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Chegou na voadora: "Super Smash Bros. Ultimate" é melhor da série

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

14/12/2018 04h00

"Super Smash Bros. Ultimate" chegou para fechar o 2018 do Nintendo Switch, um ano que teve um número menor de exclusivos de peso para o console, se compararmos ao que saiu para ele em 2017. A responsabilidade era grande, mas o game de luta - e aula de história dos games - cumpre sua tarefa com louvor.

Lançado no último dia 7 de dezembro (por R$ 250,79), "Super Smash Bros. Ultimate" é o melhor jogo do ano para a plataforma e o possivelmente o melhor da série - "Super Smash Bros. Melee" sempre terá seus defensores. Com o game em mãos, a breve impressão que tivemos na BGS 2018 não só foi confirmada, como superada.

A jogabilidade é a tradicional da série, com novidades para jogadores mais avançados. Na prática, se compararmos "Ultimate" às versões da franquia para Wii, Wii U e 3DS, os combates ficaram mais rápidos e técnicos, atendendo um desejo dos jogadores que vinha desde os tempos do GameCube.

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"Super Smash Bros. Ultimate" tem elenco enorme e bem balanceado Imagem: Divulgação

Essa velocidade é sentida inclusive com os personagens mais pesados, como os novatos King K. Rool, da série "Donkey Kong", e Ridley, de "Metroid". O game também parece ser melhor balanceado do que seus dois antecessores, de Wii U e 3DS, porque poucos lutadores aparentam ser menos viáveis em lutas. Isso é impressionante pelo tamanho enorme do elenco, com 76 personagens diferentes à disposição (74 se você contar o treinador Pokémon como um só).

Combinados, esses fatores tornam as lutas de "Super Smash Bros. Ultimate" frenéticas e empolgantes, sejam elas entre amigos ou contra o computador. Depois de pegar o jeito, é difícil de largar o controle.

Não é só o multiplayer

Para aqueles que sempre reúnem a galera para jogar um game em multiplayer, "Super Smash Bros. Ultimate" é uma escolha fácil. Só que o game vai além disso e oferece opções robustas que te prendem ao videogame mesmo se você está jogando sozinho.

O modo clássico, que é a versão "Super Smash Bros." do modo arcade de games de luta, ganhou uma variação temática para cada personagem. Para a caçadora de recompensas Samus, a historinha se chama "Outro planeta, outra recompensa". Já Link se aventura em uma "Missão para selar as trevas", com direito a uma batalha com Ganon no final.

Você leu certo: Ganon, não Ganondorf. O modo clássico não é mais obrigatoriamente encerrado com um combate contra a Master Hand, o chefão final tradicional da série "Super Smash Bros.". Agora existem outros chefes para encarar no final dessas minicampanhas, uma mudança inédita que renova essa modalidade e torna mais divertido se aventurar com dezenas de personagens diferentes.

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World of Light tem um mapa de navegação ao estilo "Super Mario World" Imagem: Divulgação

Só que o verdadeiro atrativo para um jogador é outro, chamado World of Light. Apresentada com um trailer ao melhor estilo "Vingadores", a aventura marca o retorno de uma história a "Super Smash Bros.". Nela, todos os lutadores são possuídos e clonados pelo vilão Galeem, que transformou outros personagens do universo dos games em espíritos.

Seu objetivo é resgatar os lutadores possuídos e libertar os que foram transformados em espíritos, que por sua vez foram usados para reanimar clones. Todos estão espalhados em um mapa nos moldes de "Super Mario World", em que cada adversário é indicado como uma fase específica. A quantidade de combates é enorme e seria cansativa se não as lutas não apresentassem um twist na fórmula tradicional

Isso significa que, em vez de simplesmente lutar contra um outro personagem em situações comuns, cada combate tenta imaginar como o espírito em questão se comportaria na arena. O espírito do Pokémon Snorlax, por exemplo, é representado por um King K. Rool branco, gigante, que não se mexe. Para vencê-lo, você precisa dar dano suficiente em um tempo limitado.

Isso funciona muito bem como uma forma de representação de personagens que jamais seriam lutadores do elenco de um "Super Smash Bros".

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Espíritos de "Super Smash Bros. Ultimate" são colecionáveis e equipáveis Imagem: Divulgação

Uma vez derrotados os espíritos, você pode equipá-los para ganhar poderes especiais em outras batalhas. Isso acaba combinado com outros sistemas de jogo, em que certos tipos de espírito têm vantagem em relação a outros, na lógica de pedra papel e tesoura. Ainda há uma árvore de habilidades que pode ser destravada em paralelo aos poderes dos espíritos.

Parece complexo, e é, mas tudo faz sentido quando você joga.

Espíritos no lugar de troféus

Além de servirem como itens equipáveis, os espíritos também são os colecionáveis de "Super Smash Bros. Ultimate". Eles cumprem o papel que, em todos os jogos anteriores da franquia, era ocupado pelos troféus. Enquanto no passado a lista de troféus era de centenas de coisas (personagens, armas, itens), os espíritos são mais de mil.

É possível adquirir novos espíritos por outros meios fora o World of Light, como nas batalhas da Spirit Board ou mesmo ao terminar rodadas do modo clássico. São mais de mil figuras diferentes para colecionar, mas elas são apenas imagens estáticas identificadas pelo nome e a série de origem.

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Não há, nos games, um crossover mais ambicioso que "Super Smash Bros. Ultimate" Imagem: Divulgação

O fato de os colecionáveis não serem mais em 3D, como era no caso dos troféus, é chato, mas compreensível pelo trabalhão meio desnecessário que eles davam à equipe de desenvolvimento. Por outro lado, é decepcionante que os espíritos não tenham uma pequena descrição em texto, como era no caso dos troféus.

na parte musical, "Super Smash Bros. Ultimate" não comete nenhum deslize. O catálogo de trilhas temáticas é ridiculamente extenso, com mais de 900 músicas que vão desde os clássicos da Nintendo, como Mario e Zelda, a Castlevania, Final Fantasy e Monster Hunter. Tem músicas para todos os gostos.

Perfeito para reunir a galera

Retomando o assunto multiplayer, o online merece algumas palavras. Como é "tradição" da franquia desde o Wii, as partidas que disputei pela rede foram repletas de lag. Os testes com conexão wi-fi foram ruins, então se o seu negócio é jogar assim, prepare-se para problemas. Pode ser uma falha que venha a ser corrigida depois da semana de lançamento do game, mas o que vimos até o momento não é um bom sinal de qualquer forma.

Por outro lado, entre amigos ou competidores sentados do seu lado na frente da TV, "Super Smash Bros. Ultimate" brilha. O game trouxe de volta modalidades que foram esquecidas desde o GameCube, como a possibilidade da organização de torneios no console, além de introduzir um estilo novo de combate, chamado Squad Strike.

Este permite que cada jogador escolha times de três ou cinco lutadores, em uma batalha de eliminação. Considerando o tamanho do elenco, é uma forma de instigar a experimentação de novos personagens, o que nem sempre acontece no caso de batalhas comuns.

As adições e retornos fazem de "Super Smash Bros. Ultimate" uma versão definitiva da franquia. Ele se propõe a isso e faz quase com perfeição. Há pequenos deslizes, como a questão dos colecionáveis, mas que são completamente relevados pela qualidade da jogabilidade e a incrível atenção ao detalhe presente nos personagens, fases e trilha sonora.

"Super Smash Bros. Ultimate" é um game único, que não se compara a qualquer outro que esteja disponível no Switch, PlayStation 4, Xbox One ou PC. Nenhum jogo reúne tantas partes da história dos videogames no mesmo lugar. Por isso e por todas as outras qualidades levantadas anteriormente, esta é uma experiência imperdível.

Nota: 10