Análises

Game of Thrones

Pablo Raphael

do UOL, em São Paulo

17/07/2012 08h06

A saga "Crônicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin, é o "Senhor dos Anéis" desta geração. Sucesso tanto nos livros quanto em sua excelente adaptação para televisão, a saga possui todas as características para um grande jogo: um mundo fantástico, magia, criaturas sobrenaturais, heróis e vilões fascinantes. 

Infelizmente, "Game of Thrones", o RPG publicado pela Atlus, não faz jus ao material original. No jogo, você visita locações famosas como Porto Real e a Muralha, explora uma trama secundária que poderia enriquecer o universo criado por Martin, mas na prática, é um game pobre e problemático, difícil de recomendar até mesmo para o fã mais ardoroso.

Introdução

"Game of Thrones" é um jogo cheio de boas idéias, todas porcamente executadas. Adaptação da popular saga de fantasia, o game oferece uma aventura paralela aos eventos centrais das "Crônicas de Fogo e Gelo". Não há riscos de 'spoilers', pois boa parte da saga se passa no começo do primeiro volume - ou, para os fãs da versão HBO, da primeira temporada da série.

Teoricamente, é um RPG de ação, voltado para os combates, com vários momentos em que você escolhe os diálogos de seus personagens. Na prática, nada funciona muito bem durante as cerca de 30 horas da aventura.

Pontos Positivos

Personagens bem elaborados

Em "Game of Thrones" você controla 2 personagens: Mors, um membro da Patrulha da Noite, e Alisteir, um clérigo de R'hllor que retorna de um exílio de 15 anos do outro lado do Mar Estreito. Os personagens foram criados para o jogo, com a supervisão do próprio George Martin no roteiro, o que garante a fidelidade da aventura ao material original.

De fato, a história dos personagens é um dos poucos elementos que se salva no jogo. Fãs da saga que já leram "Dança dos Dragões", assistiram a segunda temporada da série e não aguentam esperar até o ano que vem para mais "Guerra dos Tronos", podem saciar um pouco a ansiedade curtindo a história da dupla, se conseguirem aguentar o game que a acompanha.

Mors é um cavaleiro que optou por vestir o negro, velho e rabugento, mas bom de briga. Ele é acompanhado por seu cão, que rende alguns dos poucos momentos inspirados de "Game of Thrones". Sua trama gira em torno de personagens bem conhecidos da série, principalmente a Patrulha da Noite.

Já Alisteir é um personagem mais exótico: um nobre de Westeros que se exilou em Bravos e tornou-se um sacerdote vermelho, capaz de algumas pirotecnias ao mesmo tempo em que, de volta aos Sete Reinos, se envolve nas intrigas da corte em Porto Real.

Assim como na obra original, você alterna o controle entre os personagens em cada capítulo, em tramas aparentemente separadas. Cada capítulo termina com um gancho para o próximo, o que mantém a atenção dos mais aficcionados.

Não exige conhecimento prévio

Os fãs de "Guerra dos Tronos" encontrarão muitas referências, lugares e personagens conhecidos no RPG, mas não precisam se preocupar com 'spoilers'. A trama de "Game of Thrones" corre por fora de toda a saga dos livros e da TV.

Para quem não conhece a série, não é nem de longe a melhor porta de entrada, mas por apostar em personagens inéditos e num enredo diferente, o jogo facilita a vida dos recém-chegados, que não precisam de conhecimento prévio para se arriscar nele.

Pontos Negativos

Gráficos toscos

Direto ao ponto, "Game of Thrones" é um jogo feio. Seus gráficos parecem antiquados, os modelos de personagens são esquisitos, como bonecos de cera ou robôs sem vida.

Os cenários que deslumbram os fãs na TV e povoam a imaginação dos leitores não existem no jogo. Em teoria alguns estão lá, como o paredão de pedra e gelo que é a Muralha, mas dificilmente você poderá apreciar alguma coisa: ora pela câmera sofrível que prefere ficar próxima demais do personagem, ora pelo design das fases, que prefere levar os personagens para ambientes fechados como castelos e corredores sem graça ou para florestas genéricas e ruas claustrofóbicas e vazias.

Os problemas com os gráficos vão além da estética e complicam o sistema de combate, com animações fora de sincronia entre um movimento e outro e, novamente, a câmera sofrível, que parece procurar por objetos ou paredes para colocar entre você, jogador, e a ação.

Combate problemático

"Game of Thrones" é um RPG voltado para o combate, em que você pode inserir comandos durante as batalhas - quase como em "Dragon Age". Com várias habilidades para explorar, além da possibilidade de comandar seus companheiros, o sistema parece promissor.

Mas assim que a briga começa, seu personagem saca a espada e parte para cima do primeiro inimigo, sem permitir que você posicione o herói onde deseja ou se mova para uma posição melhor. Em seguida, ele passa a desferir e receber golpes e para sobreviver, você precisa determinar quais habilidades usar.

Infelizmente, essas habilidades dependem de uma barra de energia que se esgota rápido. É possível recarregar a energia durante as lutas, mas o tempo entre uma recarga e outra faz com que você use esse poder poucas vezes durante a batalha.

Para completar, as animações de cada movimento, habilidade e até mesmo de ações menores, como tomar uma poção, parecem fora de sincronia, o que atrapalha ainda mais um sistema de combate truncado e problemático.

Atuação ruim

Como que para combinar com os modelos mal animados de "Game of Thrones", as vozes dos personagens deixam muito a desejar. Mesmo personagens conhecidos do público, como a Rainha Cersei, Varys ou o Senhor Comandante Mormont não lembram em nada suas atuações na série da HBO.

Muitos personagens parecem sedados e apáticos. Já os coadjuvantes menores, se esforçam para, sempre que possível, exagerar um sotaque britânico desnecessário.

Muitas telas de carregamento

O jogo leva cerca de 30 horas até sua conclusão, mas parece se arrastar por muito mais tempo. Uma das razões para isso é a quantidade exagerada de telas de carregamento. Passar de um ambiente para outro, atravessar uma porta, assistir uma cena, salvar o jogo. Tudo requer uma tela de carregamento.

Para um RPG que, em teoria é mais voltado para a ação e combate, tantos 'loadings' só contribuem para provocar sonolência e irritação nos jogadores.

Nota: 2 (Desprezível)

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