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Análises
New Super Mario Bros.
Nintendo DS
"...mostra que remakes são viáveis, quando bem feitos, (...) ainda que não apresentem inovações..."


02/06/2006
da Redação

Lá se vão mais de duas décadas desde a primeira aparição de Mario, obra da mente genial de Shigeru Miyamoto e, mais que um personagem popular da Nintendo, trata-se de um verdadeiro símbolo do que significa e representa o ato de jogar videogame. A Big N explora a franquia à exaustão, com alguns erros pelo caminho, mas o saldo da balança ainda está no azul.

"New Super Mario Bros.", para sorte dos fãs do bigodudo e daqueles mais novos que terão neste remake para DS, quem sabe, a oportunidade de vivenciar, pela primeira vez, a origem do mascote, é mais uma amostra da boa fase da Nintendo, principalmente no que diz respeito ao tratamento que vem sendo dedicado às suas séries mais famosas.

De novo mesmo, o jogo tem pouco, muito pouco. É curto e, de certa forma, quase não proporciona desafio, principalmente para os jogadores com alguma experiência. O enredo, só para se ter uma idéia, conta pela enésima vez a mesma história: a Princesa Cogumelo é seqüestrada por Bowser (o Jr., no caso) e cabe a Mario a tarefa de resgatá-la.

Para fazê-lo, você precisa passar por várias fases, em oito mundos diferentes, pulando nos inimigos e nas plataformas, enquanto pega as moedas pelo caminho e se depara com itens e situações bastante conhecidas. Com os atalhos, ou "warp zones", é possível evitar dois mundos, mas quem deseja mesmo isso?

Novo de novo

É claro que "New Super Mario Bros." traz novidades, mas elas estão na medida certa para não ofuscar o tradicional estilo plataforma 2D. Os itens, por exemplo, mesclam os manjados cogumelo, estrela da invencibilidade e flor de fogo com algumas estréias, como as do cogumelo Mini, que diminui o tamanho de Mario, permitindo que ele entre em canos verdes menores; a do cogumelo Mega, que faz justamente o inverso, aumentando o tamanho do personagem a ponto de ele ocupar quase toda a tela superior do portátil (no período de tempo em que está maior, Mario fica invencível e promove uma destruição sem igual por onde passa); e o Shell, que permite ao bigodudo deslizar dentro de um casco azul, eliminando os inimigos com facilidade.

Os três itens novos, porém, não aparecem com freqüência - na verdade, normalmente, as situações para os quais o uso deles é necessário estão entranhadas no script da fase. Então, na maior parte do tempo, sua maior aliada será mesmo a flor que permite a Mario atirar as bolas de fogo. A tela sensível, no modo principal de jogo, é muito pouco usada, limitando-se a exibir o status da fase e um "item reserva" que, a um simples toque, cai do céu (literalmente), em caso de necessidade.

Longevidade não é mesmo o forte de "New Super Mario Bros.". O maior desafio do jogo é coletar as três moedas especiais que cada uma das fases tem, às vezes muito bem escondidas. Agora, é possível pular nas paredes e, novamente, saltar, alcançando lugares até então inatingíveis, e muitas destas moedas exigem o uso deste truque.

O design das fases chega a ser um pouco incoerente: algumas são extremamente curtas e quase entregam as moedonas de bandeja, enquanto outras exigem que o jogador fique de olho no tempo e repita o processo várias vezes até, finalmente, conseguir coletar as três. E pegá-las é particularmente importante, pois elas abrem novas fases e habilitam recursos extras, o que vale ouro em um título curto como este.

Em plena forma

O visual recebeu um banho de modernidade no ponto ideal, ou seja, preservando as origens da série - tal qual o propósito do remake -, e acrescentando mais fluência aos movimentos de Mario, além de belos efeitos visuais e paisagens muito mais vivas. Perdeu-se a conta de quantas vezes já vimos os mesmos cenários, personagens etc., mas a fórmula não soa cansativa.

Uma pena que as demais modalidades de jogo não cheguem nem aos pés da diversão proporcionada pela principal. Após terminar o game, o que resta é se divertir com alguns minigames que, embora não tenham nada de novo, pelo menos usam um pouco a tela sensível. No multiplayer, existe um modo de batalha para dois jogadores, com Mario versus Luigi, além dos próprios minigames do single-player.

"New Super Mario Bros." mostra que remakes são viáveis, quando bem feitos, e podem, sim, ainda que não apresentem inovações radicais, transformarem-se em jogos indispensáveis para uma plataforma. É exatamente o caso do game no DS: quem jogou "Mario" nos velhos tempos, provavelmente se emocionará ao "reviver" certas emoções tanto tempo depois; quem não viveu a época, por sua vez, poderá experimentar um pouco dessa magia. Uma aventura curta e fácil, mas mágica e necessária.


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