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Análises
Dead or Alive 3
Xbox
"A fórmula do jogo continua inalterada, da estrutura de golpes até os diálogos ridículos"


03/12/2001
da Redação

O Sr. Itagaki, criador de Dead or Alive 3, passou os últimos meses falando como seu novo jogo de luta era revolucionário e como ele iria acabar com seus concorrentes - Tekken 4 e Virtua Fighter 4 - que não evoluiam na jogabilidade e, quando muito, tinham gráficos mais bonitinhos. Bem, seu jogo pode ser bem legal, mas as palavras de Itagaki devem perseguí-lo pelo resto de sua vida.

Não que Dead or Alive 3 não seja um bom jogo. Mas ele falha nos exatos aspectos que Itagaki tanto criticou em seus concorrentes - aliás, um leigo não saberia dizer a diferença entre Dead or Alive 2 e 3 sem prestar muita atenção. A fórmula do jogo continua inalterada, da estrutura de golpes até os diálogos ridículos e exagerados entre batalhas no Story Mode.

Isso não quer dizer que Dead or Alive 3 seja um remake. Dois fatores marcam uma grande novidade na série: além de permitir a livre movimentação 3D dos personagens pelo ambiente (antes toda a ação era planificada artificialmente em 3D), os cenários de DOA3 são enormes, cheios de objetos e totalmente interativos. Isso traz uma diferença notável (apesar de não ser revolucionária) para a fórmula.

O grande vilão de Dead or Alive 3 é seu sistema de luta. Com socos, chutes, agarrões e contra-ataques, não é difícil vencer o jogo (seja contra o computador ou um oponente) apenas metralhando os botões. A diferença entre um sistema mais refinado, como o de Virtua Fighter 4, é óbvia. A idéia de golpes que "vencem uns aos outros" como uma partida de joquempô é interessante, mas o balanço mal equilibrado (assim como o dos personagens) devido ao rápido ritmo acaba fazendo com que todos partam para a apelação.

Visualmente, Dead or Alive 3 pode ser facilmente confundido com Dead or Alive 2 à primeira vista. Mas aqueles com uma formação técnica perceberão não apenas a dificuldade na criação das gigantescas e detalhadas arenas, repletas de efeitos simulando gelo e folhas, e nos detalhes sutis dos tecidos e cabelos nos personagens. Mas não se espante: a grande maioria das pessoas não-especializadas não saberá diferenciar esse jogo da versão anterior para Dreamcast, simplesmente porque a parte artística da produção do jogo parece ter sido amplamente ignorada. Os diálogos entre batalhas no Story Mode continuam ridículos, mas agora um filme pré-renderizado mostra que o maior cuidado acabou na apresentação.

Infelizmente, o jogo não parece trazer tantos brindes como Tekken. Poucos personagens secretos, e um apanhado de novas roupas são o grosso dos segredos - que são destravados da mesma maneira irritante que em DOA2: Hardcore: algumas vezes, você será forçado a vencer o jogo 50 vezes com o mesmo personagem para abrir uma nova função.

Como dito antes, Dead or Alive 3 não é um jogo ruim. Ele certamente é um dos mais competentes títulos do gênero no mercado. Mas as constantes críticas de Itagaki mostram que, apesar de um bom designer, ele precisa controlar mais seu orgulho - ou vai continuar recebendo críticas severas aos seus jogos.