Análises

Starcraft II: Wings of Liberty

30/07/2010 20h00

Depois de doze anos de espera, a Blizzard finalmente entregou a continuação oficial de "Starcraft" em um grande lançamento mundial, com direito a uma versão para o Brasil totalmente traduzida para o português. É o sonho que se torna realidade para os fãs da popular franquia de estratégia em tempo real e uma ótima introdução ao gênero para aqueles que nunca levaram muito jeito para a coisa.

O retorno de Jim Raynor
 

Antigos rivais se enfrentam

A história de "Starcraft II - Wings of Liberty", que se passa quatro anos depois da expansão "Brood War", se volta para a figura de Jim Raynor, herói terrano que foi considerado terrorista pelo novo governo chamado de A Supremacia, controlado por Arcturus Mengsk, que conseguiu o posto depois de trair seus próprios homens e utilizar os letais alienígenas zergs para derrubar o regime anterior. Neste mesmo evento Raynor perdeu sua amiga Sarah Kerrigan, que se transformou na temível Rainha das Lâminas dos zergs depois de ser abandonada no campo de batalha por Mengsk.

Agora reencontramos o calejado herói ao lado de um grupo de soldados na tentativa de formar uma resistência forte contra A Supremacia. Entre os aliados estão algumas figuras conhecidas de livros e quadrinhos inspirados na saga e outros inteiramente novos, como o condenado fortão Tychus Findlay, a cientista Ariell Hanson, o engenheiro Rory Swann, o capitão da nave Hipérion, Matt Horner, e o sinistro agente Gabriel Tosh.

Todos são essenciais não só para o desenvolvimento da narrativa, mas também para dar peso a uma mecânica que não surpreende ninguém que tenha jogado algum exemplar de estratégia em tempo real nos últimos quinze anos. O envolvimento do usuário com tais figuras é certamente o que torna a campanha tão magnética, especialmente quando algumas missões pedem que o usuário escolha quem ajudar - o que garante recompensas diferentes e pequenas repercussões posteriores.

Design sofisticado

O game funciona no clássico sistema baseado em montagem de base, gerenciamento de recursos e manutenção de unidades de combate. Unidades clássicas retornam, umas intactas e outras remodeladas, reforçadas por algumas variações e versões inéditas que são adicionadas de maneira gradual no enredo, geralmente de acordo com a ordem das missões executadas. A inteligência artificial dá uma boa ajuda no microgerenciamento, como médicos que curam soldados automaticamente ou VCEs que consertam construções e veículos de acordo com sua proximidade.
 

Terrans lutam entre si

O grande diferencial na mecânica de "Starcraft II - Wings of Liberty" está no brilhante design de fases, que explora ao máximo um esquema tão antigo e consolidado. As missões tem funcionamento singulares, como o cerco a linhas de trem, a corrida para extrair minérios antes que o solo seja inundado por lava e até mesmo um inesquecível assalto a um planeta presídio que coloca o usuário na pele de apenas uma unidade furtiva durante todo o mapa. Para os mais aventureiros e habilidosos, há também tarefas secundárias que geralmente garantem créditos ou recursos extras para pesquisa.

A dificuldade casual é bem tranquila para jogadores novatos e a todo momento os personagens aparecem na tela para explicar o que está acontecendo e dar dicas táticas. Jogadores afiados, no entanto, não devem ficar entediados graças ao grande numero de opções proporcionadas pelos mapas e seus recursos - mesmo depois do áudio de Raynor sugerir dois tipos de estratégias diferentes para uma fase, ainda foi possível completar com sucesso a tarefa utilizando um terceiro meio.

Entre os estágios é possível conversar com alguns personagens, comprar upgrades para unidades ou pesquisar nova tecnologia na Hipérion, nome da nave de Raynor. Sempre há alguma novidade a ser descoberta como um incrível minigame de tiro chamado "Viking Perdido" (em referência ao clássico da Blizzard, "The Lost Vikings") que fica em um fliperama no refeitório.

Extras que fazem a diferença

Muitas vezes o componente multiplayer de um jogo é tratado como um mero extra, mas a série "Starcraft" provou que isto na verdade é um elemento essencial, afinal, é isso que manteve sua fama e popularidade por tantos anos. E o game mantem sua velha forma e, para muitos veteranos, é mais ou menos como jogar o bom e velho "Brood War" com novos gráficos e recursos.
 

Velocidade é a arma dos Zergs

Ao contrário da campanha principal, o multiplayer permite o controle das três raças, os dinâmicos Terranos, os rápidos Zergs e os sofisticados Protoss. Os combates entre jogadores são geralmente mais frenéticos do que no modo para um jogador, com batalhas que privilegiam a agilidade e pensamento tático afiado, com alguns mapas que parecem ter sido influenciados por concorrentes cultuados como "Warhammer 40,000: Dawn of War" e até mesmo "Defense of the Ancients, uma popular modificação de outro sucesso da Blizzard, "Warcraft III".

A empresa parece ter tomado o cuidado de ensinar os novatos a jogar sem que caiam em desespero, com alguns bons tutoriais e missões extras contra com computador, além de uma liga inicial que permite até 50 partidas sejam jogadas sem penalizar a pontuação. O sistema de pareamento e ranking analisa as estatísticas das partidas para gerenciar os combates entre usuários através da Battle.net, rede proprietária que também gerencia amigos, mensagens e grupos. Há modalidades das mais diversas, como 2 contra 2, 3 contra 3 e até mapas cooperativos.

É importante ressaltar que, na versão brasileira, os jogadores só poderão enfrentar outros usuários da América Latina. Nos fóruns oficiais do game alguns veteranos reclamaram bastante da limitação, mas esta parece ser a forma encontrada pela Blizzard em tentar construir uma comunidade local mais forte, especialmente sem problemas de latência que podem atrapalhar o ritmo das partidas. Se foi acertada, isso só o tempo dirá.

Além do modo multiplayer, "Starcraft II - Wings of Liberty" também conta com um poderosíssimo editor de mapas. É possível fazer de tudo nele, até mesmo um esquema de jogo que em nada se pareça com o universo "Starcraft", mesmo que uma biblioteca com unidades, texturas e outros materiais tenha sido incluída. Conversão de mapas antigos e o compartilhamento através da Battle.net também fazem parte da brincadeira, com a facilidade de contar também com tradução em português.

Apresentação democrática

No aspecto técnico, "Starcraft II - Wings of Liberty" parece conseguir um equilíbrio raro entre a leveza de seu motor gráfico e visuais que pareçam de ponta. Não se trata de um novo "Crysis" no que diz respeito a efeitos mirabolantes, mas os visuais são extremamente detalhados, repletos de minúcias nas texturas e animações, com direção de arte rica, em que nenhum planeta ou cenário pareça igual ao outro. É também bastante democrático pois não precisa de um PC caríssimo para ativar toda sua qualidade e funciona bem em configurações mais modestas.
 

Veja como foi o lançamento no Brasil

A localização para o português teve grande produção, com o cuidado de traduzir até mesmo símbolos, sinais e outros gráficos dentro do game assim como também sincronizar os lábios dos personagens de acordo com o diálogo. Chega até ser estranho experimentar algo assim e é necessário certo tempo para se acostumar.

Claro que a tradução de alguns termos não parecem ideais, o que pode indicar a pouca familiaridade dos intérpretes com a história do game, mas ainda assim é um trabalho competente, especialmente quando olhamos para outros (raros) trabalhos transpostos para o português, como a franquia "Halo" da Microsoft.

O estranhamento de jogar na língua oficial do país certamente amplifica muito qualquer deslize cometido, o que ocorre também em outras línguas e em diversos outros títulos. O choque poderia ser amenizado se o pacote trouxesse incluído o áudio original e legendas, de forma opcional, mas isto não acontece.

Nota: 10 (Imperdível)

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