Jogos de quebra-cabeça geralmente são apostas certeiras em videogames portáteis, como tão bem prova o célebre exemplo de "Tetris" no primeiro modelo do GameBoy.
Todavia, sempre foram considerados diversão passageira, títulos fundamentados unicamente na mecânica divertida, sem a profundidade de um RPG ou aventuras com roteiros elaborados. A série "Professor Layton" acabou com esse paradigma no Japão, introduzindo personagens originais carismáticos em tramas envolventes pontuadas por dezenas de enigmas inteligentes.
Sucesso incontestável no Japão, a franquia do estúdio Level-5 (o mesmo que produziu "Dragon Quest VIII", "Dragon Quest IX" e a série "Dark Clodu") demorou a aportar no ocidente, mas quando o fez no início de 2008 conquistou uma nova legião de fãs. Isso propiciou também a chegada de "Professor Layton and the Diabolical Box", segundo episódio da linha que já conta com quatro jogos no Japão.
Fazendo jus ao alto nível de produção da aventura de estreia, "Diabolical Box" mantém a essência da série e pouco inova, o que de forma alguma é ponto negativo aqui.
Quebra-cabeças e muita competênciaA história sucede os eventos vistos no primeiro jogo, "Professor Layton and the Curious Village", e mostra o britânico professor Layton e o aprendiz Luke lidando com um artefato de poder misterioso, a caixa Elysian (chamada na versão japonesa de Caixa de Pandora, objeto da mitologia grega de alto poder destrutivo).
A caixa é supostamente responsável por tirar a vida do mentor de Layton. Investigando o caso o acadêmico acaba embarcando em uma viagem no trem Molentary Express, um antigo veículo de luxo, no qual o enredo se desenrola e os mistérios surgem e são resolvidos.
No caminho para a verdade, uma série de quebra-cabeças desafiam Layton e Luke. Novamente inspirados na série de livros do matemático japonês Akira Tago, os mais de 150 enigmas são de dificuldades e estilos dos mais variados, fazendo bom uso da tela de toque do Nintendo DS. Ainda que veteranos encontrem quebra-cabeças reciclados, a quantidade é tamanha que a repetição até se justifica considerando que alguns clássicos merecem mesmo ser apresentados aos novos seguidores de Layton.
Um ponto bacana em "Diabolical Box" é que as charadas estão mais conectadas ao enredo, tornando a resolução dela mais interessante.
Na parte técnica impera a mesma competência vista anteriormente. Diálogos dublados aparecem com frequência e qualidade excepcional (ainda que o poder de processamento do Nintendo DS impeça o som de ser mais cristalino). Cenas de desenho animado também se fazem presentes, ostetando o design de personagens criativo e divertido que já virou marca da série. Por fim, a trilha sonora permanece fantástica, reaproveitando temas do jogo passado e apresentando canções novas de tocante inspiração.
No mais, "Diabolical Box" melhora sutilmente as missões paralelas, oferecendo um simples, mas divertido minigame com um hamster e outras atividades menores.
A exemplo do predecessor, o foco do game continua na ampla quantidade de quebra-cabeças. Novamente há suporte à rede online Nintendo WiFi Connection, que disponibiliza semanalmente novas atividades e é possível também utilizar um código secreto de "Curious Village" para habilitar conteúdo extra em "Diabolical Box". E o jogo também conta com uma área para colocar uma senha de "The Last Time Travel", terceiro episódio da série ainda sem data oficial para chegar ao ocidente.
CONSIDERAÇÕES
"Professor Layton and the Diabolical Box" segue à risca a fórmula de sucesso estabelecida no primeiro game da série e isso já é o bastante para fazer dele um sucesso. Personagens carismáticos, trama empolgante, trilha sonora de respeito e dezenas de quebra-cabeças desafiantes fazem deste um cartucho obrigatório para donos de Nintendo DS - e mais ainda para fãs da primeira aventura do professor inglês.