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Cursed Mountain

04/09/2009 13h09

Monstros se escondem na montanha
Apesar de ser vendido como um console voltado para toda a família, o Wii vem aos poucos ganhando títulos para um público mais maduro.

"Cursed Mountain" se encaixa nessa descrição e surpreende pela qualidade, já que se trata de um produto desenvolvido por equipes praticamente desconhecidas. Fãs de games como "Resident Evil" com certeza acharão o título interessante.

Terror no gelo

"Cursed Mountain" revela o martírio de Eric Simmons, experiente alpinista que viaja até o Himalaia em busca do irmão Frank, que desapareceu em uma das montanhas do lugar em busca de um artefato mítico. Ao contrário de jogos como "Resident Evil" ou "Silent Hill", o passo aqui é bem mais lento, sem litros de sangue jorrando pelos ares ou hordas de zumbis esfomeados. O terror aqui é bem mais sutil, intensificado pelo excelente uso de efeitos sonoros discretos e uma apresentação eficaz, que não só conta com gráficos robustos para os padrões do Wii, mas que constroem a narrativa aos poucos e liberam informações no momento certo. Há alguns problemas técnicos aqui e ali, como errinhos de colisão e alguns cenários escuros demais, mas em geral não são grandes as distrações.

Pesadelos intermináveis...
Novamente, a construção é fundamental para o sucesso do jogo. Apesar de uma clara divisão de eventos, os cenários se mesclam de maneira inteligente e nunca quebram a sensação de envolvimento; a de realmente estar preso em uma montanha gelada e assombrada. Eric também não é um sujeito estilo Rambo, e a única vantagem que tem é contar com uma picareta com poderes mágicos. É, a descrição de tal arma pode parecer boba, mas até ela combina bem com o clima da aventura - que entre outros detalhes, faz questão de ambientar a trama na década de 80, ou seja, sem o uso de celulares e outros equipamentos modernos para aumentar a sensação de isolamento e abandono.

É louvável a intenção dos desenvolvedores em tentar criar uma atmosfera distinta da concorrência, mas faltou coragem para ir além. A mecânica básica é fortemente limitada ao esquema da famosa série da Capcom com aquela exploração de cenários em busca de chaves e outros itens, coleta de arquivos de texto que ampliam a história e a resolução de puzzles. O personagem é menos travado do que pode parecer, mas há sempre a sensação de que as coisas poderiam ser mais ágeis, mesmo no contexto do enredo que o coloca em roupas pesadas em um clima opressor. O combate também funciona de maneira similar aos similares de gênero, com uso discreto do Wii Remote na mira de projéteis.

Nota: 8 (Ótimo)