Jogos

Análises

Max Payne 3

Rodrigo Guerra

Do UOL, em São Paulo

21/05/2012 18h18

A Rockstar conseguiu fazer um jogo cinematográfico com doses cavalares de ação. Sim, soa tão clichê quanto novelas que têm uma cena de casamento no final, mas é a pura verdade. Existe um ótimo equilíbrio entre cenas animadas dramáticas e a parte de ação, feita para o jogador se esbaldar.

A cidade de São Paulo pode não ser tão realista quanto os jogadores queriam, mas funciona para contar a história do jogo e é um lugar que você vai adorar conhecer. Até mesmo quem nunca jogou um game da série vai se interessar pela história desse segurança particular alcoólatra e viciado em remédios.

Ainda assim, não deixa de ser um jogo e, como tal, diverte tanto por suas mecânicas trabalhadas e refinadas. Disparar com um fuzil em “Max Payne 3” não é só divertido, mas é emocionante e revigorante – e o mesmo pode ser dito sobre o multiplayer.

Introdução

O ex-policial viciado em remédios e bom de gatilho de Nova Jersey voltou como se estivesse em um coma alcoólico que durou nove anos. Ele deixou os ‘States’ para vir ao Brasil, mais precisamente São Paulo, a terra da garoa, em uma trama que envolve drogas, sequestro, bebidas e muita grana.

“Max Payne 3” traz de volta o tiroteio frenético com direito a câmera lenta a lá “Matrix”, apresenta um modo Arcade e completa o pacote com um excepcional multiplayer online que incorpora elementos da campanha solo.

Pontos Positivos

História emocionante

“Max Payne 3” traz de volta o ex-policial Max Payne, um cara que teve uma vida difícil e acabou se entregando às bebidas e aos antidepressivos. Ele acaba sendo contratado como segurança particular de uma família de ricaços da capital paulistana e se envolve com corrupção, tráfico e outros crimes comuns do país do futebol.

Ao lado do amigo e companheiro Raul Passos, Max descobre que no Brasil existem discrepâncias que nós, moradores e cidadãos, estamos acostumados a ver em nosso dia-a-dia. Exemplos não faltam, como ricos morando ao lado de uma favela, o futebol que é adorado como uma religião e policiais corruptos que sempre arrumam uma forma de “ganhar um por fora”.

A Rockstar conseguiu capturar e transportar o clima de filme noir para um jogo. As cenas de corte são fortes e incisivas, sempre narradas por Max e seu jeito debochado de quem que não liga pra nada do que acontece ao seu redor.

Os diálogos, brilhantemente legendados em português do Brasil, são adultos e carregados de palavrões e impropérios absurdos. Max ouve os nativos e não entende o que eles dizem. Ele retruca e o bandido não entende. Na verdade a língua comum no jogo é o disparo de um revólver calibre .38 ou de um rifle AK 47 – idioma de fluência mundial nos jogos de tiro.

São 14 capítulos que, entre idas e vindas, mostram como Max chegou a São Paulo e os motivos pelos os quais ele acabou saindo dos EUA, se envolvendo com a rica família Branco e o submundo do centro financeiro do Brasil. Isso tudo sem largar seu estilo de vida destrutivo, depressivo e melancólico.

É São Paulo (e não é)

Antes de qualquer coisa, a cidade de São Paulo não foi fielmente retratada. É mais uma visão poética da Rockstar para contar a história do jogo. Mesmo não sendo verossímil, é possível ver locais que remetem aos da capital, como o Terminal Parque Dom Pedro II, no centro; os prédios de alta classe do bairro do Morumbi, logo ao lado da favela do Paraisópolis e o estádio do time fictício “Galatians” (referência clara ao Corinthians).

Algumas outras licenças podem parecer uma viagem de quem usou os psicotrópicos de Max, mas são compreensíveis e até superadas devido à grande trama que faz o jogador aprofundar-se cada vez mais. O resultado final é bacana e até quem mora na cidade vai acreditar que existe uma favela chamada Nova Esperança – e manter distância de lá, é claro.

Difícil, mas não impossível

‘Sentar o dedo’ no gatilho em “Max Payne 3” é poesia em movimento  - e com direito a muito bullet time (um efeito especial que deixa tudo em câmera lenta). Muitos vão estranhar de usar o botão círculo no PlayStation 3 (ou B no Xbox 360) para recarregar e quadrado (X no console da Microsoft) para usar a proteção. Mas depois de alguns minutos você estará pulando e atirando como em um filme de Quentin Tarantino.

Sabemos que existem padrões em jogos de tiro, como correr para uma proteção e atirar nos inimigos. A diferença é que “Max Payne 3” é um jogo à moda antiga e Max não tem fator de cura: ele ainda usa uma barra de energia para mostrar ao jogador que ele está próximo à morte.

Essa dificuldade não chega ser frustrante. Na verdade, se você morrer três vezes em seguida no mesmo checkpoint, o jogo vai ajudar dando remédios e munição para suas armas. Assim, por mais dificil que seja, você conseguirá passar de qualquer fase.

Câmera lenta

O uso da câmera lenta já não é novidade no mundo dos games, mas a Rockstar conseguiu polir a mecânica para que o jogador não fique enjoado de saltar e atirar inúmeras vezes do início ao fim do jogo.

Mesmo assim, existem cenas pré-determinadas nas quais Max se mostra ser o homem de meia-idade mais em forma que existe. Ele usa cabos, telhados e qualquer outro ambiente para deslizar em direção ao inimigo com o bullet time ativado, dando uma maior carga dramática à cena.

Excelente multiplayer

Uma coisa que muitos nem sequer imaginavam é que o modo multiplayer de “Max Payne 3” fosse algo para se dar atenção. Ledo engano, pois esta é a modalidade que vai manter o jogo em seu console por muitos e muitos meses. Além dos tradicionais death matches de time e solo, o game tem dois modos que são sensacionais: Payne Killer e Guerra de Gangues.

Em Payne Killer, dois jogadores são designados a serem Max Payne e Raul Passos, o objetivo dos outros jogadores é dar cabo deles. Quem joga com os personagens especiais tem mais bala, resistência e remédios para se curar dos ferimentos. Já os assassinos ganham mais pontos por dar o último disparo nos heróis e ainda têm a honra de tomar seu lugar contra os outros jogadores.

O Guerra de Gangues funciona como um pot-pourri que mistura defender a base, roubar a mala (como capturar a bandeira), plantar a bomba, defender o VIP e outras variações de modos de jogo que contam pontos até chegar ao ápice em um final que define o vencedor em um mata-mata entre times.

Até aí tudo bem, mas o que ninguém esperava é que este modo tem uma história própria que é contada por Max, agentes da polícia ou mesmo por repórteres.

Além disso, todos os modos multiplayer contam com habilidades especiais que podem ser usadas para ajudar a equipe virar a mesa, como aumentar a resistência a disparos, os danos causados pelas armas e até mesmo aumentar a duração do bullet time

Por falar nisso, o bullet time, que deixa tudo em câmera lenta afeta somente quem está diretamente sob a sua mira, dificultando a reação de quem será alvejado. Quem está fora do campo de ação fica com a movimentação mais lenta, mas a velocidade de mira não é alterada e isso pode – e será – usado contra quem gosta de disparar como se fosse um herói de cinema.

Pontos Negativos

Sistema de cobertura

Mesmo tendo controles excelentes, “Max Payne 3” conta com um péssimo sistema de cobertura. Nele, Max fica colado no canto e para sair de uma proteção para ir a outra é necessário sair da proteção, andar até a próxima cobertura e apertar o botão de proteção novamente.

Ou seja, a cobertura não é tão inteligente quanto em jogos como “Gears of War” ou “Uncharted”, nos quais basta apontar para a próxima proteção e apertar um botão.

Essa mecânica incomoda e atrapalha, chegando a influenciar na quantidade de mortes que você terá tanto no modo solo quanto no multiplayer.

Nota: 9 (Excelente)

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL

do UOL

"Full Throttle Remastered" é passeio nostálgico na estrada dos adventures

Considerado um dos maiores clássicos dos adventures "point and click", "Full Throttle" é uma verdadeira aula do gênero: você é Ben, líder da gangue de motociclistas   No jogo, Ben e sua gangue acabam envolvidos numa trama de disputas corporativas e assassinato, quando o executivo Adrian Ripburger decide tomar o controle da Corley Motors, última fabricante de motocicletas do mundo... para trasnformar a empresa numa montadora de minivans!   Ao longo de "Full Throttle", Ben precisa limpar seu nome, salvar os Polecats e a mecânica Maureen, além da Corley Motors, em uma aventura "on the road" pontuada por quebra-cabeças, combates na estrada e frases marcantes, bem conhecidas dos jogadores veteranos, como a piada "Não vou colocar minha boca nisso!", usada sempre que o jogador sugere que o personagem interaja com algum objeto usando a boca ao invés de usar as mãos ou chutar.   O game usa o motor SCUM, o mesmo de outros games da produtora, como "Day of the Tentacle", mas aposta também em passagens 3D onde Ben luta contra membros de uma gangue rival, trocando golpes ao estilo "Road Rash".   Remasterização primorosa   $escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-foto','/2017/full-throttle-nota-1494353624354.vm') Essa é a aventura que a Double Fine revive em "Full Throttle Remastered", para PC, PlayStation 4 e PS Vita. O jogo teve os gráficos retrabalhados a partir da arte original e todas as falas foram regravadas - inclusive a ótima interpretação do ator Mark Hamill (o Luke Skywalker de "Star Wars") para o vilão Ripburger, que está mais "Donald Trump" do que nunca.   O passeio pela auto-estrada da nostalgia traz opções que vão agradar aos fãs das antigas, como a opção de alternar entre os gráficos atuais e o quadriculado original ao toque de um botão e os comentários dos produtores revelando detalhes do design original e da remasterização.   O jogo é rápido, uma vez que você sabe o que fazer em cada situação, e pode ser terminado em cerca de 2 horas - jogando com atenção, você ainda coleta todos os troféus do game nesse período, ou seja, não há muitos motivos para jogar uma segunda vez.   "Full Throttle Remastered" segue o padrão de qualidade das adaptações dos jogos da LucasArts para plataformas mais recentes, iniciada nos dois "Monkey Island" e aprimorada em "Grim Fandango" e "Day of the Tentacle", mostrando que bons adventures podem ir além da fórmula de diálogos e escolhaas da Telltale (de "The Walking Dead") ao mesmo tempo em que aponta como se faz uma boa remasterização.

Topo