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Análises
Doom 3
Xbox
"A versão para Xbox mostra mudanças significativas em relação ao PC."


15/04/2005
da Redação

Quando foi revelado ao mundo pela primeira vez, em 2002, "Doom 3" impressionou com seus gráficos realistas. A idéia de recontar o clássico que ajudou na popularização dos games em 3D agradou aos saudosistas. Depois de estrear arrebentando no PC, o jogo agora chega modificado ao videogame da Microsoft, o Xbox.

De volta a Marte

"Doom 3" não é exatamente uma continuação, e sim um remake do original. Novamente, você é um fuzileiro espacial sem nome, lutando contra uma invasão demoníaca que começa depois que experimentos de teletransporte em Marte dão errados. Diferente do primeiro, desta vez a história é um pouco mais bem elaborada e inclusive explica o que as serras elétricas estavam fazendo no planeta, mas nem por isso deixa de ter buracos.

Seria mentira dizer que os gráficos não são um dos principais destaques do jogo. E apesar dessa parte ter sido sensivelmente diminuída em relação ao PC, continua sendo um dos mais impressionantes jogos no Xbox: os objetos são grandes e volumosos, não apenas pelo design, mas pela robusta simulação de luz e sombra. A atmosfera industrial da base marciana é exatamente o que se poderia esperar na vida real e ajuda a imergir o jogador na experiência.

Faltou luz

Parte dos jogos de tiro de hoje tenta aumentar a interatividade dos ambientes, somar elementos de RPG, estratégias complexas de combate. Esse não é o caso de "Doom 3". A mecânica pode ser explicada de forma bastante simples: você está praticamente sozinho em uma enorme base com uma séria falta de lâmpadas e iluminação, monstros poderosos aparecem do nada e sua munição é contada. O jogador é forçado a proceder com cuidado, sempre olhando para trás e para os lados, além de fazer malabarismos entre suas armas e a lanterna (não é possível segurar ambos ao mesmo tempo).

No que diz respeito à ação, novamente, a versão para Xbox mostra mudanças significativas em relação ao PC. Não apenas as fases estão mais curtas, mas o jogo como um todo está claramente mais fácil. Por um lado, isso ajuda a aumentar o ritmo da ação para os ânimos mais quentes dos consumidores de consoles, mas também acaba com a enorme tensão que muitos sentiam no PC.

A versão original de "Doom 3", para PC, copiou elementos de imersão importantes de outras obras: a caça de informações nos PDAs dos trabalhadores da base e as alucinações do herói remetem ao saudoso "System Shock II", enquanto a falta de munição lembra "Alone in the Dark" e "Resident Evil". Esses dois elementos perdem parte da força aqui: abrir o PDA agora leva alguns segundos, e a munição é menos escassa. Quem não jogou a edição para PC provavelmente evitará de abrir o PDA (que algumas vezes traz informações importantes), mas de resto o game continua tão divertido quanto antes, mesmo que menos desafiador.

O design das fases funciona muito bem dentro desse conceito mais frenético. Os caminhos estão mais óbvios, curtos e lineares, quase sempre com muita ação. Em poucas oportunidades, o jogador se depara com quebra-cabeças, mas quase todos podem ser resolvidos sem grandes contorcionismos intelectuais. E apesar dessa rapidez em passar pelas fases na dificuldade padrão, o game ainda dura umas boas 16 horas do começo ao fim.

O controle do jogo é competente, mas certamente menos elegante nessa segunda tentativa. Um dos destaques do original, a capacidade de usar o cursor em telas interativas de computador, perde sua precisão no Xbox. Da mesma forma, o game liga uma auto-mira na sua configuração padrão: o resultado são tiros sempre atingindo os inimigos no seu meio (algo entre a barriga e o peito). Desligar esse recurso para mirar na cabeça dos inimigos não parece fazer muita diferença, o que deve irritar os puristas.

Curto e grosso

Como a edição de PC, "Doom 3" oferece multiplayer para quatro pessoas (através do Xbox Live e System Link), além de uma dificuldade "Nightmare" que precisa ser destravada. Mas a verdadeira estrela é a inédita modalidade cooperativa: de cara, você pode jogar qualquer fase do game com um companheiro. As fases foram remodeladas para trazer quebra-cabeças que exigem duas pessoas, corredores estão maiores e os inimigos, mais numerosos. A trama é cortada para não deixar ninguém esperando, e é possível entrar e sair da partida a qualquer momento.

Essa nova opção é divertida, mas tem seus problemas técnicos: ao morrer, você retorna ao início da fase o que não apenas acaba com qualquer desafio, mas muitas vezes deixa o outro jogador esperando. Mesmo assim, ela promete ser uma das opções mais populares do game.

Mesmo com os cortes em relação à versão para PC, jogar "Doom 3" em uma tela grande com um sistema de som Surround 5.1 acaba se provando um sacrifício válido e certamente garante que ele seja um dos melhores títulos do gênero desta geração. "Doom 3" é um excelente jogo de tiro da velha guarda. Ele não está aqui para revolucionar ou inovar. "Doom 3" apela para um estilo mais simples temperado com muito terror.
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Videoanálise de "Doom 3" na TV UOL