Análises

Saint Seiya Sanctuary Battle

Claudio Prandoni

do UOL, em São Paulo

"Os Cavaleiros do Zodíaco: Batalha do Santuário" é um jogo de ação pouco acima da linha mediocridade. Contudo, o carinho com a marca e os fãs - em especial os brasileiros - tornam o game item indispensável na coleção de qualquer apaixonado pelas aventuras de Seiya e companhia.

Apesar dos combates extremamente repetitivos e o sistema de luta limitado, o conteúdo agrada ao oferecer diversos personagens para controlar, modo cooperativo, evolução de guerreiros e uma generosa galeria de extras.

Introdução

Sem muito alarde, a Namco Bandai anunciou em meados de 2011 a produção de um novo jogo da série "Cavaleiros do Zodíaco". Exclusivo do PlayStation 3, o título sairia, a princípio, somente no Japão.

O tempo passou e a Europa se interessou por localizar e lançar o game também, mas a surpresa veio no início de 2012, quando foi anunciada também uma edição brasileira, incluindo legendas em português - feitas com auxílio dos fãs na tradução.

Localização à parte, o jogo lembra episódios da série "Dynasty Warriors" e similares, com um guerreiro enfrentando hordas e hordas de inimigos e apenas um punhado de golpes diferentes.

Seguindo a história da Saga do Santuário - uma das mais populares da série -, o jogo conta ainda com embates contra chefes, missões especiais e a possibilidade de evoluir golpes e atributos com pontos de experiência.

Pontos Positivos

Respeito à série

O grande trunfo de "Batalha do Santuário" é deixar claro que é um jogo destinado aos fãs - e fazer isso de forma muito competente! Desde a abertura clássica do desenho recriada em 3D, passando por nomes de golpes, a possibilidade de controlar todos os cavaleiros de ouro e até encontrar outros personagens do anime e mangá, o game de PS3 faz bonito.

O serviço fica completo com o modo cooperativo para até duas pessoas e uma robusta galeria de arte, com fotos de brinquedos, modelos tridimensionais e outras atrações. Melhor que isso, só se a série animada completa viesse no disco.

Localização

"Batalha do Santuário" é uma conquista e tanto para o mercado brasileiro de games. Trata-se de um jogo que não sairia nos EUA, mas foi visto pela Namco Bandai como um produto de potencial para o Brasil e foi especificamente adapatado para cá.

O convite da produtora para que fãs ajudassem na tradução, conferindo nomes de golpes, personagens e mais também foi um ponto marcante do trabalho. O serviço só não ficou perfeito pois falhou em colocar também a icônica dublagem do desenho animado.

Escolhas de palavras inusitadas e ao menos um erro grotesco no manual de instruções também tiram parte do brilho, mas não desmerecem o trabalho.

Simples de jogar

"Cavaleiros do Zodíaco" até dispõe de alguns comandos mais avançados para deixar tudo em câmera lenta, turbinar golpes e atributos, mas em linhas gerais é um game fácil de curtir. Basta sair andando e apertando os botões de ataque para soltar socos, chutes e rajadas de energia.

Mesmo quem é fã da série, mas não tem muita habilidade com jogos de ação vai conseguir se divertir e acompanhar a história.

Pontos Negativos

Repetitivo

"Batalha do Santuário" joga seguro e opta por uma fórmula batida há anos: pancadaria frenética. Seiya e amigos avançam distribuindo sopapos em dezenas de inimigos idênticos, fase após fase. A variedade de golpes é pequena, mas isso não é problema, já que esmagar um dos dois botões principais de ataque (um rápido e outro mais forte) geralmente resolve a maioria das lutas.

Os embates contra chefões exigem o uso de técnicas mais complexas, mas basta repetir o mesmo esquema em todos para vencer com certa tranquilidade.

Combates limitados

Os duelos de "Batalha do Santuário" carecem de mais capricho, em especial nas lutas um-contra-um, geralmente contra os Cavaleiros de Ouro. Por vezes, fca a impressão de que sua defesa não é o bastante para conter os golpes do inimigo, ou que seu Cavaleiro não é tão rápido quanto o jogo exige.

Em outros momentos, o game inventa uma nova situação na batalha, quase um minigame, mas não explica exatamente o que se deve fazer - um bom exemplo é na luta contra o Cavaleiro de Gêmeos, quando ele usa o golpe Outra Dimensão e é necessário desviar dos projéteis e acertar o inimigo para tudo voltar ao normal.

O sistema de pontos de experiência empolga ao permitir personalizar golpes e atributos dos Cavaleiros, mas também falha. Investir muitos pontos em um único golpe resulta em falta de equilíbrio. Em lutas mais avançadas, um golpe evoluído ao máximo pode acabar o duelo em poucos instantes.

Gráficos pobres

Tudo bem que "Cavaleiros do Zodíaco" não era dos animes mais bonitos de sua época, mas isso não justifica o trabalho feito em "Batalha do Santuário". Dezenas de inimigos replicados, brilhos exagerados nas armaduras e movimentos robóticos atestam um trabalho feito de forma burocrática.

Vale notar, os gráficos não são feios e nem comprometem a experiência, mas para um jogo lançado no final de 2011 - aos cinco anos de vida do PS3 - o resultado ficou devendo mais.

Nota: 7 (Bom)

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