07/03/2013 - 10h08

Entenda porque "Minecraft" é um dos jogos mais vendidos de todos os tempos

Guilherme Solari
Do UOL, em São Paulo
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    Fãs recriam a cidade de King’s Landing da série “Game of Thrones” em servidor aberto para visitação. Alguns projetos levam meses ou anos para serem feitos e necessitam o trabalho colaborativo de dezenas de jogadores

“Minecraft” é um jogo de construção com bloquinhos criado pelo sueco Markus "Notch" Persson, inicialmente em seu tempo livre, e depois por sua empresa Mojang conforme os milhões de dólares foram se acumulando em sua conta bancária.

O título se tornou um dos jogos de PC mais vendidos de todos os tempos, chegando em janeiro deste ano a 9 milhões de unidades vendidas na plataforma e somando mais de 20 milhões junto com suas versões para Xbox 360, Android e iOs. Apenas em 2012, Notch embolsou mais de US$ 100 milhões por sua criação.

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    O criador de “Minecraft” Markus "Notch" Persson, no documentário “Mojang: The Story of Minecraft”. O sueco embolsou mais de US$ 100 mi pelo jogo só em 2012.

“Minecraft” foi lançado ainda em estágio alpha no meio de 2009 e se tornou um fenômeno cultural e comercial só pela divulgação pela internet.

O jogo foi sendo atualizado constantemente com novo conteúdo - e ainda é -, entrando para o estágio beta e lançado oficialmente no final de 2011.

O desenvolvedor Tim Schafer, dos estúdios Double Fine, conta no documentário “Mojang: The Story of Minecraft” como as pessoas entravam em contato inicialmente com o game: “Era algo que você ficava sabendo em conversas nos corredores, não nas capas de revistas de games”.

Outro fator que diferencia “Minecraft” do padrão da indústria de games é como o seu sucesso não para de crescer. As vendas aceleram até hoje, nada mal para um jogo que, de certa forma, já está disponível há quase 4 anos.

No momento em que esta matéria foi escrita, por exemplo, 15,402 pessoas compraram “Minecraft” nas últimas 24 horas, segundo os dados disponíveis em https://minecraft.net/stats. Trata-se de uma longevidade surpreendente em uma indústria obcecada com números de venda nos primeiros dias de lançamento. A pergunta que fica é: por que as pessoas não param de comprar e jogar “Minecraft”?

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Um brinquedo e não um jogo

Também no documentário “Mojang: The Story of Minecraft”, o desenvolvedor Peter Molyneux define “Minecraft” como “um LEGO social”. Os famosos bloquinhos até vinham com instruções para se montar uma nave ou um castelo, mas o seu grande apelo era mesmo esparramar as pecinhas pelo chão e construir coisas novas, usar a criatividade.

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Gamers não-convertidos coçam a cabeça para os gráficos jurássicos e até infantis de “Minecraft”, mas essa simplicidade é um dos trunfos do game. Ela permite que os jogadores usem esse mundo como uma tela em branco para construir desde castelos a cidades inteiras e naves espaciais.

Até existe um objetivo final que foi introduzido ao game, mas - assim como os manuais do Lego - ele pode ser completamente ignorado sem consequências. Em um jogo sem propósitos, o jogador cria o seu próprio.

A natureza aberta do jogo permitiu que o jogo chegasse até mesmo às salas de aula em uma versão modificada, o “Minecraft Edu”, já comprado por quase 10 mil escolas. O “Minecraft Edu” foi idealizada pelo professor novaiorquino Joel Levin, que faz atividades dentro do jogo com seus alunos de computação.

Obviamente, o jogo está longe de ser o primeiro título de construção e apenas isso não explica o seu sucesso. “Minecraft” apareceu no momento ideal, e deve o seu sucesso pela parte “social” da descrição de Molyneux, quando explodiu no que é de longe o maior site de games do mundo: o YouTube.

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    Professor de computação novaiorquino Joel Levin dá atividades dentro do “Minecraft” para seus alunos. Versão educacional já foi vendida para 10 mil escolas

“Minecraft” e a era YouTube dos games

Pode parecer surpreendente, mas existe gente que ganha a vida jogando “Minecraft” e postando os vídeos do jogo no YouTube. E as pessoas assistem aos milhões.

“Minecraft” é um dos poucos jogos que deixa explícito em seus termos de uso que os jogadores têm a pemissão de criar vídeos do game e ganhar dinheiro com isso. Desde o início de “Minecraft”, a rede social foi usada para mostrar construções faraônicas feitas pelos usuários, ajudando a difundir o jogo de forma viral pela rede.

VEJA A ANÁLISE DE "MINECRAFT" PARA XBOX 360

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Em um segundo estágio, apareceram os chamados “Let’s Plays”, vídeos de pessoas jogando “Minecraft”. O usuário Paul Soares Jr. fez em julho de 2010 um tutorial sobre como sobreviver à primeira noite no jogo. O vídeo ficou famoso e formou-se o início de um ecossistema de usuários em torno de vídeos de “Minecraft” no YouTube.

Alguns desses vídeos se tornaram verdadeiras webséries, divididas em episódios e temporadas, completos com abertura e música tema. Quem não entende sequer porque as pessoas jogam “Minecraft” deve coçar a cabeça com a quantidade de pessoas que fica assistindo os outros jogarem em episódios que chegam a ter 40 minutos, ou em maratonas de horas e horas.

Há episódios para todos os gostos nessa televisão gamer feita pelos usuários. Um dos canais mais famosos é o Yogscast, inicialmente voltado para vídeos de “World of Warcraft”, mas que atingiu quase 3,5 milhões de assinantes em sua conta principal devido a vídeos de “Minecraft”. O canal dos britânicos Lewis e Simon acabou se tornando uma empresa, com escritório próprio e dividido em outros subcanais de conteúdos de games, a maioria sobre o jogo de bloquinhos.

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    Jogadores vivem de criar séries sobre “Minecraft” em canais com milhões de inscrições no YouTube. Rede social de vídeos foi central na popularidade do jogo e sucesso ainda crescente anos após o jogo estar disponível

Há também séries como “Farlands or Bust”, no qual um jogador caminha há mais de dois anos rumo à direção do por do sol quadrado de “Minecraft” buscando chegar  ao ponto em que a geração de terreno do jogo fica bugada, as farlands. O sucesso da empreitada fez com que o norte-americano Kurt J. Mac largasse o seu emprego para se dedicar ao game, além de conseguir levantar no ano passado U$ 70 mil em caridade em sua maratona virtual.

Há casos no qual um servidor inteiro acaba se dividindo em diversos canais individuais, como o caso de Mindcrack, cujos integrantes se dedicam a tutoriais, a se reunirem em competições, testarem modificações e jogarem juntos mapas de aventuras criados pelos usuários. Essa variedade faz com que a popularidade do jogo não esfrie com o tempo como acontece com outros títulos, mas continue a aumentar ainda mais.

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    Pacotes de texturas fotorealistas para “Minecraft”. Modificações podem melhorar os gráficos de baixa resolução do game

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    Modificação inclui mísseis balísticos em “Minecraft”. Abertura para conteúdo de usuários permitiu criação de mods, aumentando as possibilidades

A filosofia aberta de “Minecraft” vai na contramão de jogos como “Diablo 3”, que para criar um ambiente competitivo impedem as modificações. Com grande quantidade de conteúdo extra gratuito, é uma postura também contrária à endêmica política de DLCs, que tenta vender os jogos a conta-gotas para os gamers. Notch chegou a recusar a certificar “Minecraft” para o Windows 8 no ano passado, por criticar que o sistema operacional pode “destruir o PC como plataforma aberta”.

O “Minecraft” comum já é um jogo com possibilidades inesgotáveis, mas ele realmente explode considerando a quantidade de mapas e modificações disponíveis. Há o pacote “Tekkit”, por exemplo, que permite integrar ao jogo minas automáticas e até reatores nucleares funcionais. Já “Voltz” traz ao jogo uma série de mísseis balísticos para criar guerras em servidor. Há modificações de basquete, carros, armas de fogo, aviões e mundos novos. Acredite, existe até mesmo um mod para incluir uma empregadinha japonesa com avental e tudo para a sua casa do “Minecraft”.

O programador Jens Bergensten, mais conhecido como Jeb, foi quem adotou o desenvolvimento de “Minecraft” quando Notch saiu para se dedicar a outros projetos. Ele deixou claro que o futuro de “Minecraft” não está na Mojang criar mais conteúdo, mas sim em facilitar o dos usuários. Um dos passos para isso foi a introdução dos “command blocks”, peças que podem incluir programação básica dentro do jogo.

Como e porque jogar

Claro que nem todos acabam gostando de “Minecraft”, mas vale a pena tentar enfrentar a resistência inicial. Em um mercado cada vez mais estratificado em gêneros como o dos games, “Minecraft” traz uma experiência única.

“Minecraft” pode ser comprado em http://minecraft.net/ e no site também há uma demonstração que pode ser testada no próprio navegador, mas com muito menos conteúdo. De início, é preciso sobreviver à primeira noite, quando monstros aparecem. Esse costuma ser o momento em que muitos jogadores “sacam” o apelo do jogo, ou se entediam de vez.

É também preciso pensar na alimentação, seja caçando animais ou montando a sua primeira plantação, e encontrar carvão para fazer tochas, a menos que você queira passar a noite em um buraco escuro apavorado com o som de monstros até o Sol nascer.

Depois de achar metais mais valiosos, o jogador pode criar um mapa para se localizar, buscar diamantes para construir uma picareta melhor e construir um portal para o mundo infernal do Nether, onde há ingredientes para fazer poções.

Mas metade da diversão está em jogar com os amigos em um servidor próprio, seja para construir ao longo do tempo, seja para organizar aventuras. Caso não consiga recrutar um grupo de amigos, o negócio é achar um servidor próprio. Essa parte é um pouco mais inóspita para jogadores novos e envolve buscar o IP de um servidor na internet. Mas, como o próprio “Minecraft”, se você enfrentar a resistência inicial pode acabar descobrindo a experiência que fascinou 20 milhões de jogadores.

Tags PC , X360 , Minecraft

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  • 23/07/2014
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