slighty Mad, estúdio responsável por alguns jogos da série "Need for Speed".

Arsenal realista

Para os fãs de shooters militares, "Medal of Honor: Warfighter" faz bonito, com um arsenal atual e bem produzido. As armas são cheias de detalhes sobre seu funcionamento. Ao ativar a mira, por exemplo, cada arma possui uma animação própria, que mostra como o acessório é encaixado.

Em determinados pontos, você usa um poderoso rifle de precisão e é acompanhado por um colega com um binóculo, que passa a direção dos alvos e o que está acontecendo - pois seu personagem fica limitado àquilo que enxerga através da lente do rifle - ao se afastar para recarregar, a paisagem ao fundo perde a precisão, para dar uma idéia da distância em que os oponentes se encontram.

Os soldados também possuem ataques de corpo-a-corpo, que consistem em golpes violentos de tomahawk, uma machadinha tão cruel quanto eficiente. Na hora de arrombar portas, o time conta com vários itens - desde o básico pé na porta até fitas explosivas, passando por um pé-de-cabra e uma shotgun, entre outros.

Sistema de classes

No modo multiplayer, "Warfighter" tenta inovar com um sistema de classes bem desenvolvido e diferentes tropas especiais, inspiradas em soldados de elite de diversos cantos do mundo.

Cada tropa possui suas próprias características e é divertido experimentar com soldados de todo o mundo para descobrir qual se encaixa melhor ao seu estilo de jogo. Isso permite também muitas opções de personalização, tanto dos soldados quanto de seu arsenal.

Já as classes se dividem em snipers, assault, heavy gunners, point man, special ops e demolition, cada qual com seus próprios tipos de armas, equipamentos e habilidades. Para se dar bem, o ideal é uma boa combinação de classes no time, ao menos nos mapas com objetivos além do puro mata-mata.

Conforme ganha experiência, você adquire novas armas e, claro, equipamentos especiais que podem ser acoplados ao seu kit, como pentes com mais balas, miras telescópicas e lançadores de granadas.

Vale notar que, no começo, você pode escolher entre os soldados assault de qualquer país, mas depois, precisará liberar as outras classes conforme progride no jogo.

Pontos Negativos

Sequência obrigatória

A campanha solo de "Medal of Honor: Warfighter" tem uma sequência de sniper logo em uma de suas primeiras fases capaz de fazer muita gente se irritar com o jogo. Na cena, você precisa alvejar vários inimigos em prédios distantes, que estão bombardeando seus companheiros com lança-mísseis.

É preciso acertar os alvos em uma sequência obrigatória para que a missão siga em frente. Porém, se você optar por disparar em um inimigo fora da ordem, nada vai acontecer. Você vai derrubar paredes com seus disparos, mas se mirar na cabeça do alvo na hora errada, seu tiro simplesmente não vai atingir nada.

Pior ainda, no final dessa cena, é preciso derrubar um último atirador e o tiro só funciona em um momento específico - que não é sinalizado. Em caso de erro, será preciso repetir toda a sequência de tiros, alvo por alvo, até memorizar os movimentos de cada um dos alvos. É como se o jogo se recusasse a aceitar que você consegue eliminar os inimigos antes da hora que foi decidida pelos desenvolvedores.

Munição infinita

Outro problema da campanha solo é que seus companheiros são depósitos ambulantes de munição. Ficou sem balas? Basta ir até eles e pressionar um botão para receber uma recarga.

Isso acaba com a necessidade de se preocupar com a precisão dos tiros ou de improvisar e pegar armas de oponentes caídos. Exceto por uma das últimas fases do jogo, é muito mais vantajoso seguir em frente apenas com seu fuzil de assalto.

Multiplayer fraco

Apesar de trazer um bom sistema de classes, personalização e as diferentes tropas internacionais, "Medal of Honor: Warfighter" peca com uma interface multiplayer confusa, mapas fracos e modalidades manjadas.

Diferente de "Medal of Honor" de 2010, o multiplayer de "Warfighter" foi desenvolvido pela própria Danger Close. No jogo anterior, essa parte ficou nas mãos da DICE, estúdio mais do que perito no assunto - é o time do popular "Battlefield 3".

Logo de cara, o menu onde você gerencia seus soldados, classes e armas é uma grande confusão, principalmente para quem joga com um controle. São muitas opções, muitas mensagens e muitas abas. Leva um tempo até aprender onde está cada coisa, mesmo quando tudo que você quer é escolher uma classe e melhorar uma arma antes da partida.

Dentro do jogo, é sensível que "Warfighter" tem partidas mais lentas do que "Battlefield 3" ou "Modern Warfare 3", por exemplo. Você corre menos, atira mais pausadamente e aguenta mais dano. Os mapas também são menores e em partidas com muitos jogadores mesmo as áreas de respawn deixam de ser seguras - o que rapidamente pode resultar em 'campers' acabando com a diversão.

Por fim, o jogo traz modalidades conhecidas de multiplayer, desde os tradicionais deathmatch e capturas de bandeiras (Sector Control) e as Combat Missions, similares ao modo Rush de "Battlefield 3": um time precisa dominar 3 pontos do mapa enquanto outro time defende as posições, alternando entre ataque e defesa em cada round.

De forma geral, o modo multiplayer é o principal ponto fraco de "Medal of Honor: Warfighter", principalmente por seus mapas simples e pequenos e por oferecer menos opções do que outros títulos já disponíveis, como "Modern Warfare 3" e "Battlefield 3".

Nota: 8 (Ótimo)