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Warhammer Online: Age of Reckoning

19/09/2008 16h23

"Warhammer Online: Age of Reckoning" é um RPG online persistente de primeira grandeza e, como tal, parece ter uma história semelhante a de outros congêneres, cercados por atrasos seguidos e um longo período de testes. A diferença é que o jogo chega com forte expectativa, baseado em um tradicionalíssimo universo de fantasia e distribuído pela gigante Electronic Arts - com suporte e cobrança de mensalidade feitos no Brasil também.

Universo familiar

A primeira impressão que se tem ao entrar no mundo de "Warhammer Online" é de que há algo estranhamente familiar por ali, em especial se você já jogou "World of Warcraft". Não só pela interface ou alguns dos vários elementos da mecânica, mas também pela própria ambientação do universo, assim como o conflito de facções, e a guerra entre elfos, humanos e orcs, por exemplo.

Crie poções e itens raros
Não que um seja cópia do outro, há apenas uma evolução de conceitos e temas. "Warhammer" é um tradicional cenário de fantasia criado na década de oitenta pela inglesa Games Workshop, servindo como base para vários jogos de tabuleiro, RPGs de mesa, livros e jogos de videogame até hoje. A própria Blizzard nunca escondeu a admiração pelo mundo de "Warhammer" em seus jogos e se inspirou em vários aspectos para desenvolver seu próprio universo. Já no espectro dos RPGs online a coisa se repetiu, e houve muita troca de elementos entre "Dark Age of Camelot", primeiro grande sucesso da Mythic, aplicados em "World of Warcraft", assim como vários pontos que foram reproduzidos do jogo da Blizzard para este novo "Warhammer Online".

A base para tudo reside no conflito constante entre dois grandes exércitos, Order e Destruction, cada qual com facções distintas. A Order possui os Dwarfs, os High Elves e o Empire (humanos), enquanto o Destruction conta com os Dark Elves, os Greenskins (Orcs e Goblins) e Chaos (humanos). Ao escolher uma delas, você segue para a seleção do que o jogo chama de carreira, o mesmo que outros títulos consideram as classes, como tanks, que tomam danos pelo grupo, os healers, que recuperam a energia do grupo e os DPS, que são especializados em gerar danos à distância ou à queima-roupa.

Há algumas figuras bastante interessantes à disposição, bastante características do universo de "Warhammer", como o Dwarf Engineer, que pode, por exemplo, criar armas e itens especiais para dar bônus em combate ou recuperar energia do seu grupo; o Witch Hunter, que mistura ataques à distância com pistola e a golpes com espada de perto; e o sinistro Disciple of Khaine, que recorre a ataques furtivos mortais.

Guerra total

Se você já jogou "World of Warcraft", "Lord of the Rings Online" ou algum outro grande RPG online tradicional, se sentirá em casa com "Warhammer Online". O jogo possui todos os recursos de qualquer outro produto de ponta do gênero, como centenas de armas e equipamentos vistos em tempo real no seu personagem, caixas de correio, leilões, profissões e muito mais. Há alguns recursos bem particulares também, como por exemplo, os de tingir determinados elementos de sua armadura com o tom que desejar.

Bate-papo com os produtores
Mas o que realmente destaca o game da concorrência é seu sistema de missões, as famosas quests. No início muitas funcionam como de praxe, falando com personagens controlados por computador, que dão objetivos simples, como matar um determinado número de inimigos e voltar para recuperar a recompensa. Só que logo você passa a encontrar quests coletivas, dadas em áreas abertas do cenário - assim, você e outros jogadores por perto podem se juntar para completá-las e ganhar experiência, além de ganhar pontos para o seu lado no conflito na luta pela dominação do cenário.

Dominação do cenário? Isto mesmo. O grande foco de "Warhammer Online" é na guerra constante. Mesmo que você faça o estilo lobo solitário e evite lutar contra outros jogadores do exército rival, você estará trabalhando indiretamente para que seu lado vença o adversário na supremacia pelo território. Na sua interface é um medidor que indica que lado está vencendo. Você pode ajudar seu exército a ganhar completando determinadas quests, entrando em combates contra outros jogadores em cenários pré-definidos com objetivos específicos ou em áreas próprias para isto.

O objetivo é angariar pontos suficientes para atacar as cidades inimigas, em uma etapa denominada de Campaign. Ali, depois de uma grande batalha, em que inclusive soldados controlados pelo computador entram na briga e há direito a catapultas e aríates, é possível controlar os locais e pilhar os adversários. Depois, é só começar tudo novamente.

É interessante notar que todas as atividades de seu personagem, desde as quests que completa até os monstros que enfrenta, são registrados em um livro dentro do jogo, chamado Tome of Knowledge. Ali também há um sistema de títulos, como em "Lord of the Rings Online", em que seu herói pode receber um nome personalizado, que funciona também mais ou menos como conquistas, que serão implementadas na expansão de "World of Warcraft", "Wrath of the Lich King".

Do beta para o final

A cidade do inevitável
Os testes para esta análise começaram ainda na fase beta do jogo, quando muitos erros puderam ser encontrados. A Mythic fez um bom trabalho em tornar o cliente mais estável e veloz durante estes trabalhos e, nas últimas semanas, a experiência pareceu bem mais tranqüila. Ainda que não seja um jogo que podemos chamar de leve, também não chega a ser proibitivo, mesmo não sendo visualmente tão bonito quanto um "Age of Conan", outro grande título do gênero lançado este ano.

A maior preocupação da empresa durante esta fase, na realidade, parece ter sido a de criar uma boa quantidade de conteúdo, tanto no início do jogo até momentos intermediários, ao menos. Isto é notado principalmente nos combates entre facções, o tal sistema Realm Vs. Realm, que sofreu grandes alterações ao longo do processo. É muito dinâmico e divertido, o grande trunfo do título, sem dúvida, e deve agradar o público brasileiro, que parece ser sempre inclinado para este lado mais competitivo.

A documentação incluída também é digna de nota, uma vez que iniciantes poderão ficar perdidos no começo, já que as missões iniciais podem parecer um pouco confusas, com muitos personagens e elementos. Apesar de curta e grossa, sem dar maiores detalhes sobre o histórico do universo de "Warhammer", explica com bastante exatidão todos os principais comandos e regras do jogo. É algo fundamental quando pensamos em um jogo em inglês, em servidores nos EUA, lançado no Brasil.

Nota: 9 (Excelente)