Em 2008, o principal evento de games do planeta refletiu as mudanças de um mercado que, nos últimos anos, colocou na alça de mira o jogador casual - ou seja, aquele que não tem o hábito de jogar videogame. O resultado são poucas novidades para o "hardcore gamer", com exceção de uma ou outra "bomba", como "Final Fantasy XIII", potencial exclusividade do PlayStation 3, anunciado para Xbox 360.
As conferências de Microsoft, Nintendo e Sony mostraram que o cinema e, principalmente, a música, acharam nos games o ponto de encontro ideal. O novo álbum do Metallica, por exemplo, vai aparecer em "Guitar Hero", enquanto "Rock Band 2" incluirá uma faixa inédita de Guns & Roses. E o que dizer de "Wii Music" que engloba 50 instrumentos no console da Nintendo? Jogar por música está mesmo em voga.
Games que viram filmes e vice-versa estão longe de ser novidade, assim como os roteiros cada vez mais cinematográficos de certas superproduções para PC ou videogame. Mas, indo além, PlayStation 3 e Xbox 360 viraram centrais de mídia, comercializando filmes, seriados etc. Já produtoras como a Ubisoft, que adquiriu recentemente a Hybride Techologies, responsável pelos efeitos especiais de "Sin City" e "300", estão de olho na convergência entre games, cinema e música. Mais que isso, apostam nos games como "guias" de tal tendência.
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 "Final Fantasy XIII" para Xbox 360 foi a maior surpresa do evento |
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Praticamente todas as produtoras têm alguma investida no campo dos jogos musicais, seja com produtos que, ao menos, tentam inovar, como "Wii Music", ou com outros que não inspiram qualquer inovação, dentre eles "Rock Revolution".
Mas, justiça seja feita, a chama da criatividade permanece acesa, graças a pérolas do naipe de "LittleBigPlanet", para PlayStation 3. Mesmo a Electronic Arts, famosa por reciclar inúmeras vezes suas franquias, mostrou um empolgante "Mirror's Edge", jogo em primeira pessoa que pode ser completado sem que se dispare um tiro sequer.
Tirando "Spore" - que, assim como "Fable 2", finalmente se despede da E3 -, o pouquíssimo que se viu em termos de jogos para PC resumiu-se praticamente a MMOs, os jogos massivos online, como "Free Realms", da Sony Online Entertainment. Se a discussão sobre a decadência do PC enquanto plataforma de jogos dá pano para manga, o fato é que a E3 foi uma feira puramente de videogames.
Formato perfeito| NINTENDO |
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 Jogos casuais, como "Wii Sports Resort", foram foco da coletiva |
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Como de costume, o "quente" da E3 ficou reservado às conferências das gigantes dos consoles. Entretanto, com exceção da Microsoft, que mostrou uma sólida linha de títulos para o Xbox 360 em 2008, além da já citada "bomba" da feira - "Final Fantasy XIII" para o console -, pouca coisa saiu do script. Enquanto "Wii Music" dividiu opiniões, a Sony apostou em "God of War III" e "DC Universe Online", que são bons títulos, mas já eram esperados antes da E3.
Na prática, as conferências das produtoras terceirizadas, talvez com exceção da Ubisoft, foram para inglês ver. Não houve quase nada de novo, para não falar de certos micos, como 40 minutos gastos pela Capcom para falar apenas do filme de "Lost Planet" ou então a produtora de "Rock Revolution" que, no evento, da Konami, passou vexame no próprio game.
Para trabalhar, a E3 2008 foi espetacular. Se no ano passado a feira encontrou talvez sua pior edição, ao espalhar as empresas de games por hotéis de Santa Mônica, desta vez reuni-las no centro de convenções de Los Angeles, com o mesmo número de convidados - 5.000, aproximadamente -, parece ser mesmo o formato perfeito.
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 Já esperado, "God of War III" deu as caras em um breve teaser |
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Tudo bem que foi o fim dos estandes nababescos, das booth babes e do show em si, que deu lugar a um pavilhão de exposição sem qualquer glamour. Em compensação, foram poucas filas e, conseqüentemente, mais tempo para jogar - isso sem falar em produtores mais acessíveis e pacientes para tirar dúvidas, fazer contatos etc.
Mesmo sem a participação de empresas importantes, como Activision, Blizzard e Vivendi, a E3 2008 cumpriu sua missão, mostrando os títulos que vão lotar as prateleiras até o final do ano. O show cedeu lugar à eficiência, e funcionou.