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Notícias

25/05/2005 - 14h00
PlayStation 3 não é um videogame, diz 'pai' do console

Da Redação

Em entrevista ao site japonês Watch Impress, o presidente da Sony Computer Entertainment, Ken Kutaragi, falou sobre os conceitos do PlayStation 3, diferenças com o concorrente Xbox 360 e que a nova máquina de entretenimento não é um videogame. Aliás, ele afirma que nunca chamou nenhum dos PlayStation de videogame.

Kutaragi abre a conversa dizendo que o PlayStation 3 é a realização de um objetivo desde que criou a divisão de entretenimento eletrônico. Desde o PlayStation, a finalidade não eram os jogos a sim usar o poder de processamentos dos sistemas computacionais para criar lazer. Daí a sua frase usada na conferência pré-E3: "o PlayStation 3 é o supercomputador do entretenimento".

Ele explica a diferença entre o console e a arquitetura de PC, alfinetando também o Xbox 360, que herda essa arquitetura. Diz que o PC foi criado para ser uma ferramenta de trabalho e o PlayStation 3, para o lazer. Para conseguir essa especificidade, juntou-se a IBM e Toshiba para a criação de um chip dedicado à tarefa, cujo resultado final é o Cell. Segundo Kutaragi, o chip gráfico RSX, da nVidia, segue o mesmo caminho, diferindo totalmente, em nível de arquitetura, de placas para PC.

O presidente diz que o PlayStation 3 é apenas o primeiro produto com o chip Cell, e que no futuro, haverá máquinas como leitores de Blu-Ray - a mídia de nova geração defendida pela Sony e Panasonic -, sistemas de armazenamento de mídia e TV de alta definição, todos interligados em rede. O console possui uma placa de rede ethernet de um gigabit por segundo.

Ken Kutaragi rebate as afirmações de Robbie Bach, chefe de operações da divisão Xbox da Microsoft, de que o PS3 é bom apenas em operações de ponto flutuante. O ponto de vista do presidente da SCEI é de que a arquitetura do Xbox 360 melhora as aplicações genéricas, mas não consegue passar de patamar em quesitos específicos, como o de entretenimento e que o PlayStation 3 foi projetado para criar mundos e fenômenos virtuais.

Ainda falando da concorrente, Kutaragi não vê nenhum conceito novo no Xbox, que apenas leva a estrutura do PC para uma TV comum. E que o sucessor faz apenas alguns upgrades, sem expandir o conceito de videogame. Inclusiva, diz que nem é um console de nova geração e sim um "Xbox 1.5".

Outro argumento rebatido é a estrutura de memória. O Xbox 360 tem 512 MB para ser usado entre sistema e vídeo e que o produtor tem a liberdade de dividir a memória como quiser, enquanto no PS3 as divisões são claras, 256 MB para sistema e outros 256 MB para vídeo, ambos usando tecnologias diferentes. Kutaragi diz que a divisão é para evitar processos inúteis de cópia de dados e que tanto o Cell quanto o RSX podem acessar a memória de outro.

O executivo fala de seus planos para o chip Cell, como um sistema de centro de mídia. Num processo que ele chama de "maturação", permitirá que conteúdos guardados em servidores de armazenamento sejam processados com o tempo e melhorando sua qualidade. Pode-se, por exemplo, transformar um vídeo de definição normal em um de alta resolução. Trata-se de uma tecnologia que "cria" detalhes através de análise de toda extensão do vídeo, e não apenas inflando a imagem artificialmente com pixels. Outros tipos de conteúdos podem ser beneficiar da "maturação".

Kutaragi também se preocupa em como organizar os diversos tipos de mídia digital entre música, foto e vídeos. Diz que empregará diversos métodos de análise de dados para que o usuário encontre facilmente o que quer dentro do oceano de conteúdo.

Um ponto sensível, o preço do novo console, também foi tratado. Como vem dizendo, o PlayStation 3 é um computador de entretenimento e acredita que muitas pessoas comprariam o aparelho por até dois mil dólares, devido a sua capacidade. Mas sua análise é que, se visto como um videogame, as pessoas achem o preço elevado. Analistas prevêem o patamar de 400 dólares para o novo console.