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18/11/2008 - 15h45

'Jogos estão no auge da inovação', diz criador de "Deus Ex"

Fabio Pancheri
Em Montreal (Canadá)*

Divulgação

Para Warren Spector, 'indies' devem ser ousados

Para Warren Spector, 'indies' devem ser ousados

Sede de estúdios da Ubisoft, Electronic Arts e de muitas outras empresas de entretenimento eletrônico, a cidade de Montreal também tem sua feira de jogos. Em poucos anos, o International Game Summit se tornou o principal evento de indústria de jogos do Canadá e, em 2008, abre as portas ao público geral pela primeira vez.

Em tom de otimismo, Warren Spector abriu o evento, que acontece nesta terça (18) e quarta no Palais des Congrès. O produtor, que tem em seu currículo jogos como "System Shock" e "Deus Ex", encorajou o público jovem a seguir carreira no que ele chamou de "o melhor segmento da indústria de entretenimento" e o "único no qual o espectador assume uma personalidade para viver uma história".

Spector, que hoje é vice-presidente e diretor criativo da Disney Joint Punction Studio, fez uma analogia entre os tipos de profissionais da indústria de jogos e os de outras áreas. Comparou, por exemplo, cientistas como Copérnico e Galileu a Nolan Bushnell e Ralph Bauer, visionários que tiveram de desenvolver idéias e conceitos de algo que não existia. Outro grupo de profissionais de Spector são os chamados exploradores, que desenvolvem novas maneiras de interação como Shigeru Miyamoto, Peter Molyneux e Will Wright. Já os colonizadores são aqueles que estabelecem e expandem conceitos dentro de um segmento específico, como os criadores dos sucessos da Rockstar e da Blizzard.

Quando se fala em crise de inovação, Warren Spector acredita que o mercado de jogos está no auge e que em nenhum outro momento reuniu tantos jogos pioneiros como agora, citando como exemplos "Portal", "Rock Band", "Guitar Hero", "Rag Doll Kung Fu", "Wii Fit", "LittleBigPlanet", "Braid", "Spore" e "Fallout 3".

Apesar de feliz, Warren ainda crê que há muito a fazer. Melhorar a forma de se contar uma história, as expressões, atuações e principalmente como se comunicar com os personagens são os próximos desafios: "Você pode matar qualquer pessoa em um jogo, mas é sempre impossível dialogar com o personagem", brincou. Também acredita que os games precisam abandonar o modelo de "status", que limitam o jogador, e necessitam de ambientes dinâmicos que se adaptem as mudanças impostas pelo jogador rapidamente.

Para quem deseja ingressar no mercado de jogos, Warren recomenda a abordagem "indie", de produção independente: "Comece pequeno, envolva-se em comunidades e blogs, e participe de palestras voltadas ao desenvolvimento de jogos", foram alguns dos conselhos.

Despedindo-se, Warren pediu para que as grandes produtoras de jogos não sejam conservadoras, que os independentes busquem ousadia e que integrantes de grandes times encontrem aquele algo e que venda sua idéia.

* O jornalista Fabio Pancheri viajou a convite do governo do Canadá.
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