Análises

Dishonored

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

23/10/2012 17h58

Terceiro jogo do Arkane Studios, "Dishonored" mostra do que um time formado por desenvolvedores experientes é capaz: veteranos de "Thief", "Deus Ex" e "Half-Life", seus criadores constroem um novo mundo fascinante, injetando uma bem vinda dose de novidade nesse final de geração, mais comumente marcado pelos episódios anuais de franquias estabelecidas.

O game surpreende também pela liberdade de ação oferecida ao jogador, que pode optar por combates diretos, assassinatos frios, uso inteligente de poderes mágicos ou encarar o desafio de ser extremamente furtivo, atravessando toda a aventura praticamente sem ser visto.

Assim como os demais títulos no currículo de seus produtores, e também "BioShock", "Dishonored" mostra que os games de tiro em primeira pessoa podem sair da mesmice de guerras modernas e batalhas futuristas.

Introdução

Em "Dishonored" você é Corvo Attano, guarda-costas da Imperatriz de Dunwall, acusado injustamente do assassinato da regente. Para limpar seu nome, Corvo se une a um grupo de nobres conspiradores e você pode decidir como será a vingança: sutil ou sangrenta, justa ou impiedosa. A aventura, toda em primeira pessoa, pode ser jogada de diversas maneiras e é aí que reside boa parte do charme de "Dishonored".

Pontos Positivos

Evolução do FPS

"Dishonored" é uma mostra clara de como um dos gêneros mais saturados dos games, os shooters com visão em primeira pessoa, estão evoluindo. Ao invés de combates descerebrados ou ação frenética, o jogo da Arkane se apóia em títulos como "Deus Ex", "BioShock" e, principalmente, "Thief", para construir uma narrativa inteligente e, especialmente, mecânicas de jogo envolventes.

Ao longo do jogo, Corvo adquire vários poderes e equipamentos, que possibilitam muitas abordagens. O combate direto é divertido: Attano é um ótimo espadachim e consegue bloquear e finalizar adversários com ferocidade. Você também pode ser sorrateiro e eliminar vítimas pelas costas ou mesmo caindo sobre elas.

Corvo utiliza também uma pistola e uma besta. Esta possui vários tipos de virotes, inclusive valiosas setas soníferas, indispensáveis para quem quer evitar mortes desnecessárias. O assassino também conta com magias, desde a viciante Blink, que permite teleportes curtos - e abre todo um leque de atalhos para explorar - até a possessão, com a qual você controla ratos e eventualmente outras pessoas.

O melhor de "Dishonored" é que não há um método certo para jogar. Você pode atravessar o game em cerca de 6 horas, rasgando gargantas e mandando bala em todos, mas se optar por parar e explorar meios alternativos, descobrirá vários segredos e toda a história de Dunwall, a praga de ratos que assola a cidade e seus habitantes fascinantes.

Ainda que não tenha o brilho da narrativa de um "BioShock" ou "Half-Life 2", "Dishonored" é um descendente digno desses títulos, que pega o que fizeram de melhor em termos de mecânica e leva um passo adiante.

Ambientação original

"Dishonored" se passa em Dunwall, uma cidade fictícia em uma realidade 'steampunk' - pense nos livros de Júlio Verne, mas adicione o cinismo e a sujeira da estética punk. A metrópole é inspirada na Londres vitoriana, mas com elementos dignos de ficção-científica e uma peste de ratos infestando todos os cantos. É um palco para muitas histórias, dentre elas a saga de vingança de Corvo.

Os personagens que o cercam, desde o grupo de conspiradores até os vários vilões e outros personagens secundários são bem desenvolvidos, ainda que apegados a arquétipos clássicos: o ferreiro prestativo, o militar resoluto em cumprir seu dever e assim por diante.

Boa parte de seu carisma se deve ao estilo artístico de "Dishonored", com traços levemente exagerados e cores que dão um aspecto de pintura ao jogo. Outro elemento importante na caracterização dos personagens é o excelente trabalho de voz, que envolve nomes famosos como Carrie Fisher (a eterna Princesa Leia, de "Star Wars"), Susan Sarandon (de "Thelma & Louise") e John Slattery (de "Mad Men"), entre outros.

A cidade é muito bem construida: você parte de uma estalagem, esconderijo de Corvo e seus companheiros, para vários distritos. Dunwall é feita de detalhes e ao explorar suas ruas e apartamentos decadentes você vai conhecendo mais e mais sobre o mundo de "Dishonored".

Com amuletos e runas mágicas escondidas em pontos de difícil acesso, cofres que exigem fuçar quartos e ler cartas para descobrir suas combinações, "Dishonored" estimula a exploração e o retorno do jogador para locações já visitadas.

Vale a pena jogar de novo

"Dishonored" oferece muita liberdade de ação e cada objetivo pode ser alcançado de diversas maneiras. A vingança, ao menos neste game, não é um prato que se come frio. Muitas vezes, você poderá escolher quem poupar ou que castigo dar a um inimigo, alguns deles piores do que uma morte rápida. Essas escolhas afetam o andamento do jogo e resultam em finais diferentes.

Ao invés de gerar vários 'saves' e repetir trechos do jogo para ver cada possibilidade, é melhor terminar a campanha e retornar, começando tudo de novo com uma nova abordagem e descobrindo aos poucos as consequências dos seus atos.

Pontos Negativos

Falta de orientação

"Dishonored" tem poucos problemas. O mais perceptível deles é a falta de orientação durante o game. Não há um mapa, por exemplo, apenas indicadores da direção em que estão seus objetivos. Com tantos poderes disponíveis para Corvo ao longo do game, é estranho que o personagem não tenha um mapa para ajudar a se localizar.

Com tantas possibilidades de ação, é fácil se perder e cometer enganos cruciais e até mesmo fazer vítimas indesejadas.

Em alguns casos, o jogo até apresenta algumas alternativas, logo no começo da missão, mas todas essas indicações e sugestões desaparecem. Um jogador experiente vai avançar com cautela, tornando a experiência quase tática. Mas essa é uma lição aprendida com o tempo e não algo claro desde o começo em "Dishonored".

Herói sem personalidade

De todos os personagens de "Dishonored", Corvo é um dos menos desenvolvidos. Você joga com ele e sabe o quanto o sujeito é durão e habilidoso, mas isso não parece fazer diferença no grande desenrolar das coisas.

Diferente de um Ezio Auditore, Corvo não possui uma motivação clara para sua vingança. Ele quer resgatar a princesa e acertar as contas com seus inimigos, mas todas as missões para as quais é enviado vem de motivações terceiras. Toda a liberdade oferecida durante a ação é tosada na narrativa, dando a impressão de que Corvo é um 'office-boy' de luxo.

O fato do protagonista ser mudo, entre tantos personagens bem representados, acaba por diminuir a importância do herói diante de seus companheiros.

No fim do dia, Corvo é um assassino habilidoso, dotado de poderes mágicos sinistros e muito estilo, mas o protagonista de "Dishonored" ainda carece de uma alma.

Nota: 9 (Excelente)

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