Jogos musicais é uma moda que pegou de vez apenas recentemente, mas este gênero de game é dos mais antigos lá no Japão. Desde a era 32-bits, com o primeiro PlayStation e o Saturno, as produtoras nipônicas lançam jogos de ritmo com as temáticas mais diversas. As mais difundidas são guitarra e dança, tanto que já se consolidaram também aqui no oriente. Contudo, por lá são muito populares também os jogos de DJ, notavelmente a franquia "Beatmania", da Konami, que em algumas versões vem até acompanhado de um controle similar a uma picape de DJ.
Controles familiaresEste aqui já é o quinto episódio da série "DJ Max", mas só o primeiro a aportar em território americano (alguns já tinha pintado na Europa). Em vez de ser totalmente inédito, trata-se na verdade de uma compilação dos games "DJ Max Portable" 1 e 2, acrescido de apenas uma canção inédita.
Quem já tem algum tipo de experiência em jogos musicais não estranhará em nada a mecânica: conforme a música toca deve-ser pressionar os botões no ritmo em que aparecem. A novidade fica por conta de três configurações possíveis (4, 5 ou 6 botões) e também a possibilidade de acelerar ou diminuir a velocidade da trilha que está tocando. Quanto mais rápido e mais botões empregos, maior a pontuação.
Um conceito tipicamente ocidental empregado aqui é o Fever, nada menos que um nome diferente para o Star Power concebido pela série "Guitar Hero". Acerte muitas notas em sequência, encha a barra de especial e ative no momento que desejar para aumentar o multiplicador de pontos.
Entra em cena o elemento nipônico da receita. Notavelmente, games musicais na terra do sol nascente são verdadeiros testes frenéticos de reflexos, apresentando combinações insanas de botões, combos de teclas pressionadas seguidamente e dedilhados velozes. "DJ Max Fever" não é diferente.
Por mais que a curva de aprendizado seja das mais agradáveis, praticamente levando o jogador pela mão no começo com músicas bem fáceis e lentas de acompanhar, níveis posteriores judiam impiedosamente dos botões do PSP. Infelizmente, eles não desfrutam de um posicionamento dos mais amigáveis, tornando certas sequências mais complicadas do que seriam em um controle convencional de videogame - como as teclas são pequenas e muito próximas, não é raro se confundir ou errar.
Ainda assim, DJ Max Fever leva isso em conta também e conta com julgamento piedoso - não é necessário precisão extrema para acertar os botões e dificilmente você falhará a canção, já que é necessário errar muito para tanto. Isso não é tudo: há em vigor também um sistema inteligente que computa acertos mesmo quando você aperta a tecla errada, contanto que a tecla correta esteja próxima. Por exemplo, é como se em "Guitar Hero" o jogo não computasse erro quando você pressiona a tecla verde quando se deveria pressionar a vermelha. Claro que os pontos ganhos sofrem redução, mas é melhor do que ter um erro feio (e por vezes injusto) registrado.
Música do orienteA mecanica de jogo pode ser das mais familiares, mas o repertório musical definitivamente não é. "DJ Max Fever" conta 60 músicas diferentes, todas de estilo pop e coreanas. Claro que há sutis variações, como rock e batidas eletrônicas, mas via de regra tudo é do chamado estilo K-Pop. Isso significa que todas possuem ritmos rápidos, elétricos e contagiantes, o que, convenhamos, é perfeito para um jogo de DJ.
Seguindo o exemplo de outra clássica incursão coreana nos games, as máquinas de dança Pump It Up, as faixas são acompanhadas por um vídeo, geralmente um desenho animado, de estilos dos mais diversos e qualidade capaz de causar inveja em muito estúdio profissional de animação.
Confirmando-se como uma experiência musical completa para o PSP, "DJ Max Fever" faz bonito ao apresentar um variado leque de opções que vão além do jogo em si. Ao iniciar o game você cria um perfil, no qual é registrado seu desempenho. Conforme se joga, pontos de experiência e dinheiro são ganhos. Acumulando experiência você habilita novos equipamentos, que podem ser comprados com dinheiro e basicamente servem para mudar o visual dos indicadores na tela, como as próprias notas. Alguns ocasionam até bônus especiais, como uma porcentagem maior de experiência ou dinheiro, o que eventualmente culmina em mais novos equipamentos.
O modo multiplayer não inova, mas é competente. O brilho adicional mesmo fica por conta das opções de ouvir qualquer uma das faixas e outra na qual pode-se editar os vídeos musicas que acompanham as canções.
CONSIDERAÇÕES
Aproveitando-se da moda dos jogos musicais, a PM Studios conseguiu trazer ao ocidente um dos jogos musicais mais completos e bem produzidos do PSP - um console, aliás, carente por aqui de produções deste tipo. Ainda que as músicas não sejam conhecidas e a dificuldade por vezes intimidante, a quantidade de conteúdo e opções de personalização em "DJ Max Fever" é tamanha que há de agradar qualquer tipo de jogador que tenha apreço por games musicais.