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Rock Band 2

28/11/2008 18h44

Até 2007, "Guitar Hero" brilhava sozinho nos palcos dos games musicais, mas, a mesma Harmonix que criou os primeiros games da série, agora, comprado pela MTV Games, revolucionou novamente o gênero com "Rock Band", que expandiu os horizontes. Assim, não somente os aspirantes a guitarristas virtuais tinham vez, mas também os cantores e bateristas de sofá. Criou-se, com isso, um verdadeiro "simulador de banda".

Agora, apenas dez meses depois do primeiro "Rock Band", entra em cena a continuação. Mas a revolução do antecessor foi substituído pela evolução em "Rock Band 2". Ou seja, a estrutura da "continuação" é praticamente a mesma do primeiro jogo, mas reformando aspectos que ficaram a desejar no primeiro game (quantas vezes você não se irritou com a obrigatoriedade de a banda ter um líder fixo?)

'Shooting Star'
Para quem nunca ouviu falar de "Guitar Hero" e "Rock Band" aí vai uma leve explicação. O intuito desses games é fazer o jogador sentir o prazer de tocar um instrumento musical e ser uma estrela de rock. O repertório incluso nos games geralmente é grande, e muitas vezes recheados de canções conhecidas do grande público. O jogador não precisa saber teoria musical ou ter prática com algum instrumento: o jogo indica quais botões da guitarra ou da bateria e em que momento devem ser ativados. Naturalmente, essa guia segue o ritmo da música, e o resultado é que os jogadores imitam, com maior ou menor grau de abreviação dependendo do nível de dificuldade escolhido, os movimentos que fariam no instrumento de verdade.

"Setlist"

O repertório de canções é um dos quesitos mais importantes nos games musicais. Nesse aspecto, "Rock Band 2" está bem servido, contando com 84 canções dentro do disco (e há mais 20 músicas de graça para baixar pela internet, enviando o código do produto para o site oficial do game). O gosto musical é pessoal, mas com tantas opções, são maiores as chances de encontrar canções que agradem. A lista é eclética, indo do rock progressivo do The Who, da década de 1960, até o novíssimo "Shackler's Revenge", canção inédita do Guns n' Roses. São 40 anos de história do rock, passando por estilos como o heavy metal, alternativo, grunge, "indie" e pop-rock.

'We Got the Beat'
Mas a lista não fica restrita a essa seleção inicial. Para começar, por US$ 5, pode-se importar 55 das 58 canções do disco do primeiro "Rock Band", que também tem um repertório excelente. Ainda, há cerca de 300 músicas lançadas como download extra, inclusive de álbuns inteiros - casos de "Moving Pictures" do Rush ou de "The Colour and the Shape" do Foo Fighters - ao preço de US$ 2 cada faixa, em média. O que é digno de nota é que as músicas, sejam nativas, vindas de "Rock Band" ou baixadas da internet, se integram harmoniosamente em todas as modalidades do game, e, quanto mais canções tiver, mais rico fica o título.

Novatos e virtuoses

Mais uma vez, a modalidade principal é a de turnê. A banda montada pelo jogador, que pode ter de um a quatro integrantes, começa pequena, tocando em "porões" nas redondezas. Mas, à medida que ganha fãs e dinheiro, além dos "acessórios" que fazem parte de uma banda de rock - vans, roadies, empresários, aviões etc. -, o grupo vai conquistando novos territórios. Desta vez, o jogador não é obrigado a escolher níveis de dificuldades mais altos para ganhar fãs, pois, agora, todos os shows realizados com sucesso acrescentam popularidade, mesmo que numa proporção menor que no começo da carreira.

Outra amarra que caiu foi a obrigatoriedade de ter um líder fixo para cada banda. Além disso, o personagem criado pelo jogador pode assumir qualquer instrumento e não é necessário ter um perfil de jogador para integrar uma banda (aliás, no Xbox 360, é melhor não ativar ao mesmo tempo perfis online e offline, sob o risco de perder o progresso feito). Essas medidas fazem com que seja muito mais rápido e fácil sair jogando, o que é excelente numa partida casual. Aliás, para quem só quer se divertir em reuniões com amigos, há uma opção chamada No Fail, que, mesmo não acertando uma única nota, a música segue até o fim. No modo de turnê online, o game permite que o jogador possa entrar em bandas disponíveis na rede, ou que outros possam integrar (e sair de) seu grupo a hora que desejarem. No entanto, a carreira não progride para os "convidados" (ganha-se apenas dinheiro).

'One Step Closer'
Para quem quer desafio, "Rock Band 2" também tem muito para oferecer. O título traz mais canções de dificuldade elevada; nas partes finais do modo de turnê, o jogador se depara com várias músicas de alta complexidade, principalmente do gênero heavy metal. Achava "Run to the Hills" impossível? Espere para ver "Painkiller". "Rock Band 2" também conta com Tour Challenge, que são desafios com dificuldade progressiva, seja para a banda ou para instrumentos específicos. A variedade de "missões" depende do repertório, ou seja, se você tiver pelo menos três músicas de um artista, um desafio temático será proposto.

Mas a cereja do bolo é mesmo o Battle of the Bands, um modo online que traz desafios que ficam disponíveis durante um período, e as opções são renovadas regularmente. As regras variam: às vezes, a missão é tentar conseguir o maior número de pontos, mas, em outras ocasiões, a competição pode ser de tocar as notas com sucesso tanto quanto conseguir. Para quem busca modos multiplayer mais tradicionais, ainda tem o Tug of War, em que duas bandas competem lado a lado.

Palhetas e baquetas

'Nine In The Afternoon'
Desta vez, o baterista ganhou mais atenção da Harmonix: agora, existe um modo de treino somente para o instrumento. No modo Beat Trainer, há 76 ritmos para praticar em várias velocidades. Também tem o Fill Trainer, em que se aprende as "viradas", especialmente úteis para fazer bonito nas seções livres das canções (aquela em que se tem a oportunidade de usar o "overdrive"). Por fim, há o Freestyle Mode, para tocar a bateria livremente. O modo de treinamento também inclui um tutorial para guitarra e uma opção para praticar as canções.

Os controles em forma de guitarra e bateria mudaram muito pouco em relação ao antecessor. A imitação de Fender Stratocaster que vem em "Rock Band 2" é sem fio, e traz um dispositivo que calibra automaticamente o jogo. Basta escolher a opção Calibrate e colocar o controle, primeiro, perto do alto falante e, depois, em frente à tela. A bateria também eliminou o fio, e os tambores agora tem sensores de pressão - dependendo da intensidade da batida, o volume produzido varia em três níveis -, mas não são muito mais silenciosos que antes. O pedal foi reforçado com partes metálicas, o que deixa aliviado quem tem um estilo mais agressivo de tocar. No fim das contas, se você já tem os instrumentos do primeiro "Rock Band" ou de "Guitar Hero World Tour", há poucas razões para comprar o pacote completo de "Rock Band 2", pois todos esses equipamentos são compatíveis com o jogo.

Nota: 9 (Excelente)