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"Yakuza 6" é bom e recompensa jogadores pacientes

Rodrigo Lara

18/04/2018 04h00

Histórias envolvendo o submundo de gangues e organizações criminosas costumam ser interessantes e, provavelmente, essa foi uma das motivações da Sega ao criar a série "Yakuza", em 2005. Pouco mais de uma década depois e sete jogos da série principal lançados - além de outros episódios paralelos -, as mais de 10 milhões de cópias vendidas da franquia mostram que a produtora acertou na escolha.

É justamente nesse cenário que "Yakuza 6: Song of Life" chegou. Lançado em dezembro de 2016 no Japão, ele só chegou agora ao Ocidente, sendo o primeiro título da série criado exclusivamente para o PlayStation 4. "Yakuza Kiwami" e "Yakuza 0" também tiveram versões para o PlayStation 3.

A espera, no entanto, valeu a pena: o jogo traz a conclusão da história da Kazuma Kiryu, o "Dragão de Dojima", e mantém os seus principais elementos de sucesso. Isso significa que o game é como wasabi: não deve agradar todas as pessoas. Da mesma forma que possui uma história profunda, intrigante e cheia de reviravoltas, ele também exige paciência, foco (acredite, há tantas atividades paralelas a serem feitas que há boas chances de você perder o fio da meada) e tolerância com alguns pequenos tropeços técnicos.

Um bom começo?

Se você é aquele tipo de pessoa que sempre ouviu falar de "Yakuza", mas nunca teve a oportunidade de jogar um game da série, é natural que fique em dúvida se vale a pena se aventurar em um game tão avançado na cronologia da franquia.

A boa notícia, neste ponto, é que "Yakuza 6" faz um belo trabalho ao contar com a história da série resumida em capítulos, que podem ser acessados antes mesmo de começar o jogo. Não substitui, claro, a experiência de jogar os games anteriores, mas evita que o jogador fique boiando em possíveis referências no decorrer da história.

Por falar nela, a trama de "Yakuza 6" segue a receita dos games anteriores: Kazuma Kiryu começa com um objetivo relativamente simples, mas, na pegada "Sessão da Tarde", acaba se envolvendo em altas confusões com uma turma do barulho.

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Imagem: Divulgação

Tudo começa exatamente de onde "Yakuza 5" terminou. Após se recuperar de seus graves ferimentos e de quase morrer após enfrentar Masato Aizawa, Kiryu é levado pela polícia e encara a nova passagem de três anos pela penitenciária - o que ele encara como uma espécie de recomeço. A ideia é retornar ao orfanato Morning Glory e ter uma vida tranquila ao lado de sua filha adotiva Haruka Sawamura e das crianças que eles tomam conta.

Ao sair da prisão, no entanto, ele descobre que Haruka tinha ido embora sob a justificativa de que não queria associar o orfanato e as crianças ao nome da Yakuza. É claro que Kiryu resolve ir atrás da garota e se vê, novamente, nas ruas de Karumocho, tradicional cenário da série e que se inspira no distrito boêmio de Kabukicho, em Tóquio.

Após trocar uns sopapos com gangues locais e descobrir que a região passa por um período turbulento envolvendo mafiosos chineses, Kiryu encontra Haruka: ela está em coma, hospitalizada após um atropelamento. Mais intrigante ainda é a informação de que ela teria um filho.

Sem saber se Haruka irá acordar, Kiryu resolve "raptar" a criança e ir atrás de seu pai. É aí que a trama de "Yakuza 6" começa de verdade.

Infinidade de coisas para fazer

Se você acha que, daí em diante, "Yakuza 6" se limita a levar o jogador entre sequências de pancadaria contra grupos de inimigos e "chefões", você não poderia estar mais errado.

Há muito o que fazer pelas regiões por onde o jogo passa e quase tudo se transforma em minigame. É possível entrar em arcades da Sega e jogar games como "Out Run", "Space Harrier" e "Virtua Fighter 5", disputar partidas de arremesso de dardos, cantar num karaokê (em um minigame aos moldes de "Guitar Hero"), se aventurar em pesca submarina, participar de sessões de conversa virtual com garotas aleatórias e mais.

Além das atividades de história, há missões paralelas que trazem uma boa dose de variedade e bizarrice. E, dentre elas, merece atenção o sistema de criação de clã, que basicamente transforma o jogo em um game de estratégia em tempo real. Nele, o jogador recruta membros para uma nova gangue e enfrenta grupos de inimigos, lançando soldados em um campo de batalha. Essa modalidade também pode ser jogada online contra outros jogadores.

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Imagem: Divulgação

Explorar o mundo do game sempre foi um dos maiores atrativos dos títulos da série, que premia jogadores mais curiosos, mas acaba afastando quem busca por ação desenfreada. Mesmo com essa variedade de atividades, o sistema de combate ainda é o ponto central do jogo, mas surge mais simplificado do que o visto em outros games da série.

Para começar, você controla apenas Kiryu - em "Yakuza 5", era possível utilizar outros personagens. Conforme você faz ações, ganha pontos de experiência em áreas como força, técnica etc. Esses pontos, por sua vez, são usados para que o personagem aprenda novas habilidades ou reforce suas estatísticas de força, defesa, energia etc.

As batalhas utilizam quatro comandos básicos: golpe rápido, golpe forte, agarrão e esquiva. Além disso, é possível fazer Kiryu entrar em um modo "vaca louca" por tempo limitado, o que aumenta a força dos golpes, garante novas habilidades e quase sempre é uma má notícia para quem for alvo dos socos e chutes do personagem. Além disso, é possível utilizar os mais variados elementos do cenário como armas.

Um jogo decente

"Yakuza 6" não é aquele colírio para os olhos, mas traz um visual competente. A interpretação dos personagens é boa - o que ajuda a dar o peso correto para as situações, sejam elas tensas ou divertidas -, mas compreender o que se passa exige que o jogador saiba ou inglês (para ler as legendas) ou japonês (para compreender os diálogos direto da fonte), já que não há sequer opção de legendas em português.

Em termos técnicos, há alguns tropeços: a taxa de quadros por segundo não é das mais constantes e o jogador precisa discutir a relação com a câmera com certa frequência - algo um tanto irritante, especialmente durante batalhas. Poderia ser melhor? Sem dúvidas, mas não é algo que vá estragar a experiência.

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No final das contas, mesmo não sendo o melhor da série, o jogo que encerra a trajetória de Kazuma Kiryu é totalmente digno tanto da franquia quanto do personagem. Ele vale a pena para quem acompanhou a saga até aqui ou, ainda, para quem deseja dar seus primeiros passos na franquia - ainda que "Yakuza Kiwami" e "Yakuza 0" sejam considerados games melhores.

Resta ver como será o futuro da franquia. Sim, futuro: a despedida de Kiryu não significa que a série vai ser deixada de lado. A Sega já trabalha em um novo game da série, que deverá ser lançado ainda em 2018 (no Japão, presumidamente) e terá um novo protagonista. Pela ótima impressão deixada até aqui, cabe aos fãs ocidentais torcerem para que a novidade não demore para chegar deste lado do globo e que o novo protagonista mantenha o nível do já saudoso Dragão de Dojima.

NOTA: 8

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