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Wii Music

07/11/2008 13h38

"Wii Music" foi o primeiro jogo mostrado para Wii. Na época, na E3 2006, ele nem tinha esse nome e resumia-se a demonstrações de como ser maestro e tocar bateria com o Wii Remote, o controle do videogame. "Rock Band" ainda não existia, mas "Guitar Hero" já tinha seus adeptos. Talvez fosse cedo para imaginar que os jogos musicais passariam os esportivos em vendas, mas desde de começo a Nintendo tinha a convicção de que música se enquadra perfeitamente no conceito de seu videogame pensado para a família.

Nintendo demonstra "Wii Music"
Seja "Rock Band" ou "Guitar Hero", astros da sala de estar sabem muito bem que encerrar uma música com cinco estrelas no "expert" não é para qualquer um. Para quem não é familiarizado, até o modo fácil, pode se tornar um pesadelo. E se "Rock Band" e "Guitar Hero" não são para todos, faz todo sentido a Nintendo pensar em um jogo musical dentro de sua filosofia atual: a de trazer para os games quem nunca teve interesse. "Wii Music" acerta neste conceito, mas mostra que a lógica nem sempre resulta em diversão.

Banda completa?

"Wii Music" vai além da guitarra e bateria, mas deixa de lado o microfone. O jogo oferece mais de 60 instrumentos - como contrabaixo, trompete, maracas e xilofone -, além de uma opção de ser maestro como parte de alguns minigames. Os controles são simples: para tocar um trompete, basta pressionar os botões A ou B, no ritmo da melodia. Dependendo da inclinação do Wii Remote, varia a intensidade do sopro. Já na guitarra, que pede a extensão nunchuk, o controle deve ser chacoalhado como se estivesse usando uma palheta.

Violino sem cordas
O uso dos botões e alavancas também pode influenciar nos arranjos. As vezes é preciso combinar a gestos das mãos botões e até o direcional e a alavanca analógica para acionar as diferentes partes do instrumento. Na bateria, o Z ou o B pressionados, por exemplo, cuidam dos tons, enquanto o C ou o A acionam o chimbal. Mas não se assuste. Mesmo que a variedade de instrumentos seja grande, os comandos variam em torno de quatro mecânicas e em "Wii Music" não tem nota errada.

Junte quatro amigos ou parentes para participar da sessão musical, que é composta por seis instrumentistas. Aqueles que não são assumidos pelos usuários são controlados automaticamente pelo computador. Quatro pequenos bonequinhos chamados Be-Bops dão o ritmo da música, mas é permitido ignorá-los e adicionar quantas notas extras desejar. Bem interessante no começo, a sensação de estar dando uma interpretação pessoal à melodia com o tempo transforma-se numa sessão randômica de barulhos, que podem incluir, por exemplo, o chip do som do NES. Para quem não conheceu o videogame pioneiro, basta resumir que precisa ser muito fã da Nintendo para achar o som atraente.

Clássicos e Madonna

O acervo com perto de 50 faixas passa pelo rock, pop, clássicos e até canções de ninar. Tem de tudo na seleção musical de "Wii Music" e talvez seja este o maior problema do jogo. De tão eclética, fica difícil desenvolver simpatia pela trilha que, como os demais títulos do gênero, precisa ser destravada primeiro. Ou seja, antes de agitar com "Material Girl", da Madonna, sua banda de garagem terá de arrasar nos infantis "Twinkle, Twinkle, Little Star" e "Yankee Doodle".

"Twinkle, Twinkle, Little Star"
Há também temas clássicos da Nintendo, como "Legend of Zelda" e "Super Mario Bros.", que ao menos empolgam mil vezes mais que os barulhos do NES. Uma vez que todas as músicas estiverem liberadas, sua banda poderá tocar a nona sinfonia de Beethoven, La Bamba e "Woman", de John Lennon, literalmente na seqüência. Infelizmente, mesmo as faixas mais moderninhas ou divertidas, como "Wake Me Up Before You Go-Go" e "Every Breath You Take", têm arranjos bizarros que não fazem justiça aos dos originais.

Novas músicas? Bom, o Wii tem uma rede online e loja virtual, mas ter esse recurso como uma fonte extra e regular de renda, como acontece em "Rock Band" ou "Guitar Hero", não está nos planos da Nintendo. Goste ou não da seleção feita para o jogo, é que o "Wii Music" tem a oferecer. Por falar em recursos online, os jogadores podem gravar sua performance, criar uma capinha do seu disco (com um número limitado de opções) e enviar sua música para amigos através do wi-fi connection.

Melhor nos extras

"Wii Music" também oferece alguns minigames que, para alguns, podem divertir mais que o prato principal. Em "Mii Maestro", jogadores têm a chance de conduzir uma orquestra. É bem fácil, basta movimentar o controle como se fosse uma baqueta e, diferente do "jam session", há uma pontuação para saber se você tem ou não futuro na profissão.

Criador de Mario e Zelda é maestro
Já o minigame "Handbell Harmony" talvez seja o que mais lembre a mecânica dos demais jogos musicais. As notas vão correndo da direita para a esquerda e o jogador deve acioná-la no momento exato em que ela passar por uma barra. A diferença entre "Guitar Hero" ou "Rock Band" é que o jogador faz isso balançando o Wii Remote e/ou a extensão nunchuk, como se estivesse sacudindo sinos.

O último passatempo, o "Pitch Perfect", é uma coletânea de testes para saber se você tem bom ouvido para música. Começa bem simples, com o jogador tendo de indicar dois de três instrumentos que tocam a mesma nota, mas em poucas perguntas ele terá de ordenar uma banda inteira para que a música toque corretamente. Torna-se bem interessante para aprender conceitos básicos da música.

Longe da genialidade característica da Nintendo, ao menos os três passatempos dão um mínimo de variedade a "Wii Music", que apesar de charmoso e divertido em alguns momentos, peca pela falta de conteúdo.

Nota: 6 (Razoável)