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Análises
Marvel Nemesis: Rise of the Imperfects
PlayStation 2
"... acerta nos detalhes como a narrativa e o roteiro, além de ter um alto valor de produção..."


27/09/2005
da Redação

Às vezes, uma reunião de bons profissionais e propriedades intelectuais famosas não necessariamente resulta num produto que alcance as expectativas. No papel, "Marvel Nemesis: Rise of the Imperfects" parecia um projeto promissor, misturando personagens da Marvel, como Wolverine, Homem-Aranha e Elektra, com vilões criados por uma das maiores softhouses do mundo, a Electronic Arts.

Esta não é primeira vez que heróis dos quadrinhos enfrentam lutadores dos videogames. A Capcom foi uma das primeiras a ter sucesso com esse tipo de "crossover", quando lançou "X-Men vs Street Fighter", para arcade em meados da década de 90.

O time que trabalhou em "Marvel Nemesis" é altamente gabaritado. O projeto foi gerenciado pela EA Canada, que desenvolveu jogos como "SSX" e "Need for Speed". O time de desenvolvimento é o mesmo de "StarCraft: Ghost", da Nihilistic Software. O roteiro ficou a cargo de Mark Miller, e Jae Lee assume o design dos personagens - ambos são figuras conhecidas no mundo dos quadrinhos. O talento deles foi bem aproveitado, mas faltou combinar com a equipe que desenvolveu a mecânica do game.

Inimigos da Marvel

Um dos problemas de "Marvel Nemesis" parece ser a falta de foco. O game não se decide se quer ser um jogo de ação do tipo "ande e destrua o que vir pela frente", como os clássicos "Devil May Cry" ou "Ninja Gaiden", ou um título de luta, do tipo mais livre, como um "Power Stone", franquia lançada pela Capcom para o Dreamcast.

De todo o jeito, o modo de história precisa ser jogado para liberar personagens e outras funções escondidas. Essa modalidade é composta por pequenas missões, em que é preciso cumprir alguns objetivos, como destruir todos os inimigos ou chegar a um local específico. Como de costume, as primeiras cenas servem como um tutorial, que mostram como os controles funcionam.

Mas em pouco tempo se percebe que o game tem apenas alguns poucos movimentos, como combos, pulo, defesa e arremessos. Essas ações podem ser feitas com o botão de especial pressionado, o que resulta numa versão mais potente das mesmas, mas com gasto de energia auxiliar. Além disso, há um botão para usar especiais de mobilidade, como o vôo de Tempestade ou o teletransporte de Wink.

A resposta dos comandos não é das mais rápidas, quase insuficiente para um jogo de ação. E essa observação não vale apenas para o Coisa, que, de fato, é um personagem mais lento. Até mesmo lutadores supostamente ágeis, como a Elektra, sofrem com a demora na resposta dos controles. Talvez o jogo tenha sido projetado assim para não haver diferenças com o modo online, mas não há como negar que essa falha tira grande parte da experiência do game.

Apesar da simplicidade, é possível fazer alguns combos complexos, como uma seqüência de golpes que faça voar o oponente e persegui-lo no ar para bater um pouco mais. O computador mostra algumas dessas habilidades, mas, na prática, é um pouco difícil realizá-las na hora. Usando o arremesso especial quando a energia do oponente estiver na área de perigo, é possível "finalizar" o inimigo, realizando uma seqüência de misericórdia.

Para completar, os inimigos possuem uma inteligência artificial bastante deficitária e muitas vezes eles caem de vãos, principalmente se seu personagem estiver numa beirada. Até mesmo alguns chefes se suicidam. Não é preciso muita estratégia para derrotar os inimigos comuns; basta, apenas, apertar o botão de combo de qualquer jeito para que eles morram com facilidade. Só não tente encarar muitos deles ao mesmo tempo. Quanto aos chefes, é necessário um pouco mais de técnica, usando os golpes mais eficientes para cada um deles.

Elenco de estrelas

Não existe um sistema de troca de mira e o seu personagem acerta em quem estiver na sua frente. Mas, às vezes, o oponente pode desviar, deixando espaços para sofrer contra-ataques. Além de socos e arremessos, uma das boas idéias do game é ter um ambiente cheio de objetos interativos, como barris explosivos, caçambas e até mesmo carros. Claro, nem todos os personagens podem levantar objetos muito pesados. Isso é exclusivo dos mais fortes, como o Coisa.

Os movimentos de todos os personagens são basicamente os mesmos, mas cada um deles tem, pelo menos, uma habilidade exclusiva, como as teias do Homem-Aranha, que pode pegar objetos à distância, ou as facas de Elektra. Ao todo, são quase 20 personagens, incluindo os famosos Venom, Magneto, Homem de Ferro, Tempestade, Demolidor e é claro, Wolverine. Os Imperfects, grupo de vilões criados para o jogo, são liderados por Niles Van Roekel.

O enredo não tem nenhuma surpresa, mas o roteiro é bem trabalhado e a história, contada sob diversos pontos de vista. No começo, apenas o Coisa está disponível, mas ao avançar em sua aventura, novos heróis são liberados no modo de história. Todos eles mostram fragmentos dos acontecimentos e o todo ficará mais claro quando todos os cenários forem completos. De tempos em tempos há uma aparição dos Imperfects, que mostram como seres humanos normais foram transformados em máquinas de combate por Roekel.

Depois que tiver bastante personagens, os modos de duelos, tanto online (exceto GameCube) quanto offline, passam a ficar interessantes. As batalhas via internet funcionam de forma adequada, sem atrasos nem perda de desempenho em relação às partidas offline. Apesar de cada personagem ter uma ou outra tática própria, a falta de golpes e o pouco espaço para desenvolver novas estratégias fazem com que não haja muita competição. Um jogo baseado em duelos não precisa ser complexo para ter competitividade, mas demanda um sistema bem pensado, como acontece em "Super Smash Bros.", para GameCube.

Arte digital

Com personagens tão famosos, a atenção da equipe de arte foi voltada para a modelagem dos personagens. De fato, tanto os heróis da Marvel quanto os Imperfects possuem bastante detalhes e texturas convincentes. O clima geral do jogo é de quadrinhos, com cenas de alto contraste. O Coisa, por exemplo, tem um aspecto bastante sólido, enquanto Wolverine está bem próximo das versões de novela gráfica. As cenas não-interativas usam de diversas técnicas de vídeo, todas com alto valor de produção.

Infelizmente, os cenários não acompanham a qualidade geral do visual. Apesar de alguns parecerem promissores, quando vistos de perto perdem todo o encanto. Os ambientes são uma coleção de texturas genéricas com objetos comuns, como barris e carros. Os inimigos normais também sofrem com a falta de inspiração, além de existirem poucas variações.

As três versões, para PlayStation 2, Xbox e GameCube, são quase idênticas, mas o jogo para o console da Sony sofre um pouco com a menor definição das texturas e alguns problemas de colisão. Mas problemas de iluminação estão em todas as versões. A taxa de quadros não é muito alta, mas, estável.

A trilha sonora, apesar de ser composta por um profissional do cinema, Trevor Jones, que assinou as músicas do filme "A Liga Extraordinária", não está no mesmo nível do roteiro e direção de arte. Tem a qualidade de se fundir com a ação e dar suporte às cenas não-interativas, mas carece de personalidade. Os efeitos sonoros também são básicos. Ademais, o trabalho de dublagem está bem-feito, mas poderia haver mais cenas faladas.

Mais que imperfeito

"Marvel Nemesis: Rise of the Imperfects" acerta nos detalhes como a narrativa e o roteiro, além de ter um alto valor de produção, com boas cenas não-interativas e ótimo design de personagens. Mas faltou trabalhar um pouco mais o jogo em si, que tem controles lentos, missões repetitivas e inimigos pouco inteligentes. O modo de duelo diverte por algum tempo, mas há o velho problema da falta de competitividade, que faz perder a graça rapidamente. Ficou longe da perfeição.