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Medal of Honor: Vanguard

13/04/2007 14h48

Agora que a nova geração de consoles está mais disseminada - principalmente o Xbox 360 -, os videogames da linhagem passada estão recebendo menos atenção. O PlayStation 2, graças a sua maciça base instalada, ainda é um console economicamente viável, mas é inegável que, em se tratando de séries, as melhores idéias estão migrando para os videogames de ponta.

Isso já aconteceu com "Burnout", da própria Electronic Arts, e agora ocorre em "Medal of Honor". A franquia, que iniciou a moda dos games de tiro baseados na Segunda Guerra Mundial chega a sua provável última edição para o PlayStation 2 sem inovação, quase voltando às origens. E com isso, o Wii também acaba pagando o pato, pois sua versão é baseada na do console da Sony.

Tropa democrática

"Medal of Honor Vanguard" é um jogo de tiro em primeira pessoa ambientado na guerra mundial que aconteceu entre 1939 e 1945. Como sempre, traz campanhas e armas reais, além de tentar reproduzir o caos de um confronto de tamanha intensidade. Se as edições anteriores tentaram renovar a fórmula - acrescentando comando de times, "bullet time" e barra de adrenalina, por exemplo -, o novo título se concentra no básico.

Assim, o termo "Vanguard" não diz respeito ao game em si - que está mais para o lado ultrapassado -, mas a seu protagonista: a 82ª Divisão Aerotransportada, a primeira a fazer invasões com pára-quedas. Apelidada de "All American" - por integrar em suas fileiras soldados oriundos de todos os estados norte-americanos -, é nessa divisão que pertence Frank Keegan, o personagem controlado pelo jogador.

No entanto, o pára-quedismo é muito pouco explorado. Quase a totalidade do game acontece mesmo em solo, como a maioria dos games de tiro em primeira pessoa. Não há nenhuma funcionalidade nova, mas, por outro lado, mantém uma mecânica de jogo sólida, herdada da tradição da franquia.

Atrás das linhas inimigas

A gama de ações é típica do gênero. O soldado tem a disposição até duas armas (mais a granada) e pode pular, agachar, deitar e usar a mira de precisão, e, a partir dessa posição, esgueirar o corpo para os lados. É um jeito de deslocar a visão no modo de mira acurada, algo que é quase imprescindível aqui.

Em "Medal of Honor Vanguard", é preciso adotar o estilo cauteloso. Nada de correr e atirar, mas sempre encontrar um lugar seguro de onde possa acertar metodicamente seus oponentes. É assim, de área em área, que se avança. O senão é que as armas têm menos precisão que o desejado: a partir de certa distância, é difícil saber se o tiro está ou não atingindo o oponente. E isso quase obriga o jogador menos paciente a chegar mais perto, e isso pode não ser uma boa idéia, já que o ataque adversário é muitas vezes implacável. E nem adianta o sistema de vida infinita à la "Call of Duty": você recupera a energia completamente ao se abrigar por um breve período, mas morre se tomar muitos tiros seguidamente.

Dois estilos de atirar

No PlayStation 2, os controles funcionam como na maioria dos jogos de tiro em primeira pessoa para consoles, com um direcional para o deslocamento e outro para a visão. A sensibilidade é equilibrada, dosando bem velocidade e precisão, mas é prejudicada por um desempenho de fluxo de tela que não é ideal.

Já no Wii, a experiência fica melhor, não apenas por ser mais solta, mas pela sensação física da mecânica de gestos. Se você já jogou um game de gênero no Wii já sabe mais ou menos como proceder: você aponta com o wii-remote para onde quer atirar (mas a mira não é tão firme como, por exemplo, "Call of Duty 3", da Activision). Para arremessar uma granada, faz-se um movimento similar com o dispositivo.

Se os gestos funcionam para a mira, em relação aos outros movimentos não se pode dizer o mesmo. Ao projetar o wii-remote para frente, o soldado dá coronhadas, mas a ativação é imprecisa. Além disso, os controles de gestos no nunchuk podem complicar: é que se inclinar para a esquerda, o soldado vira para trás, colocando para a direita, recarrega-se a arma. Não é difícil imaginar como esses comandos podem ser ativados involuntariamente.

De pára-quedas no Velho Continente

Durante as dez fases, divididas em quatro operações, o jogador vivencia vários tipos de ação: resgatar prisioneiros, proteger aliados, usar vários tipos de artilharia, procurar documentos, usar bazucas contra taques e "limpar" posições inimigas. Mas, principalmente, você vai matar muitos nazistas. Não há complicação: a progressão é totalmente linear - só há um caminho a percorrer.

O seu desempenho se traduz em medalhas: tente não morrer, use todas as armas, acerte os oponentes na cabeça para conseguir as premiações. A dificuldade cresce constantemente, mas, nas fases finais, dá um salto. É um velho truque para prolongar a experiência de jogo, mas também pode afugentar o jogador de tanta frustração. Isso também acontece pelo fato dos "checkpoints" serem muitos distantes uns dos outros: não é incomum você ter que repetir trechos de 15 minutos cada vez que morrer.

O multiplayer é fraco, pois não há modalidade online. É um retrocesso, pois os antecessores contavam com o recurso. Até quatro pessoas podem dividir uma mesma tela, com regras multiplayer clássicas.

O visual é competente em ambas as edições. No PlayStation 2, a imagem é menos refinada, com texturas indefinidas e modelagens um pouco grosseiras, mas, no geral, ainda está bom, graças à boa reprodução dos ambientes, bem "povoado". O visual no Wii é melhor - afinal, é um console de nova geração -, mas não tanto quanto se espera. A principal diferença está nos efeitos de luz: o fogo das armas, por exemplo, ilumina quem está por perto e o próprio ambiente. Em ambos, as animações são verossímeis.

O game traz sua tradicional qualidade de som. A música-título é a mesma, e a trilha sonora acompanha os principais momentos do roteiro. Durante o jogo, a harmonia é feita de explosões, tiros, gritos e as falas de seus companheiros, que, apesar de serem repetitivas, estão de acordo com a situação, o que faz parecer que os acontecimentos são "ao vivo".

A última medalha

Nota: 6 (Razoável)