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Conker: Live & Reloaded
Xbox
"...com piadas politicamente incorretas e um dos visuais mais incríveis do Xbox."


06/07/2005
da Redação

A produtora inglesa Rare fez seu nome nas plataformas da Nintendo, criando clássicos como "Battletoads" para Nes e "Donkey Kong Country" para Super Nes. E sua popularidade se estabeleceu no Nintendo 64, quando lançou muitos títulos inesquecíveis como "GoldenEye 007", "Banjo & Kazooie" e "Perfect Dark". Foi uma das épocas mais produtivas da companhia.

"Conker" vem exatamente dessa época, sendo um dos últimos jogos para o Nintendo 64. E revirou alguns paradigmas do subgênero ação de plataformas. Apesar de manter personagens "fofinhos", comumente associados a esses jogos, o título lida com piadas escatológicas, fazendo humor com assuntos maduros, como sexo e drogas.

Agora, a Rare, que pertence à Microsoft, recria a aventura original do esquilo bocudo, além de implementar um modo multijogador nos moldes de jogos de tiro em primeira pessoa, mas à sua maneira particular. Depois de "Grabbed by the Ghoulies", este é o segundo - e pelo jeito o último - trabalho da produtora para o Xbox atual.

De volta ao passado

Para quem já jogou o original "Conker's Bad Fur Day" a aventura principal, para um jogador, é praticamente igual, com o mesmo roteiro e piadas. Naturalmente, o salto de qualidade visual é estupendo, não só pela diferença técnica entre os consoles, mas também pelo excepcional trabalho da Rare, que produziu um dos melhores gráficos do Xbox.

Apenas alguns ajustes foram feitos, como uma mudança artística em algumas fases ou o corte de certas partes, muitas delas envolvendo seqüências de nados, um pontos mais criticados da obra original, e que continua problemático na nova versão.

Apesar do humor maduro e personagens bizarros, que, talvez tenham sido referência para jogos como "Malice", a mecânica de "Conker" segue a fórmula dos jogos de plataformas tradicionais. Os movimentos básicos de seu personagem são correr e pular. Existe um componente de combate, inicialmente, com armas brancas e, no terço final do game, com armas de fogo, quando vira um alucinado jogo de tiro em terceira pessoa.

Sendo assim, Conker estará correndo e pulando pelos magníficos cenários, resolvendo alguns quebra-cabeças e derrotando os mais diversos oponentes. As batalhas, excetuando os chefes, são monótonas, seguindo quase sempre o mesmo padrão de fazer uma seqüência - que não é tão simples de executar como seria desejável - e se afastar para evitar um contra-ataque.

Seguindo a tradição de "Mario 64", os chefes demandam um esforço intelectual para serem vencidos. Muitas vezes seus pontos fracos só são revelados por alguma situação especial e faz parte da diversão resolver esse enigma. Mas o mesmo não se aplica às partes de aventura, que, como no Nintendo 64, carece de dar orientações ao usuário, fazendo-o rodar pelos mapas a procura da próxima missão, processo que pode ser frustrante.

Talvez seja um meio de fazer o jogador prestar atenção em todas as cenas não-interativas, que, algumas vezes, são realmente engraçadas e dão algumas dicas nas entrelinhas. Muitas piadas e representações visuais, como vômitos e excrementos de todo tipo, podem ser sujas, mas nunca excessivamente grosseiras.

Grandes olhos, pequena visão

Mas, apesar de brilhar na condução do roteiro, "Conker" mantém alguns problemas em quesitos-chave. Por exemplo, num jogo de plataforma, não é admissível que o pulo seja tão lento em sua resposta. O problema é agravado pelo posicionamento e limitação da câmera, que não permite enxergar locais muito acima nem abaixo do horizonte, não permitindo localizar as plataformas. E ainda o jogador é punido ao cair de grandes altitudes com a perda de alguns blocos de energia, representado por chocolates, até mesmo a vida.

A câmera não faz centralização automática na maioria das vezes, mas parece ser a resolução para algumas situações, como na hora de trafegar pelas diversas plataformas e objetos. O ritmo fica lento pela necessidade de ajustar a visão para cada salto, mas, pelo menos, é possível controlar para deixar no melhor ângulo para o movimento.

A coleção de itens é mínima. Existem apenas alguns maços de dinheiro e itens específicos para pegar em algumas missões extras. Em grande parte do título, o jogador fará os mesmo processos de pular e combater, tornando o jogo um pouco repetitivo. Os chefes e algumas situações extras, como os minigames, quebram um pouco a rotina.

Muitas dessas variações estão localizadas em pontos estratégicos, marcado com um "B" no chão, onde se pode usar o botão "sensível ao contexto", que muda de função conforme a situação. Nesses lugares, Conker, literalmente, abre sua caixa de ferramentas. Dependendo do local, ele usará lança-chamas, estilingues e facas, entre outros apetrechos.

O game muda radicalmente de estilo no terço final, quando, equipado com armas de fogo, Conker se envolve numa alucinante batalha de tiro em terceira pessoa contra zumbis e, acredite, ursinhos de pelúcia. Essa parte é a base para o modo multijogador.

Um dos pontos fortes do jogo é a construção de seus personagens e a condução do roteiro, que não perde a oportunidade de fazer piada. O esquilo Conker, apesar de sua aparência digna de estrelar qualquer jogo infantil, gosta de bebidas, dinheiro e, por assim dizer, mulheres. E não tem papas na língua, mas não se trata de um mau caráter, apenas um pouco sacana.

Rodeiam o protagonista coadjuvantes igualmente cativantes como o espantalho Birdy, também com algum desvio moral; Gregg, um "projeto" de Morte; e o malvado Panther King. O enredo não sabe o que é a palavra seriedade: Panther precisa de algo para substituir uma perna de sua mesa. Cabe ao leitor adivinhar quem tem o tamanho exato para substituir essa peça...

Mais para frente, filmes conhecidos serão alvo de diversas "homenagens", como "O Resgate do Soldado Ryan", "Matrix" e "Van Helsing", entre outros. As "gags" ficaram um pouco datadas, pois são as mesmas de 2001, mas mesmo assim, continuam engraçadas.

Seres felpudos em armas

Como denuncia o título, "Conker: Live & Reloaded" acrescenta um modo multiplayer, que pode ser jogado via Xbox Live, além de opções para rede local (system link) e para tela dividida. Esse modo para diversos avatares, sejam controlados por humanos ou pelo computador, os chamados bots, é bastante completo, e também complexo, que não permite uma diversão instantânea.

O sistema é bastante similar a alguns games multijogador consagrados. Os participantes dividem-se em dois grupos, o dos esquilos ou dos ursinhos de pelúcia, os Tediz. Cada lado tem seu papel em determinadas modalidades de partida. Depois, é hora de escolher as classes, cada uma delas com armamentos e habilidades particulares.

Os primeiros problemas surgem logo depois, pois nenhuma das configurações de controles é intuitiva e o sistema de menu é complexo demais para batalhas tão frenéticas. O jogador precisará de tempo para se acostumar com os comandos e ainda sacar as nuances de cada mapa e de cada classe.

Infelizmente, não há muito equilíbrio entre os diversos tipos de soldados. Os bazuqueiros são extremamente eficientes, enquanto um atirador de elite, além de exigir uma mira precisa do jogador, ainda necessita dar diversos tiros para matar o oponente. Dominar todas as habilidades de cada um deles também exigirá muita prática. Felizmente os personagens podem evoluir e ganhar diversas melhorias, o que retira um pouco da frustração de armas pouco eficientes.

Há veículos, mas, em via de regra, eles também possuem controles pouco intuitivos, e será mais um quesito a dominar. No final das contas, o modo multiplayer, apesar de ter boas idéias, fica divertido só quando alguns requisitos são preenchidos. O primeiro é que os jogadores tenham já bom domínio de seus personagens, devidamente evoluídos, e que haja muitos jogadores no mesmo mapa.

Quem sabe a Rare não lança expansões para corrigir alguns desses problemas, pois o modo multijogador é bastante promissor.

Bichos de pelúcia ambulantes

Notoriamente, a maior evolução foi implementada no visual do jogo. Sem dúvidas, trata-se de um dos games com os gráficos mais incríveis do Xbox. Saltam aos olhos o efeito dos pêlos, como os de Conker e de Panther King. Olhando de perto, nota-se alguns truques para não deixar o efeito tão pesado, mas o "shader" é um dos melhores que foram inventados nos últimos tempos.

Não só os pêlos, mas as texturas, em geral, estão extremamente bem trabalhadas. Não se trata de realismo, e sim em adequar o visual ao estilo do game. Os cenários são bem povoados, e nota-se o esforço da produtora em criar ambientes bem variados. Desde simples flores ao mais complexo dos chefes, existe quase uma obsessão pelas texturas. Tudo isso é reforçado pelo trabalho de foco, embaçando os elementos distantes do plano principal. E cores vivas ajudam a realçar ainda mais as belezas de "Conker".

Todos esses cuidados se refletem na modelagem dos personagens, também um dos melhores trabalhos dos últimos tempos. Cada um deles está visualmente bem detalhado e com personalidades carismáticas, desde o beberrão Conker até o complexado Gregg, que não gosta de sua estatura nem de sua voz pouco imponente. Nem inimigos que só servem para fazer figuração ficaram desleixados.

O trabalho de luz é fantástico, com o uso de iluminação dinâmica em alguns momentos. E os outros efeitos especiais, como os de água, fogo, eletricidade, sangue e os diversos tipos de gosma também foram criados com inspiração. As animações fluem de forma natural, apesar de uma ou outra falha, que ninguém vai ficar reparando.

Apesar de tantos efeitos aparentemente pesados, do ponto de vista do processamento, o jogo flui a uma taxa de quadros alta e estável. Raramente o jogo fica travado. Mas nem mesmo a Rare conseguir domar a transição brusca do nível de detalhes. Visto em diversos jogos, trata-se de um problema em que os elementos visuais ganham nitidez de repente.

Proposital ou não, os efeitos sonoros são daquele tipo enlatado, ouvido em diversos desenhos animados humorísticos. Mas o fato é que se encaixam perfeitamente no contexto e no clima de "Conker". As dublagens também estão muito boas. Feitas por praticamente uma única pessoa, as falas possui ótimo tempo e inflexão para o humor, além de se esforçar em fazer "tipos", como o fanho e personagens com sotaque estereotipado. Para aumentar a piada, as palavras "sensíveis" têm seus textos tapados e um providencial apito soa durante a dublagem.

Politicamente engraçado

"Conker: Live & Reloaded" é um caso de remake feito com tecnologia de ponta. Para quem nunca viu a versão original, poderá conferir um jogo de plataforma pouco convencional do ponto de vista temático, com piadas politicamente incorretas e um dos visuais mais incríveis do Xbox. Os fãs de "Bad Fur Day" poderão comparar as diferenças de ambas as versões além de tentar a sorte no modo multijogador. Apesar de possui alguns defeitos mais graves, para quem sabe bem o inglês, "Conker" é uma ótima pedida para dar boas risadas. Se entender de filmes e games, melhor ainda.