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"Mad Max" deixa cinema de lado e aposta em combates de veículos

Rodrigo Guerra

Do UOL, em Los Angeles

13/06/2013 19h13

Um mundo onde um litro de gasolina vale mais dinheiro do que Bill Gates tem em sua conta corrente, água é artigo de luxo e que a violência é tão comum que chega ser entretenimento.

Essas são algumas das muitas referências de “Mad Max”, o filme que catapultou Mel Gibson para o estrelato no início dos anos 80 e que inspirou vários games, que agora será explorado diretamente pela Avalanche Studios.

Engana-se quem pensa que este é um jogo com o ator australiano. Não senhor. Também não se trata de um game baseado no 'reboot' do vindouro “Mad Max: Fury Road”, estrelado por Tom Hardy. Na verdade, o jogo “Mad Max”, produção dos criadores de “Just Cause”, tem vida própria e trilha um caminho independente do cinema.

Nos 17 minutos de demonstração, os criadores deixaram claro que este universo é rico suficiente para criar novas histórias apocalípticas com direito a explosões e muitos tiros de escopeta.

ASSISTA AO TRAILER DE "MAD MAX" DA E3 2013

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Nitroglicerina pura

O combates entre veículos é o principal chamariz do jogo. Cruzar os desertos destruindo carros requer muito mais estratégia do que ficar dando trombadas. Os carros precisam ser firmes, fortes e pesados ao mesmo tempo em que se mantém o controle e a velocidade.

GUERREIRO DAS ESTRADAS

  • Reprodução

    Em 1990, a Mindscape lançou "Mad Max" para NES. O game baseado no segundo filme da série tinha elementos de direção e exploração. Diversificado, "Mad Max" tinha também uma arena com combate de carros ao estilo 'destruction derby'.

O apresentador da demonstração mostrou Max batendo seu carro nos bugies dos inimigos, dando tiro de escopetas nas rodas ou nos tanques de gasolina.

No meio das batidas, um ou outro saqueador pulava no icônico Ford Falcon de Max. O pobre infeliz não tinha tempo para perceber que isso era uma tremenda burrice, afinal, a escopeta de Max sempre estava à disposição para tirar o meliante do capô.

Já nesse trecho, é possível ver que o sistema de combate sobre rodas se faz marcante, pois cada veículo destruído era acompanhado por explosões cinematográficas, como se os bugies fossem construídos com explosivos e abastecidos com nitroglicerina pura.

Fora do carro, Max mostra que é bom de briga. Ele sabe dar socos e atirar como ninguém, nunca deixando uma alma viva por onde passa. O melhor de tudo é que Max é tão sutil como um estouro da manada, explodindo seus adversários com granadas ou estourando seus miolos.

‘O’ mundo aberto

Depois de uma dúzia de corpos espalhados no chão, o produtor abre o mapa. À primeira vista eu calculei que era mais ou menos o mesmo tamanho do mapa de “Just Cause 2” – algo que era de se esperar do estúdio.

Porém quando o produtor afastou a câmera para mostrar o mapa por completo, eu soltei um palavrão de descrença: era uma área gigantesca, enorme pra... caramba.

"Mad Max" não tem um componente multiplayer, é todo desenhado para um único jogador e isso é perceptível no enorme mundo aberto: toda a área do jogo é repleta de atividades. No breve momento em que o mapa estava aberto, deu para notar centenas de missões para serem feitas – algo desesperador para quem se dispersa em jogos de mundo aberto.

Longa estrada

A demonstração acabou com Max invadindo uma fortaleza. Para isso, o produtor fez uma atualização no Ford para deixa-lo mais parrudo, forte o suficiente para derrubar um portão. Essa parte de customização parece promissora, pois todas as peças que são adicionadas no carro influenciam diretamente na forma que ele se comporta quando em movimento.

Bom, agora que toda parte bacana foi dita, é preciso deixar uma ressalva: “Mad Max” não é bonito. O game tem diversos efeitos especiais super legais, mas nada que deixe seu queixo caído. Tudo bem, estamos falando de um jogo em estágio inicial de desenvolvimento, com uma longa estrada pela frente. Mesmo assim eu esperava ver algo mais bem-acabado – afinal, o título estava sendo exibido para os novos consoles, PS4 e Xbox One.

Vamos dar tempo ao tempo. Sabemos que o Avalanche Studios é capaz e eles têm tempo para fazer ajustes gráficos – o jogo chegará ao mercado apenas em 2014. O lado positivo é que os consoles atuais também vão ser agraciados com essa onda de pancadaria e destruição.