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Fire Emblem 3DS

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

19/02/2013 14h38

"Awakening" é o primeiro "Fire Emblem" feito para Nintendo 3DS e consegue oferecer tanto o estilo clássico e 'hardcore' da série de estratégia quanto uma introdução acessível para os recém-chegados. Ele traz conteúdo de sobra para dezenas de horas de jogatina, um sistema de batalhas viciante e profundo, pontuado por belas sequências de animação.

Bem feito, "Fire Emblem: Awakening" é de uma complexidade gradual, mas não confunde a profundidade de seu sistema de jogo com complicações desnecessárias e proibitivas. Ao contrário, é um dos melhores jogos do Nintendo 3DS, com uma história envolvente, personagens cativantes e sistemas de jogo ideais para um portátil.

Introdução

"Fire Emblem: Awakening" faz parte de um nicho pouco explorado atualmente: os jogos de estratégia por turnos. Aqui você acompanhará as aventuras de Chrom e seus Shepherds para proteger o reino de Ylisse de invasores estrangeiros e ameaças sobrenaturais. A trama é, de longe, a melhor história já contada em um jogo de Nintendo 3DS e é acompanhada por excelentes batalhas táticas.

O título faz referências aos títulos anteriores da série, o que vai agradar aos fãs 'das antigas', mas é também uma ótima porta de entrada para uma nova geração de jogadores.

Pontos Positivos

Enredo envolvente

Em "Awakening" você é o estrategista dos Shepherds, grupo liderado por Chrom, o herdeiro do trono de Ylisse. Ao lado da trupe de aventureiros, você passará por guerras nas fronteiras do reino, invasões sobrenaturais e lidará com heróis misteriosos e vilões excêntricos. A trama é pontuada por reviravoltas e momentos de tensão dignos dos melhores animes e séries de fantasia medieval.

As principais passagens da história são contadas em belas cenas de animação. Boa parte dos diálogos e sequências, porém, é apresentado em blocos de texto ilustrados por figuras - muito bacanas - dos personagens, com modelos 3D ao fundo. Seria fantástico ver uma versão completamente animada do enredo de "Awakening", mas talvez isso fosse pedir demais do Nintendo 3DS.

Batalhas viciantes

O sistema de batalhas de "Fire Emblem: Awakening" segue a fórmula tradicional da série, com as unidades dispostas no mapa quadriculado e lutas em turnos. Cada arma possui pontos fortes e fracos e é preciso escolher com sabedoria o posicionamento e as lutas de cada personagem - principalmente no modo clássico, onde a morte de um personagem é para sempre.

O jogo é acessível e cada nova situação ou movimento é explicado em detalhes na telinha inferior do 3DS. Você pega o jeito rapidamente, pelo menos na parte mais básica. Detalhes como classes de personagem, evolução, itens especiais e o sistema de duplas, porém, dão profundidade às partidas de "Awakening".

Esse sistema de duplas permite sacrificar um turno para unir dois personagens no mesmo quadrado, dando bônus de ataque e defesa para os heróis, e, durante as batalhas, a chance de ambos atacarem o inimigo juntos, ou uma defesa inesperada que salvará um personagem da morte, por exemplo. Em dupla, ambos ganham experiência após os combates.

Durante os turnos de combate, a luta é representada na tela superior por animações caprichadas, com golpes especiais, acertos críticos e esquivas salvadoras. Você pode escolher como assistir essas cenas, inclusive com uma opção de câmera em primeira pessoa - e tudo em 3D, num dos melhores usos do efeito no portátil da Nintendo.

Gerenciar itens, melhorar armas, criar laços entre os personagens: há várias coisas para fazer fora do combate em "Awakening", o que torna o vínculo entre o jogador e os personagens ainda mais forte.

Personagens marcantes

Diferente da maioria dos jogos de estratégia, em "Fire Emblem" você controla poucas unidades e todas são dotadas de personalidade. O Príncipe Chrom e sua irmãzinha Lissa, o cavaleiro Frederick, a atrapalhada Sully e o tímido guerreiro Kellan são alguns deles.

Antes das batalhas você tem a chance de conversar com os outros membros do grupo, estabelecendo laços entre os personagens, algo que tem impacto na mecânica de jogo: quanto mais próximos dois guerreiros são, melhores os bônus por jogar em dupla com eles.

Essas cenas permitem conhecer melhor cada unidade, suas motivações e se divertir em diálogos muito engraçados - em inglês, é claro. Nem todas têm relação com a trama principal, mas desenvolvem uma certa profundidade nos personagens, coisa que muitas produções de alto calibre deixam de lado.

Modo clássico

"Fire Emblem: Awakening" possui dois modos de jogo: Casual e Clássico. No primeiro, quando uma unidade tomba em combate, ela não morre definitivamente - exceto por Chrom e pelo próprio avatar do jogador. Todas as outras retornam para seu exército e estarão sãs e salvas após o fim da luta.

Já o modo Clássico, como o nome sugere, usa as regras impiedosas da série "Fire Emblem": se um personagem morrer durante a luta, já era, você perdeu aquela unidade. Elas podem ser revividas? Sim, mas com o uso de itens mágicos extremamente raros e difíceis de encontrar.

Isso traz um nível de tensão extra para a partida: cada movimento é calculado, o risco de entrar em combate contra uma unidade inimiga é avaliado cuidadosamente. É a forma ideal de se jogar "Fire Emblem", embora a quantidade de 'Game Overs' que surgirão pela frente possa frustrar os jogadores que não estão habituados com essa 'crueldade'.

Pontos Negativos

Gráficos decepcionantes

Ao oferecer tantas coisas bacanas para o jogador, "Fire Emblem: Awakening" quase mascara seu maior problema: os gráficos no tabuleiro de batalha. Aqui, as unidades são representadas por 'sprites' bidimensionais que parecem vir direto dos primórdios da série, lá no Nintendinho. Charme retrô? Talvez. Mas seria melhor jogar com unidades modeladas com o mesmo capricho que os sistemas do jogo.

Já durante as cenas 3D, os personagens são modelos esquisitos: a direção de arte segue a linha vista no remake de "Final Fantasy III" e em "Final Fantasy: Four Heroes of Light", mas com proporções mais realistas - porém, sem pés. No começo, isso é algo que você tenta ignorar, mas não são poucas as cenas que colocam os tornozelos decepados em primeiro plano.

A direção de arte do jogo contrasta com as ótimas cenas de anime que contam os principais eventos da trama. É uma diferença incômoda, quase como quando você joga "Final Fantasy VII" (PSOne) hoje em dia: dá pra se divertir muito e é preciso admitir que o jogo é excelente, mas não dá para ignorar que os gráficos são um tanto esquisitos e poderiam ser melhores.

Nota: 9 (Excelente)