Análises

Resident Evil 6

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

02/10/2012 12h56

Feito sob medida para fãs da série, "Resident Evil 6" é excelente naquilo em que precisa para fazer sucesso - mas não necessariamente nos aspectos necessários para ser um jogo incrível.

Controles desajeitados e sérios erros de programação, que geram mortes frustrantes e batalhas sem sentido contra chefões, incomodam bastante, mas não tiram totalmente o mérito do esforço da Capcom.

Além de reunir quase todos os personagens mais queridos da franquia, "RE6" traz quatro campanhas variadas e envolventes, opções mil de personalização de jogabilidade, modos cooperativos e online, gráficos competentes e muito mais.

Pode não ser o jogo de ação dos sonhos que muitos esperavam, mas é um título que empolga demais fãs veteranos e mais recentes - seja pela obra por completo ou mesmo por um ou outro detalhe - e um dos games mais robustos e variados do ano.

Introdução

Os episódios recentes da série "Resident Evil" carregam o pesado legado dos primeiros títulos, que revolucionaram o mercado de games com seu horror de sobrevivência.

"RE4" marcou época ao renovar a fórmula com doses cavalares de ação, mas elevou ainda mais as expectativas por títulos futuros. "Resident Evil 6" chega como uma verdadeira carta de amor da Capcom para os fãs da grife.

Ousadia sai de cena para privilegiar nostalgia e o puro 'fan service', com um elenco estelar de velhos personagens queridos e novas figuras importantes e a oferta de quatro campanhas diferentes, cada uma destacando aspectos marcantes de episódios antigos - como zumbis clássicos, quebra-cabeças e até um monstro gigante te perseguindo por toda a história.

Pontos Positivos

Conteúdo de sobra

"Resident Evil 6" pode não ser a garota mais bonita do baile, mas é impossível negar o esforço: o game traz muito conteúdo, muito mesmo.

Cada campanha é composta por cinco capítulos e cada um deles leva entre uma hora e uma hora e meia para terminar - totalizando cerca de 5 a 6 horas por campanha. Além disso, os estilos e a atmosfera de cada enredo são bem diferentes, cumprindo a promessa de entregar 'três jogos em um'.

Fãs antigos vão simpatizar mais com a campanha de Leon, que resgata zumbis clássicos e o clima sombrio do primeiro "RE", enquanto a de Chris é a menos empolgante, com muitos tiroteios frenéticos e missões à la "Call of Duty". Jake prima pela variedade e as cenas de ação cinematográficas enquanto a campanha secreta de Ada (habilitada ao terminar as outras três) traz ótimos quebra-cabeças.

Com exceção da história de Ada, todas podem ser jogadas na companhia de amigos, seja em tela dividida ou online. Aliás, falando nas opções em rede, há o descontraído e divertido Mercenaries (que pode ser jogado sozinho também) e o inusitado Agent Hunt, que dá a chance de encarnar inimigos (até cachorros!) e atrapalhar as campanhas de outras pessoas.

Para completar, há dezenas de medalhas, emblemas e outros pequenos prêmios para coletar e evoluir suas habilidades que incentivam a jogar novamente.

Elenco dos sonhos

A Capcom não poupou esforços para agradar os fãs da série: "Resident Evil 6" apresenta quase todos os personagens mais queridos dos episódios anteriores.

Leon, Chris, Ada e até a garotinha Sherry (de "RE2") estrelam uma envolvente - ainda que clichê - trama global que parte de uma pequena cidade dos EUA, passa pelo leste da Europa e termina em uma grande metrópole na China.

Citações a games antigos são constantes, enriquecendo a experiência e afagando a nostalgia. Nada do que aconteceu nos jogos anteriores é vital para entender a história de "Resident 6", mas ser um fã antigo e saber a quais eventos os heróis na telinha estão fazendo referência é recompensador.

O visual faz bonito com relação aos personagens e, em especial, aos monstros: "Resident Evil 6" é uma das amostras mais criativas de aberrações da franquia. Os cenários impressionam pela composição geral - em especial as fases na China -, mas há falhas ali e acolá, como texturas muito borradas e ou outro serrilhado.

Legendas em português

"Resident Evil 6" é o primeiro game da série a ter legendas em português do Brasil, o que por si só já é algo a se comemorar.

O trabalho, por sua vez, é competente, mas não deixa de passar batidas algumas falhas grotescas, aparentes frutos de ingenuidade e falta de atenção.

Por um lado, há traduções que não soam lá muito apropriadas, parecendo mais traduções literais do que uma adaptação para um texto mais simples e direto. Em uma das cenas de ação, por exemplo, o game indica certo botão para o personagem "Arremeter", sendo que poderiam muito bem ter usado "Correr". O modo de dificuldade Veterano, por sua vez, é descrito como "Um modo para os que gostam de adversidade".

Pior que isso são os erros de ortografia que pipocam vez ou outra. Logo no prólogo aparece um "Vamor", em vez de "Vamos". Em certa fase da campanha de Jake você deve procurar por "Medalhas de idenfiticação" enquanto em um diálogo da história de Leon chegam a citar a cidade de Racoon, sendo que o certo é Raccoon, com dois "c" - e nem vou comentar a vergonha de errar o nome próprio de um local tão importante na história da franquia.

Mesmo com tudo isso, a tradução é louvável e ajuda a compreender não só os diálogos durante a trama, mas também os arquivos secretos que explicam as histórias dos personagens e outros eventos.

Pontos Negativos

Controles desajeitados

"Resident Evil 6" bem que tenta, mas não consegue se livrar dos controles estabanados que foram tão criticados em "RE5". Claro, agora você pode andar e atirar ao mesmo tempo, rolar no chão e fazer combos nos inimigos, mas isso não é o bastante.

A câmera fica próxima demais dos heróis e limita a visão. Ataques "surpresa" de inimigos que aparecem pelos lados ou pela retaguarda são constantes e irritam. Trechos em corredores estreitos são outro incômodo - e sabe-se lá por que há muitos deles no jogo.

Além disso, os personagens ainda são limitados para explorar o cenário. Escadas podem ser subidas ou descidas na íntegra apenas - mudar de ideia no meio do caminho é proibido. Pequenos desníveis são intransponíveis e, acredite, o mesmo vale até para algumas cortinas.

Em tempo, é possível se acostumar com a mecânica e aprender a navegar de maneira eficiente pelo cenário, mas em tempos de "Uncharted" e "Assassin's Creed", com heróis tão atléticos e versáteis, o gingado de Chris, Leon e companhia parece tão malemolente quanto o de um elefante.

Ao menos, também há diversas opções de configuração dos controles, desde a velocidade de movimento da câmera e mira até qual tipo de mira usar (laser ou mira em cruz), que possibilitam ajeitar os comandos de uma forma minimamente confortável.

Problemas de programação

Em parceria com a jogabilidade bagunçada, algo que machuca bastante a imagem de "Resident Evil 6" e o impede de ser um jogo imperdível é a programação cheia de erros.

Isso se manifesta de várias maneiras. Às vezes, é um ataque inimigo que requer um reflexo exageradamente rápido para apertar certo botão. Você mal viu o comando e já apanhou, sem muita chance de revidar.

Em outras situações é uma área de contato mal colocada. Certa fase da campanha de Leon, por exemplo, coloca o agente e a parceria Helena explorando trilhos de um metrô. De repente, um trem passa na pista ao lado e uma barreira entre os trilhos impede Leon de bater na máquina em movimento. Porém, foi só andar um pouco e chegar perto de um trecho sem a tal barreira que o jogo já considerou que o rapaz foi atropelado e morreu - obrigando, claro, a recomeçar do último checkpoint (ou Ponto de Verificação, se estiver jogando em português) e contabilizar uma morte a mais nas estatísticas.

Por fim, há inúmeros combates frustrantes contra chefes, em que o jogo não explica direito o que deve ser feito e você fica zanzando e atirando até acontecer algo. Às vezes tudo dá certo e você segue adiante, mas às vezes você morre e nem sabe o que fez de errado - ou o que deveria estar fazendo certo. Sem contar que, para um game que preza tanto a história, passar por momentos chave sem saber bem o que aconteceu é desanimador.

Nota: 8 (Ótimo)

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