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Hellgate: London

16/11/2007 16h23

Quanto mais tempo um jogo leva para ser desenvolvido, mais expectativa gera. Além de ter ficado no forno por aproximadamente quatro anos, "Hellgate: London" carrega ainda o peso de ter sido desenvolvido pelos criadores do fenômeno "Diablo II", que saíram da Blizzard, produtora conhecida por sempre prezar pela extrema qualidade, para formar a Flagship Studios em 2003. Parecia ter tudo para ser o jogo perfeito.

Infelizmente, no entanto, a falta de polimento e os problemas técnicos fazem "Hellgate: London" passar longe da perfeição. Trata-se de um jogo ambicioso, que mistura a complexidade dos RPGs com a ação e a perspectiva dos jogos em primeira e terceira pessoa. A viciante fórmula de "Diablo II" foi seguida à risca, cabendo aos desenvolvedores adaptá-la para um imenso universo pós-apocalíptico em 3D.

Era uma vez Londres

Apresentação cinematográfica
"Hellgate: London", como o próprio nome sugere, se passa num futuro próximo, na capital da Inglaterra, invadida por criaturas infernais que se alastraram pela Terra causando caos e destruição. Os poucos sobreviventes formaram grupos de resistência e, juntos, lutam para combater o mal, no sentido literal da palavra. Você começa o jogo como um soldado anônimo, e vai conquistando a confiança destes grupos ao longo da trama.

A cidade de Londres serve de palco para a ação, e embora não tenha sido recriada com extrema fidelidade, muitos de seus edifícios e monumentos marcam presença durante a jornada, incluindo o notório Big Ben. A carnificina acontecerá em parques, museus, estações de metrô, ruas devastadas e muitas outras localidades, revelando um mundo de jogo imenso.

Vale notar que os cenários são gerados aleatoriamente, seguindo um padrão de construção de fases. Apesar de ser interessante visitar um local em uma segunda partida e notar diferenças na forma como foi construído, os cenários se tornam repetivos, quando não confusos. Você passará por uma mesma rua, beco, sala ou túnel dezenas de vezes, ainda que esteja visitando novos cenários. A sensação de estar andando em círculos é inevitável, mesmo sabendo de seu avanço no jogo.

"Diablo" do futuro

Antes de iniciar o jogo, você escolhe uma entre seis classes de personagens, cada qual com suas próprias habilidades (que vão sendo liberadas de acordo com sua evolução) e capacidades. Guardiões e espadachins são limitados às armas brancas, que causam mais dano que as armas de fogo. Estas só podem ser empunhadas pelos atiradores e engenheiros. Existem também duas classes de magos, que usam o poder da cabala para realizar magias ofensivas e defensivas e evocar criaturas - tudo ao estilo futurista do jogo, é claro.

Como em "Diablo II", cada nível de evolução do personagem lhe garante pontos para serem distribuídos entre os atributos do personagem, que aqui são simplificados: precisão, força, resistência e força de vontade. Além disso, você poderá optar em aprimorar uma habilidade especial ou comprar uma nova, desde que esteja disponível. Quando esses pontos são distribuídos estrategicamente entre os atributos e habilidades, seu personagem se fortalece.

Ao equipá-lo com itens como as armaduras de torso, ombro, botas, capacete etc. ele se torna ainda mais resistente. E opções não faltam: são centenas deles, que alteram não apenas os atributos de seu personagem mas também seu visual. O mesmo vale para as armas, que podem inclusive receber modificações, que adicionam bônus de dano e outras vantagens.

Montagem com cenas de ação
Não bastasse a variedade e maleabilidade dos itens, você também pode criar armas e armaduras utilizando componentes coletados durante sua jornada ou até mesmo desmantelando itens sem utilidade. Neste ponto, "Hellgate: London" vai além de "Diablo II", chegando a um nível de customização que talvez nenhum RPG tenha atingido.

As chamadas "quests" (missões) existem aos montes, principalmente as opcionais, que recompensam o jogador com pontos de experiência, dinheiro (aqui chamado de Palladium) e itens raros. Entretanto, a maioria delas se resume a matar uma determinada quantidade de inimigos em um local específico, caindo invariavelmente na repetição.

Os quebra-cabeças e a interação com o cenário, que poderia dar mais variedade ao jogo, ficaram de fora. Se você não está no campo de batalha, enfrentando criaturas e explorando os cenários em busca de itens, provavelmente estará gerenciando seus itens nas bases de resistência ou conversando com personagens em busca de novas quests.

Boas idéias, má execução

A principal característica do jogo é a fusão entre os gêneros RPG e ação em primeira pessoa (ou terceira), o que não é nenhuma novidade, visto que jogos como "Elder Scroll IV: Oblivion" já fizeram essa mistura. Porém, "Hellgate: London" é o primeiro a incorporar a mecânica consagrada por "Diablo", com enfoque na ação e gerenciamento de itens.

Inicialmente essa mistura pode soar um tanto estranha, pois apesar da perspectiva, o esquema de "Hellgate: London" é bem diferente de um "Half-Life", por exemplo. Aqui as munições são infinitas, sua mira não depende de sua habilidade com o mouse e um lança-mísseis está longe de ser a melhor arma do jogo. Tudo depende dos atributos de seus itens e personagem.

Ter jogado "Diablo" ou um RPG similar é quase um pré-requisito para se familiarizar com o jogo, visto que seu tutorial mal elaborado não é de grande auxílio. Contudo, a dificuldade equilibrada e a simplicidade das missões iniciais ajudam o jogador a se situar, até que ele esteja preparado para enfrentar os reais desafios que virão.

Para um jogo que ficou em desenvolvimento por longos quatro anos, "Hellgate: London" possui uma quantidade significante de bugs e outros problemas. É comum, por exemplo, ver inimigos atravessando paredes ou desaparecendo do nada. Muitos dos NPCs (personagens não-jogáveis) possuem ciclos de animações quebrados.

Conheça as armas
E não pára por ai: a taxa de quadros pode cair subitamente em momentos com grandes concentrações de inimigos e efeitos visuais, mesmo na configuração gráfica adequada para seu computador. Problemas bobos, como a possibilidade de atravessar os modelos dos personagens ou inimigos caídos no chão, não foram resolvidos. A música reservada para as batalhas mais intensas, que deveria tocar no início da ação, muitas vezes é ativada no final da batalha, e continua tocando mesmo que a ação tenha sido encerrada. Descuido da Flagship, que mostra uma evidente falta de capricho dos desenvolvedores.

Graficamente, possui altos e baixos. Durante sua jornada, você enfrentará um verdadeiro exército de criaturas grotescas, de todos os tamanhos e comportamentos, a maioria delas muito bem animadas (ao contrário dos NPCs) e modeladas. Só pecam pela inteligência artificial fraca, que faz com que as vezes fiquem presas e totalmente imóveis entre o cenário. Além da repetição já mencionada, os cenários nem sempre convencem, passando de áreas superdetalhadas e com boa iluminação para ambientes sem vida e genéricos.

Além do jogo solo, há também o multiplayer, que aqui funciona mais como um RPG online massivo. Os cenários e missões são exatamente as mesmas do modo para um jogador, só que aqui você pode interagir com outros jogadores, formar guildas, trabalhar em grupo e trocar itens. Infelizmente não há como importar seu personagem do modo solo, sendo necessário a criação de outro para a modalidade online.

Os fãs podem inclusive optar pela conta online paga e ter acesso a novas classes de personagens, monstros, itens, mapas etc. Os desenvolvedores prometem uma atualização constante para os membros pagantes. Porém, levando em consideração que o conteúdo do jogo já é bastante extenso, o serviço pago é questionável.

Nota: 7 (Bom)