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Lost Odyssey

21/03/2008 12h43

"Mass Effect, "Oblivion" e "Eternal Sonata" são algumas das poucas opções em RPGs para o Xbox 360, que conta ainda com "Blue Dragon", criado por Hironobu Sakaguchi, o pai da todo-poderosa série "Final Fantasy". De Sakaguchi também vem "Lost Odyssey", que não só chega para dar ânimo aos fãs do gênero mas também para mostrar que os tradicionais RPGs de turno feitos no Japão ainda têm muitas cartas na manga.

Mil anos de sonhos

Todo bom RPG precisa de uma história forte e "Lost Odyssey" conta com uma que, se não empolga no início, pelo menos consegue prender a atenção à medida em que o elenco é apresentado.

Tudo gira em torno da figura de Kaim Argonar, tenente do exército da república de Uhra, que se encontra no campo de batalha contra as forças de uma nação inimiga chamada Khent. Durante o gigantesco confronto, o céu fica todo preto e uma imensa chuva de meteoros e lava cai impiedosamente sobre o vale onde se desenrola o conflito, matando todos os soldados. Todos exceto Kaim, que sai sem nenhum arranhão e sem nenhuma memória.

A primeira batalha
O alto comando de Uhra fica sabendo do milagroso retorno de Kaim e o convoca para uma reunião com o conselho da república, enquanto ele descobre que outra pessoa também sobreviveu à tragédia. Ao se apresentar aos governantes, o guerreiro ouve pela boca do feiticeiro Gongora que ele foi feito imortal por um feitiço secreto. Gongora também é o responsável por um artefato chamado 'Magic Staff', uma espécie de canalizador de magia que pode dar à Uhra grandes recursos, algo que deixa o resto do conselho temeroso. Assim, o mago é suspenso de seu cargo e Kaim é designado para investigar o tal mecanismo, depois de levantada a hipótese de haver alguma ligação entre ele e a devastadora chuva de meteoros.

A partir daí, algo em torno de uma hora depois da tela de início, do primeiro de quatro DVDs, a história do jogo realmente começa a se desenvolver, com tudo o que se espera de RPGs épicos japoneses. Kaim irá encontrar outros companheiros, imortais ou não, e testemunhará uma grande conspiração envolvendo um golpe de estado e a busca de um homem por poderes que podem torná-lo um deus.

Aos poucos também, Kaim irá recuperar trechos de sua memória em flashbacks contados durante a história, em forma de texto, nos chamados "A Thousand Years of Dreams", escritos pelo premiado romancista japonês Kiyoshi Shigematsu. Muitos acharão a iniciativa estranha, chata até, já que há muito material e é necessário bom conhecimento do inglês. Mas os textos são interessantes e dão muito peso ao personagem de Kaim, inicialmente frio e apático. É uma abordagem diferente de desenvolvimento que, para os mais impacientes, pode, felizmente, ser acelerada com o pressionar dos botões.

Adições à fórmula

Trailer de abertura
A base da mecânica de "Lost Odyssey" é a mesma de qualquer RPG tradicional feito no Japão nos últimos vinte anos. Você anda por cidades, conversa com pessoas, procura itens em caixas e vasos, anda por mapas abertos para ser surpreendido por ataques aleatórios e luta contra os inimigos em turnos alternados. Tudo como manda a cartilha. Até mesmo a interface é antiquada, com menus que poderiam ter sido tirados de qualquer "Final Fantasy" da década passada.

Mas há algumas novidades que, se não revigoram totalmente a fórmula, deixam tudo mais interessante e desafiador. A primeira coisa é a mistura entre mortais e imortais. Ao longo da história Kaim irá encontrar outros como ele, que não podem morrer durante as batalhas (eles voltam alguns turnos depois do fim de sua energia), assim como irá encontrar pessoas normais. Estas pessoas funcionam como personagens tradicionais de RPGs e ganham habilidades e magias à medida em que sobem de nível. Já os imortais não conseguem fazer isso por conta própria e precisam estar ligados a algum mortal ou a algum acessório para absorver e manter um determinado poder. Assim, é necessária uma combinação eficaz de personagens para deixá-los realmente poderosos.

Outro fator que deixa os combates mais dinâmicos é o "Ring System", dois círculos que aparecem durante os ataques - é necessário segurar o gatilho e soltá-lo quando um círculo se sobrepor perfeitamente ao outro - que dão bônus especiais. Esses rings são equipados por seus personagens e podem ser construídos com uma infinidade de receitas e itens encontrados por todo o jogo. Eles ainda podem ser combinados entre si e trocados durante as batalhas, se ajustando a cada tipo de inimigo. Há uma infinidade de possibilidades e, com certeza, fará muitos jogadores perderem o sono atrás de mais e mais variações.

Produção grandiosa

As cidades
Qualquer jogo criado por Hironobu Sakaguchi é grande, e "Lost Odyssey" não é diferente. Como dito anteriormente, ele é tão grande que foi lançado em quatro DVDs - para os curiosos, a versão lançada no Brasil enfiou três discos no pino central e o quarto disco em um envelope de papel, dentro de um estojo tradicional. Tudo isso para comportar as várias cenas em computação gráfica e os muitos diálogos, disponíveis inclusive na medíocre dublagem em inglês e na superior em japonês.

O desenho dos personagens é muito interessante e foge do lugar-comum dos heróis dos RPGs japoneses, muitas vezes povoado por gente andrógena de roupas espalhafatosas e atitudes incompreensíveis. As criaturas também são criativas e variadas, assim como os cenários, mesmo que alguns pareçam frios e sem vida, como se estivessem lá apenas para compor alguma cena. Definitivamente foi uma boa idéia contratar Takehiko Inoue, criador de mangás como "Slam Dunk" e "Vagabond", para ajudar no design.

Já a performance deixa um pouco a desejar, mas não chega a ser determinante. "Lost Odyssey" sofre com alguns momentos de lentidão, queda na taxa de quadros de animação e loadings, que são curtos, mas freqüentes. Contudo, como se trata de um jogo lento, e não de um jogo de tiro de ação rápida, essas questões não chegam a incomodar.

Já o que mais decepciona é o som. Não há grandes efeitos sonoros dignos de nota, que causam empolgação, e a trilha de Nobuo Uematsu nunca se destaca. Muitas vezes se parece demais com suas composições para "Final Fantasy", mas apresentadas de maneira tímida. Há realmente poucas oportunidades para que mostre sua força e pontue a ação.

Nota: 8 (Ótimo)