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Heavenly Sword

28/09/2007 13h14

Desde que apareceu pela primeira vez, na E3 de 2005, "Heavenly Sword" ganhou a fama de sucessor de "God of War". E não era para menos, afinal, as semelhanças saltavam aos olhos. uma guerreira com traços fortes eliminando um exército gigantesco de inimigos através de combos repletos de acrobacias. De lá para cá, os novos vídeos que surgiram só reforçavam essa sensação: Nariko, a protagonista do jogo, seria realmente a versão feminina de Kratos.

Acontece que tal comparação não fez nada bem a "Heavenly Sword". Mesmo sendo um dos jogos mais belos da nova geração, com um cuidado só visto em megaproduções de Hollywood, elevar as expectativas a um nível tão alto aumenta as chances de frustrar os fãs com o produto final. Ainda mais quando a comparação é feita com um dos maiores jogos de ação de todos os tempos.

A profecia

Diz a história que, muito tempo atrás, a terra era tomada pelo ódio espalhado pelas tropas de Lorde Raven. Foi quando dos céus surgiu um guerreiro místico, portando uma espada repleta de poderes especiais. Com ela, que esse divino ser eliminou todo o mal da face da Terra e logo em seguida desapareceu, deixando para trás apenas a sua arma.

Porém, essa espada não pode ser empunhada por um mortal, pois caso isso aconteça, sua vida será sugada em poucos dias. Visando proteger a espada da humanidade e vice-versa, surgiu um clã para proteger o artefato. É nesse momento que aparece o tirano rei Bohan, que deseja a qualquer custo tomar o legado destes protetores.

Uma profecia conhecida por todos do clã dizia que um menino iria nascer e seria a reencarnação do divino guerreiro. Porém, ao invés de um garoto, nasceu Nariko, o que foi visto como a destruição de toda a esperança deste povo. A garota passou a ser repudiada pelo seu próprio clã.

Mesmo sendo desprezada, Shen, seu pai, educou-a para ser uma verdadeira guerreira, passando todos os ensinamentos e conhecimentos necessários para isso. Quando ele é seqüestrado por Bohan, Nariko não vê alternativa a não ser empunhar a espada que dá nome ao jogo e sair em busca de Shen, mesmo que isso signifique ter selado o seu destino para sempre.

Só faltou a pipoca

Toda a narração desta mítica história acontece de forma sem precedentes em um videogame. O cuidado com as cenas não-interativas é simplesmente incrível, em alguns momentos é possível captar os sentimentos dos personagens apenas pelas expressões faciais, dando a nítida impressão de que você não está apenas desfrutando de um jogo, e sim assistindo a um belo filme.

Parte desta sensação se deve ao belíssimo trabalho da direção dramática, que ficou por conta de Andy Serkis, o Gollum na trilogia "O Senhor dos Anéis". Graças a sua experiência, o sistema de captação de movimento funcionou de maneira surpreendente. Ele também é o responsável por dublar o Rei Bohan. A dublagem, alias, é outro ponto forte: todos os personagens possuem um sincronismo labial excelente e conseguem transmitir uma carga emocional incrível.

Um sistema de combate sólido

Mas não são só as belas cenas que fazem de "Heavenly Sword" um bom jogo; o sistema de combate é algo que torna a experiência ainda mais agradável. E fica aqui um aviso: se engana quem pensa que basta sair apertando qualquer botão, aleatoriamente, para se dar bem. Chegar ao fim do jogo exige o domínio completo de todas as funções.

O game começa com Nariko portando apenas a Longsword, uma espada simples e que não permite grandes combos. A ação fica realmente divertida a partir do momento que a "Heavenly Sword" está em suas mãos.

A espada possui três tipos de ataques: Speed, Range e Power. O Speed, acionado com o botão L1, proporciona os ataques rápidos, possibilitando jogar os inimigos para o alto e, ao movimentar o SixAxis rapidamente para cima, continuar o combo no ar; o Range são os ataques padrões que mesclam velocidade e força; já o Power é o mais devastador de todos, mas por serem golpes mais lentos, acabam deixando Nariko exposta. Por último, está o mais impressionante de todos os golpes, o Superstyle Attacks - uma barra no canto superior esquerdo indica quando o seu disco de "supertyle" está cheio. Existem três níveis e, quanto mais cheio, mais devastador será o resultado do especial.

Através destes movimentos é possível realizar combos enormes. São eles que enchem a barra que fica localizada na parte inferior da tela. Esses combos são medidos por Glyhs e, cada vez que você enche um deles, um novo extra é liberado.

Quem achou isso tudo muito complexo, ainda não viu nada: para se defender dos ataques, por exemplo, é necessário usar o mesmo estilo de luta que ele; caso contrário vai apanhar feio.

A coadjuvante

Em algumas partes da aventura, o jogador deixa de controlar Nariko e assume os movimentos de Kai, sua irmã adotiva, uma garota de 18 anos, completamente inconstante e infantil, mas, por outro lado, uma notável atiradora. É com ela que o jogador deixa a ação de lado e passa a alvejar seus inimigos de uma longa distância. Aqui entra uma surpreendente novidade: o uso do SixAxis para controlar os seus projéteis. Apertando e segurando o botão quadrado, é possível não apenas atirar como também controlar o objeto lançado até o seu alvo, tudo através do sensor do controle do PS3. O que pode parecer impossível nas primeiras tentativas, depois de um pouco de treinamento, além de se tornar algo fácil, representa uma das partes mais prazerosas do jogo.

Apesar de "Heavenly Sword" possuir diversos aspectos louváveis, nem tudo são flores. Durante toda a aventura é possível observar diversas quedas na taxa de quadros, o que causa aquela incômoda sensação de lentidão. Os personagens que aparecem aos milhares nos confrontos são todos genéricos, se repetindo a exaustão. Mas sem dúvida, o problema que mais incomoda é a curta duração do jogo, que não leva mais do que oito horas. Os extras liberados não estimulam o jogador a tentar uma nova investida.

Nota: 8 (Ótimo)