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"Donkey Kong: Tropical Freeze" lembra clássicos e é imperdível no Switch

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Jogos

11/05/2018 04h00


Após jogar algumas horas de "Donkey Kong Country: Tropical Freeze" no Switch, a pergunta que insistia em não sair da minha cabeça é: por que eu não joguei isso antes?

O jogo não é exatamente uma novidade: trata-se de uma remasterização (que está mais para conversão) de um lançamento de 2014 para Wii U. E aqui está a provável resposta para a pergunta do parágrafo anterior.

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Considerando que o Wii U foi o segundo console menos vendido da história da Nintendo - a "honraria" cabe ao esquecível Virtual Boy - é natural que essa aventura do gorila mais famoso do mundo dos games tivesse passado longe do radar de boa parte do público.

Com o Switch a história tende a ser diferente, a começar pela abrangência que o console deve alcançar: em menos de um ano, ele já superou o Wii U em vendas e está a pouco menos de 4 milhões de unidades de fazer o mesmo com o GameCube.

A portabilidade do videogame também é um ponto positivo para esse game: dividido em fases, é possível jogá-lo aos poucos, o tipo de intermitência que combina bem com consoles portáteis.

Cheiro de clássico

Quando foi lançada, em 1994, a série "Donkey Kong Country" não apenas foi um salto de qualidade técnica considerável, trazendo para o Super Nintendo um visual nunca antes visto nos consoles 16-bits, mas também colocava o gorila em um novo papel: o de herói.

Era um jogo de plataforma clássico, mas que também não se privava de inovações: a mais clássica delas era a possibilidade de controlar dois personagens com habilidades distintas. Enquanto Donkey Kong era mais forte, seu sobrinho, Diddy Kong, era mais ágil.

As fases apresentavam uma jogabilidade variada - havia trechos nos quais os gorilas se transformavam em outros animais ou, ainda, embarcavam em carrinhos de mineração para sequências de alta velocidade. E, claro, reservavam diversos itens e áreas secretas.

A boa notícia é que "Donkey Kong Country Tropical Freeze" captura toda a essência da série de maneira perfeita. Tudo aquilo que os jogadores se acostumaram a ver está lá: sequências de alta velocidade, exploração, segredos e a presença de outros personagens que acrescentam novas possibilidades de exploração.

A jogabilidade é simples e extremamente precisa, algo que é fundamental em jogos nos quais o menor deslize significa uma vida a menos. Isso também garante uma boa dose de acessibilidade.

Neve tropical

A trama de "Tropical Freeze" começa quando um exército de vikings chega à ilha onde Donkey Kong e seus amigos vivem. Junto com os invasores chega uma nevasca que transforma a paisagem da ilha tropical.

Cabe ao gorila e seus companheiros Diddy, Dixie e até o velhote Cracky entrarem na briga. Aqui, temos a principal diferença em relação aos outros jogos da série no Super Nintendo: o jogador só controla Donkey Kong, assim como ocorre em "Donkey Kong Country Returns", lançado em 2010 para Wii.

Os demais personagens são carregados nas costas do gorila e cada um confere uma habilidade diferente: Diddy Kong tem um jato que permite planar após um pulo, Dixie Kong usa suas tranças para fazer Donkey Kong alcançar lugares mais altos e Cranky Kong usa sua bengala como se fosse uma mola, o que permite atravessar áreas com espinhos.

Isso muda de figura quando o game é jogado no modo multiplayer. Neste caso, cada jogador controla um personagem enquanto exploram o cenário ao mesmo tempo. É um pouco confuso, mas a experiência pode ser divertida.

O ritmo que o game se desenvolve mescla trechos mais calmos com momentos de adrenalina - como quando uma tempestade de raios vai destruindo o chão, forçando o jogador a avançar sem pensar.

Isso, claro, impacta na dificuldade do jogo, com passagens que dão vontade de jogar o controle na parede, mas que se tornam extremamente satisfatórias uma vez que são superadas. As fases são variadas, com itens escondidos, saídas secretas - que abrem estágios escondidos - e áreas que demandam habilidade do jogador para serem acessadas. O mesmo vale para os chefes de cada mundo, que exigem perícia e uso dos mais variados elementos da jogabilidade do game.

Quem quiser uma facilidade maior pode optar pelo modo Funky. Nele, há a possibilidade de controlar o gorila surfista pelas fases e também há outros facilitadores, como uma barra de energia maior. Além disso, cada fase tem um modo "Time Trial", que permite a obtenção de medalhas de acordo com o tempo levado para completá-la - e também classifica o seu resultado em uma tabela de líderes online.

Visual de primeira

"Donkey Kong Country: Tropical Freeze" já era um jogo bonito no Wii U, mas ganhou alguns detalhes adicionais nesta versão para Switch.

Todos os elementos, sejam personagens, inimigos e cenários, ficaram mais detalhados, e o resultado é um jogo bem colorido que agrada aos olhos. É algo que fica ainda melhor considerando as alterações de ambiente de cada uma das mais de 60 fases.

Em termos de performance, o game agora roda em 1080p e a 60 quadros por segundo, o que deixa as animações bastante suaves. E tudo isso sem gargalos. Já a trilha sonora segue o ritmo "tribal" característico da série e foi composta, em sua maioria, por David Wise, mesmo responsável pelas músicas dos games para Super Nintendo.

Vale a pena?

Diante de tantos elogios, apenas dois detalhes impedem "Donkey Kong Country: Tropical Freeze" de ser recomendado "de olhos fechados". O primeiro dele é o fato de que o game traz poucas novidades realmente relevantes se compararmos a versão lançada para o Wii U e esta, do Switch. Assim, há poucos argumentos de compra para quem já experimentou o jogo no antigo videogame.

O outro ponto é o preço: a Nintendo está cobrando por "Tropical Freeze" o mesmo valor de games inéditos, o que não parece algo exatamente justo por se tratar de um relançamento.

Mesmo com o preço salgado e a ausência de novidades em relação ao Wii U, "Donkey Kong Country: Tropical Freeze" é um game praticamente obrigatório para quem curte jogos de plataforma e sentia saudades de uma das principais séries do estilo nos anos 1990.

NOTA: 9