09/11/2007 - 16h15
'Independentes' ganham espaço na criação de jogos
THÉO AZEVEDO
Enviado especial a São Leopoldo
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Théo Azevedo/UOL
'Hero', do Atari 2600, vôou com gráficos 3D no Festival de Jogos Independentes
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"No Brasil, menos é mais". A frase é de Maurício Bammann Gehling, ao comentar o atual estágio do setor de desenvolvimento nacional de jogos. E olha que ele sabe o que diz, afinal, trabalhou na Southlogic Studios, uma das produtoras mais bem-sucedidas do Brasil, como animador e designer de fases em "Trophy Hunter" e "Deer Hunter". Porém, Gehling decidiu dedicar-se à área acadêmica e, hoje, é professor da Unisinos, faculdade de São Leopoldo que sedia o SBGames 2007.
No Simpósio Brasileiro de Jogos de Computador, Gehling foi o responsável pelo Festival de Jogos Independentes, uma atividade que costuma ser realizada em todas as edições do evento. Apenas estudantes de cursos de graduação podem participar e não é permitido o uso de tecnologias ("engines") comerciais. Em 2007, os jogos foram divididos nas categorias Desktop (PC, trocando em miúdos) e XNA, plataforma de desenvolvimento da Microsoft.
Consta nas regras que jogo independente é "aquele que não foi ou está sujeito a algum tipo de patrocínio, contribuição ou favorecimento financeiro ou tecnológico por parte de terceiros". Considerando que a indústria brasileira de jogos ainda está em sua "infância", por assim dizer, o formato acaba sendo a escolha de muitos produtores que ainda estão tentando galgar um espaço.
"Criar com limitações, às vezes, é um exercício mais interessante", teoriza Gehling. Ele defende o jogo independente, entre outras razões, por ser uma alternativa muito próxima do formato de jogos casuais, ou seja, aqueles de mecânica simples, que estão em voga nos dias atuais, impulsionado pelo sucesso dos webgames, das redes online de consoles e, principalmente, pelo Wii, videogame da Nintendo.
De Gehling, fica a dica para quem pensa em começar uma carreira na criação de games: "Pense no mercado casual, e não em fazer um jogo de tiro ou estratégia para competir com orçamentos milionários".
Os vencedores
Na categoria Desktop, venceu "Tanks", de Douglas Ribeiro, Pedro de Sousa Cau R. Salles, Rafael Daigo Hirama, Bruno Henrique Oliveira Lima e Francisco Fábio Teixeira Lima, uma batalha para quatro jogadores simultâneos. Já na categoria XNA, quem levou foi "Hero", de Daniel Ribeiro Pires, uma versão 3D do clássico homônimo do Atari.
Os premiados foram escolhidos através da votação dos próprios visitantes do SBGames e também por um júri da organização. Apenas a categoria XNA teve prêmios, pois foi patrocinada pela Microsoft - ao PC, restaram troféu e um certificado.
O autor de "Hero", Daniel, tem 26 anos, nasceu em Juiz de Fora, mas mora no Rio de Janeiro, onde faz mestrado em Computação Gráfica. Para treinar programação na plataforma XNA, ele decidiu adaptar "Hero", processo que levou três meses de trabalho. Curiosamente, Daniel não planeja viver da produção de jogos: "Hoje é uma diversão, mas a minha tese é sobre câmeras 3D e pretendo fazer outros jogos, ainda mais agora que estou motivado, por ter vencido o festival".
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