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Análises
Cold Fear
Xbox
"... excessivamente frustrante para os padrões atuais."


29/03/2005
da Redação

Se há algo que não se pode esperar de "Cold Fear" é originalidade. Para quem joga videogame há algum tempo, certamente notará a maioria das referências usadas no jogo, para não dizer em simples e descarada cópia de clássicos como "Silent Hill" e "Resident Evil 4".

Apesar de beber nessas fontes, a qualidade geral é apenas mediana, mas também não se trata de um game imediatamente dispensável. Com sua construção minimamente decente e algumas dificuldades de operação - que podem ser encaradas como defeitos, dependendo do ponto de vista - o game é excessivamente frustrante para os padrões atuais.

O que se fez no verão passado

Como dito, a mecânica de "Cold Fear" lembra bastante os clássicos da Konami e Capcom. A temática do game gira em torno de zumbis e estranhas criaturas: como o clássico vetor da infecção do filme "Alien". Fãs de "Silent Hill" rapidamente reconhecerão os cenários escuros, muitas vezes com visibilidade quase nula e uma lanterna como única fonte de claridade. Os truques usados para assustar o jogador já são bem conhecidos de quem já assistiu a pelo menos um filme de terror adolescente, com supostos mortos que se mexem de repente e com a ajuda um incidental efeito sonoro, só para citar um exemplo.

O enredo do jogo conta a história de uma navio russo encontrado pela guarda costeira norte-americana. Tom Hansen, um dos membros da organização governamental, decide investigar a embarcação aparentemente abandonada. E o que encontra é um massacre e, pior, os inimigos não parecem humanos normais. Ainda que batido, o enredo ainda funciona e o clima do jogo é um dos pontos fortes.

Luz no fim do túnel

O jogador tem a opção de empregar dois tipos de visão no game. A primeira delas é uma câmera "dramática", que capta a ação de diferentes posições, como se acostumou a ver na série "Resident Evil" até o episódio "Code: Veronica". Mas é mais provável que os jogadores passem a maior parte do tempo na visão "quase-primeira pessoa", usado com perfeição em "Resident Evil 4". É que nesse modo que pode ser usado a lanterna para iluminar seu caminho. Na verdade, o equipamento pode ser usado no modo de terceira pessoa, mas os controles ficam impraticáveis.

Como em vários aspectos do game, a fonte de luz possui alguns problemas. De vez em quando, Tom Hansen insiste em levantar sua arma (a lanterna está acoplada à pistola) e deixar de iluminar a sua frente. Existem diversas armas no jogo, mas a pistola será uma das mais requisitadas, visto que ela é uma das poucas que possui iluminação.

Nem diário, nem máquina de escrever

Mas o verdadeiro inimigo de "Cold Fear" é sua despreocupação em facilitar a vida do jogador. Alguns exemplos ilustram isso claramente: os saves só podem ser feitos em lugares e momentos pré-determinados. Administrar a energia de Tom Hansen também é outro ponto complicado para o jogador, visto que os itens de cura, apesar de relativamente fartos, só podem ser usados onde são encontrados. Existe também uma barra de fôlego para limitar a opção de correr. Essa é mais uma característica do game que não funciona, pois só serve para matar o personagem - tendo em vista que alguns eventos necessitam dessa barra e, se você inadvertidamente não estiver com 100% da barra, o fim de jogo precoce é quase certo.

O jogador também pode se perder fácil nos diversos locais do game. São muitas salas e corredores, e não há nenhuma opção de mapa. E os inimigos, como legítimos zumbis, são praticamente imortais, sendo necessário explodir seus crânios a tiros ou derrubá-los no chão e mandar pisões nas respectivas cabeças a fim de exterminá-los por completo. Isso começa a ser problema se muitos inimigos aparecerem ao mesmo tempo. Enfim, definitivamente, o jogo não traz mordomias para o jogador.

Sobrevivência em alto-mar

A apresentação de "Cold Fear" não faz feio para os clássicos que o inspiraram, fazendo bom proveito do tema. Ele pode estar longe do primor de "Resident Evil 4", mas compete com os outros concorrentes do gênero. Como o jogo se passa num navio, no meio de uma tempestade, seus criadores não perdem chance de explorar essa peculiaridade: em locais externos, o cenário fica balançando a toda hora, e ondas tiram a energia do personagem. Existe até um botão para se agarrar em corrimãos. Os efeitos de chuva e vento estão bastante competentes, assim como efeitos de água dentro do navio.

Se a produtora Darkworks conseguiu construir um cenário bastante rico, foi por conta de algumas concessões de performance, como uma taxa de quadros instável e carregamento entre salas um pouco longos. Isso é especialmente evidente na versão de PlayStation 2. Mas o design de alguns inimigos podiam ser mais inspirados.

Sozinho no escuro

A Darkworks herdou o legado de "Alone in the Dark", produzindo a boa quarta versão do clássico. "Cold Fear", apesar de sua construção competente, peca em pequenos, porém, numerosos defeitinhos que vão limando a qualidade geral. O título vale um aluguel pelo enredo e alguns momentos inspirados, mas nada além disso. Mesmo porque não há quase nenhum extra.