Resident Evil 4RETRAIR FICHA

Resident Evil 4

O policial Leon S. Kennedy é o herói dessa aventura da série adaptada para o uso do Wii Remote.

  1. Desenvolvedora: Capcom
  2. Lançamento: 25/10/2005
  3. Distribuidora: Capcom
  4. Suporte: 1 jogador, cartão de memória
  5. Gênero: Third Person Action
10 Imperdível
31/10/2005

Análise: Resident Evil 4

Quando o primeiro "Resident Evil" foi lançado, em 1996, para PSOne, o mercado de games vivia um momento de transição: os jogos de luta, incitados por "Street Fighter II", da mesma Capcom, haviam dominado a primeira metade dos anos 90. Nesse contexto, os títulos que misturavam ação em 3D e exploração começavam a ganhar força com games que se tornariam clássicos, como "Tomb Raider" e o próprio "Resident Evil".

O game que propagou o nome de Shinji Mikami ficou tão famoso que formatou um subgênero, conhecido por "horror de sobrevivência" ("survival horror"), misturando sustos e uma tensão constante de perigo, e gerou um sem-número de imitadores. Depois de três aventuras originais para PSOne e uma para Dreamcast, a série virou uma franquia exclusiva para o GameCube.

Por trás da decisão, parecia se destacar uma filosofia pessoal de Mikami, que, aparentemente, preferia desenvolver para o console da Nintendo. E assim ele refez magnificamente o primeiro episódio, além de incluir uma aventura original que antecede todos os capítulos. "Resident Evil 4" também seria exclusivo para GameCube e assim foi desenvolvido. Mas, pouco antes de o jogo ser lançado, a Capcom decidiu que o game também deveria ter uma versão para PlayStation 2.

E o resultado aparentemente agradou a todos. Mikami pôde trabalhar no game sem fazer concessões típicas de jogos multiplataformas, cujos designs são limitados pelo console de menor capacidade, e os usuários de PlayStation 2 ganharam uma conversão excelente, sem recuos nos elementos mais importantes. Naturalmente, houve ajustes nas partes técnicas, principalmente nos gráficos.

Hóspede maldito

"Resident Evil 4" quebra vários paradigmas estabelecidos pela própria franquia. Desta vez, a aventura é muito mais focada na ação, mas isso não quer dizer que o enredo tenha sido deixado de lado. Ainda continua sendo orientado pelo ótimo roteiro, mas agora se respira, literalmente, outros ares. Saem Raccoon City, corporação Umbrella e zumbis para darem lugar a uma seita ocultista e seus seguidores num vilarejo da Espanha.

Só o protagonista não é inédito: Leon Scott Kennedy vem diretamente de "Resident Evil 2", mas, seis anos mais experiente, deixou de ser o policial novato de Raccoon City para se tornar um agente federal. O tamanho de sua encrenca também parece ter ficado maior, pois os inimigos agora são muito mais perigosos.

Para aqueles que já jogaram a versão para GameCube, ambas contém exatamente a mesma aventura, diferindo apenas em alguns detalhes menores. Os itens principais, o posicionamento e quantidade de inimigos permanecem inalterados. Existem até armas novas, mas só podem ser acionadas numa segunda partida.

A maior diferença, como se poderia imaginar, está mesmo no visual. É verdade que o cenário está menos detalhado, as texturas têm menos definição e não há tanta variação de cores como no GameCube. Mas isso afeta muito pouco a atmosfera, pois a direção de arte continua fantástica. A simplificação ainda serviu para manter a taxa de quadros em torno de 30 por segundo, vital para o dinamismo do presente capítulo.

As perdas mais significativas estão na iluminação. Uma cena ilustra bem as diferenças. No GameCube há um cenário em que Leon está na chuva com uma lanterna, à noite. As gotas d'água brilham de forma condizente com a iluminação do local e de sua lanterna, criando uma ambientação excepcional, um dos melhores trabalhos técnicos de todos os tempos. No PlayStation 2, esses elementos apenas são sobrepostos na tela, sem reação às fontes de luz. Apesar de menos impactante, se trata apenas de detalhes, que influi pouco no que "Resident Evil 4" tem a oferecer.

A única adição que pode interessar a quem já terminou o original é o modo em que se joga com Ada Wong, outra personagem importada de "Resident Evil 2". Mas, diferentemente da modalidade "Assignment Ada", a nova "Separate Ways" conta uma aventura que corre simultaneamente a de Leon. Assim, o jogador fica sabendo a resposta de várias das dúvidas que pairavam quando controlava Leon. Além disso, expande o enredo, contando a história sob a perspectiva da sensual agente.

É conteúdo para mais algumas horas e com muita dificuldade, devido à quantidade reduzida de munição, o que obrigará Ada a escolher os inimigos a serem enfrentados. A mestiça conta com truques novos, como uma arma de gancho que a permite subir em locais altos. Além disso, áreas inéditas foram criadas somente para essa modalidade. Naturalmente, todos os extras do GameCube estão intactos e ainda têm mais armas.

Maldição renovada

"Resident Evil 4" ficou tão diferente dos antecessores que mesmo quem nunca se interessou pela franquia deveria experimentar. O tipo de controle continua o mesmo, mais parecendo um carro, mas com um dinamismo muito maior, o que ajuda a diminuir a resistência. Ajuda o fato de a câmera estar posicionada sempre atrás do protagonista, o que evita que o jogador se perca pela troca de visão, freqüente nos antecessores.

Um dos poucos empecilhos é a dificuldade alta: mesmo jogando no modo mais fácil é complicado sobreviver sem ter experiência nesse tipo de jogo. Os inimigos são numerosos, inteligentes e não morrem facilmente, criando aquela tensão permanente de perigo. Além disso, o comando do personagem é um tanto limitado, o que dificulta escapar dos perseguidores. Ele não pode andar de lado, nem recuar com grande velocidade.

É necessário ter em mente o manual básico da sobrevivência, como enfrentar poucos inimigos por vez e/ou combater em locais estreitos, com as costas protegidas. Saber das características de cada arma e ter munição e reposição de energia suficientes também são essenciais.

Os combates são o grande destaque da nova aventura. Esqueça o sistema de mira simplificado dos antecessores. Agora é possível mirar para qualquer direção, quase como um título de tiro em primeira pessoa. Ao apontar a arma, a tela dá um zoom, permitindo acertar com mais precisão - um laser aponta o local do disparo -, ao mesmo tempo em que diminui o raio de visão, dificultando enxergar em volta, aumentando o perigo. Simplesmente, um primor de sistema.

Com isso, é possível acertar em diversos locais dos inimigos, com reações diferenciadas para cada região. Acertando nas pernas, eles podem ir ao chão ou ficar de joelhos. Nesse caso, especificamente, é possível chegar perto e usar o botão de ação para dar um chute giratório e derrubar quem estiver no caminho. Dependendo do inimigo é possível também usar golpes de luta livre. As câmeras do GameCube trabalhavam melhor os ângulos quando se usavam esses golpes.

Mesmo acertando na cabeça, os oponentes, apesar de humanos, não morrem com um tiro, ao menos se usadas as armas mais modestas. Acertar o braço que empunha a arma faz com que os inimigos a larguem, pelo menos temporariamente. Mesmo os machados atirados, por exemplo, podem ser derrubados com tiros. Mas é necessário economizar munição, usando a faca ou os chutes, quando for possível.

Mas se os inimigos "normais" já são complicados a encrenca fica colossal com os chefes. Eles são gigantes e magnificamente projetados, ainda que menos impactantes que a versão para GameCube. Todos exigem estratégias específicas para serem derrotados e possuem muitas opções de ataque. Além de exigir destreza no deslocamento e na mira, muitas vezes será necessário ter reflexo para responder aos eventos de ação.

Pense rápido!

Esses eventos acontecem em determinados momentos do game - até mesmo nas cenas supostamente não-interativas -, que exigem que o jogador aperte os botões como indicados na tela. O primeiro acontece logo depois da vila, quando os inimigos jogam uma enorme rocha que desce ladeira abaixo, perseguindo Leon. Para escapar, o usuário deverá pressionar repetidamente o botão que aparece na tela para, no final, acionar uma combinação de dois botões. Tais botões são aleatórios, mas existem apenas duas combinações possíveis.

Muitas vezes, esses eventos de ação são fatais, caso não consiga escapar com sucesso, ou seja, mais uma fonte de tensão. Isso faz com que a ação fique mais variada, dando ainda mais ritmo para a aventura. Como um legítimo "Resident Evil", não poderiam faltar os quebra-cabeças, mas eles são mais simples e menos numerosos que as edições anteriores. Nesse caso, servem para dar um tempo na ação frenética que comanda quase todo o jogo.

Em grande parte do título, Leon terá a companhia de Ashley, e sua segurança é missão prioritária do agente. Para ajudar, o jogador conta com algumas ordens básicas como fazê-la esperar ou se esconder em determinados lugares. Se ela for morta ou seqüestrada, é fim de jogo. Muitas vezes a ajuda da adolescente será primordial e há até algumas fases em que o jogador controlará a jovem. Por vezes, você vai querer que ela fique calada, mas a dupla rende cenas muito engraçadas, para contrastar um pouco com a tensão que predomina em quase toda a aventura.

Mas um ponto não ficou resolvido: os menus ainda representam um empecilho na hora de manter o ritmo. Toda vez que é necessário trocar de armas ou usar um item - o que pode acontecer freqüentemente -, será preciso recorrer a uma tela específica. Realmente, poderia haver uma solução, como usar os direcionais digitais na troca de armas mais dinamicamente. De resto, os controles continuam excepcionais. O carregamento é ligeiramente mais longo que o da versão de GameCube.

Quem não suportava o sistema dos "Resident Evil" anteriores, com ambientes abertos e muito bate-pernas, pode ficar tranqüilo. Agora, como o foco é a ação, o andamento é praticamente linear. Mas existem áreas mais abertas e quase todo mapa oferece locais para explorar. Mesmo assim, a aventura é bastante comprida e demora quase 20 horas para ser completada. Os extras e minigames também ajudam a expandir a diversão do game. Eles liberam diversos itens e armas, além de permitir jogar com mais personagens.


Tradução semântica

Ainda que menos impressionante que a versão do GameCube, o visual de "Resident Evil 4" é um dos melhores de toda a biblioteca do PlayStation 2, com cenários variados e super-detalhados. "Resident Evil" quase sempre usou belíssimos cenários pré-renderizados, mas esse método não funcionaria no atual episódio, que valoriza muito mais a ação.

A direção de arte é fantástica e cada um dos cenários é uma obra de arte. Florestas, cemitérios, cavernas, castelos e tantos outros ambientes foram projetados para serem o mais sombrio possível, com detalhes macabros e muita sujeira, típicos de jogos de terror.

A modelagem dos personagens também é impressionante. Até mesmo os inimigos mais simples foram projetados com atenção aos detalhes, principalmente no rosto. Por isso mesmo, eles ganham grande personalidade, mas também evidenciam a repetição dos inimigos. Eis uma questão a ser resolvida na próxima geração de consoles.

Se os inimigos "comuns" já têm tanta atenção por parte dos projetistas, os protagonistas e chefes são ainda mais incríveis. Os rostos de Leon e Ashley, por exemplo, foram gerados com muitos polígonos, resultando em uma animação fantástica e expressões muito realistas. O movimento do corpo também está muito bom, fazendo uso de captura de movimentos. Os chefes, como dito anteriormente, são um show à parte, um espetáculo visual. A tela com proporção de cinema ajuda a expandir o campo de visão. A versão para PlayStation 2 tem suporte para widecreeen e progressive scan, recursos que ficaram ausentes no GameCube.

O som exerce papel fundamental na tensão. Durante a batalha, um tom grave e amedrontador sustenta o clima, contrastando com o alívio de quando todos os inimigos são exterminados e o som contínuo desaparece, pelo menos até o próximo confronto. A trilha musical aparece nos momentos apoteóticos, como nas lutas contra os chefes.

"Resident Evil 4" tem suporte à tecnologia Dolby Pro-Logic II e permite uma ambientação ainda melhor com um home theater. Cada elemento da tela, por mínimo que seja, gera um efeito sonoro diferente, como o barulho das gotas caindo no chão ou o estalar do fogo. Os famosos habitantes da vila soltam seus palavrões hispânicos de sempre. Poderia haver mais variações, mas continuam excelentes. Os diálogos estão num bom nível, mas algumas vezes algumas falas mostram-se um pouco fora do tom.

Clássico duas vezes

Essencialmente idêntico à versão de GameCube, "Resident Evil 4" para PlayStation 2 é um dos melhores jogos da atual geração de consoles. A Capcom tirou de letra as diferenças técnicas e, apesar do visual mais simples, conseguiu reproduzir todo o suspense do jogo original. Para compensar o atraso, incluiu extras que podem até interessar quem já destrinchou a versão para o console da Nintendo. Enfim, trata-se da redefinição de um clássico.
  • http://jogos.uol.com.br/playstation2/analises/resident-evil-4.htm
  • Leia a análise de 'Resident Evil 4'
  • 18/09/2014
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