Quando o mercado de RPGs parecia saturado à ponto da exaustão, a Nippon Ichi se mostrou um estúdio talentoso ao revigorar o gênero aliando competência extrema, ousadia e doses cavalares de bom humor.
A série "Disgaea", nascida em 2003, é considerada por aficionados de RPGs de estratégia uma das melhores da atualidade, batendo de frente com nomes de peso, a exemplo de "Final Fantasy Tactics".
Após incursões bem sucedidas no gênero em várias plataformas, o estúdio dá um passo ousado com "Prinny: Can I Really Be the Hero?", jogo que pega um dos coadjuvantes da franquia principal e o coloca no tradicional estilo de aventura plataforma em 2D.
Pinguins ao resgateUm Prinny é um pinguim que habita o mundo dos mortos no universo de Disgaea. Existem dezenas de centeas deles e são reencarnações de pessoas que foram muito malvadas quando vivas e agora devem suportar toda uma existência de servidão aos temperamentais senhores e senhoras do submundo. Um detalhe adicional: são sensivelmente explosivos, bastando um contato mais agressivo para estourarem - função pela qual são muito úteis nos combates de "Disgaea".
A história parte de um motivo simples: Etna é dona de um batalhão de mil Prinnies - exatamente o número de vidas que você dispõe para chegar ao fim do jogo. Quando descobre que sua sobremesa favorita foi roubada a demoníaca moça incumbe os pinguins de conseguirem os ingredientes necessários para fazer outra.
Isso se traduz em seis mundos diferentes para escolher, todos com temáticas bem distintas - como fortalezas, florestas e uma tradicional fase com muito fogo e lava - e uma nostálgica mecânica de jogo 2D. A impressão geral é de que se trata de uma versão alternativa de um título da série "Ghouls'n Goblins" por conta da temática monstruosa, a dificuldade exorbitante e os controles simples e um bocado limitados.
Prinny pode pular, atacar e correr e nada mais. Os pulos podem ser duplos, mas parecem copiados de um jogo de Nintendinho, visto que é fixo, ou seja, não se pode mover no ar. Os ataques se resume a ataque com espada (no chão e no ar) ou uma sentada ao melhor estilo Super Mario. As corridas são limitadas e exigem que sejam carregadas um pouco antes, tornando-as razoavelmente inúteis e pouco práticas.
Não bastasse os desafios já impostos pelos controles, as próprias fases e inimigos complicam. O design é básico, porém divertido. Plataformas que se movem, pulos perigosos, inimigos posicionados de forma traiçoeira. Ao final de cada mundo, um embate contra chefe, geralmente envolvendo uma estratégia simples e divertida de realizar. Vencidos todos os desafios, o desempenho é medido de acordo com vidas perdidas, tempo gasto e outros detalhes, rendendo uma classificação e, eventualmente, extras habilitados.
Engraçado e competenteTirando a mecânica de jogo nostálgica, divertida e precisa, a epopéia de Prinny cativa pelo nível colossal de bom humor. Como de costume na franquia, os diálogos são todos extrovertidos, beirando o nonsense e o exagero. Além disso, os próprios personagens - incluindo inimigos e chefões - são cheios de feições coloridas e exageradas.
Ao passo que os personagens todos são compostos por sprites pixelados, os cenários se apresentam totalmente tridimensionais, ambos estilos realizados com exíma competência, criando assim um estilo visual atraente. Prevalece o bom trabalho nas músicas e, principalmente, nas dublagens, absurdamente cômicas.
Apesar de toda a farra, "Prinny: Can I Really Be the Hero?" oferece pouco incentivo para ser jogado diversas vezes. Há os tais bônus - nada mais que conquistas, meros títuos - para desbloquear conforme sua performance melhora nos níveis, só que nada realmente instigante.
CONSIDERAÇÕES
Engraçado, desafiante e extremamente divertido, "Prinny: Can I Really Be the Hero?" é um jogo de aventura 2D dos mais bonitos e polidos atualmente. Cativa com originalidade pelos personagens hilários e situações cômicas e complica na medida, sem nunca irritar. Não tem lá muitos atrativos para continuar jogando após o fim, a não ser, claro, a própria diversão que já proporciona, mas isso é detalhe. Pode anotar: uma continuação virá.