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EA Sports UFC

Rodrigo Guerra

Do UOL, em São Paulo

26/06/2014 11h10

Uma das promessas da Electronic Arts era trazer o mundo do Ultimate Fighter Championship com autenticidade para os videogames e muito disso foi alcançado em "EA Sports UFC", que realmente consegue recriar as emoções de estar em um octógono – inclusive com os machucados sérios que abrem no supercílio de um lutador ou outro, por exemplo.

Os lutadores foram recriados de forma muito realista e mostram que esse foi o principal ponto para o qual a EA do Canadá deu atenção, mas isso não quer dizer que o game só tem gráficos bonitos: a jogabilidade em pé é bem competente, com muitos detalhes para serem explorados por quem pretende jogar a sério e, ao mesmo tempo, é simples para os lutadores de fim de semana – pena que o mesmo não possa ser dito para as mecânicas de chão e submissão, um tanto quanto complicadas de entender.

Mesmo com muitos bugs, "EA Sports UFC" é um bom jogo, não apenas para os fãs da pancadaria agenciada por Dana White, mas também para quem gosta de jogos de luta.

Introdução

Após pular a temporada 2013, o Ultimater Fighter Championship  volta aos octógonos virtuais com os maiores campeões mundiais prontos para dar porradas com apenas alguns toques de botões. Anderson Silva, José Aldo, Jon Jones, Lyoto Machida e mais uma pancada de outros lutadores (e, sim, lutadoras) voltam ao mundo dos videogames em "EA Sports UFC".

Além dos lutadores e ótimas mecânicas de jogo, este é o primeiro game pensado em fazer com que o fã do esporte mais barra-pesada da atualidade veja o universo das lutas representado nos mínimos detalhes, como o treinamento básico e até mesmo um 'remake' para o "The Ultimate Fighter", reality show que consagra a entrada de novos lutadores na franquia.

"EA Sports UFC" chega apenas para PlayStation 4 e Xbox One buscando usar o poderio gráfico extra para mostrar como os menores detalhes, como a textura da pele, realmente fazem a diferença para os jogos de luta.

Pontos Positivos

Muito bonito

Não dá pra dizer que os lutadores de "EA Sports UFC" são "colírios" das revistas femininas, mas o game "tem presença". A luta rola de maneira bem crível e, por momentos, dá até a sensação de estar vendo uma disputa televisionada: lutadores reagem aos ataques e fazem caretas ao dar socos e chutes.

A impressão que temos é que cada um dos lutadores foi literalmente copiado para dentro da TV e com detalhes muito apurados, como a cicatriz de José Aldo e a orelha de repolho de Junior dos Santos (o Cigano), que transparecem o cuidado nessa parte por parte do pessoal da EA Canada (o mesmo time de "Fight Night").

O mais divertido é que vemos um grande salto no que se refere aos ferimentos dos lutadores durante as partidas, como machucados e ferimentos que se abrem com os poderosos golpes. Em alguns embates, o chão do octógono fica manchado com o sangue dos lutadores e no final da luta dá pra ver os rostos inchados e o quanto os lutadores foram maltratados no decorrer da peleja.

Alguns detalhes, como técnicos e plateia que aparecem no jogo, são nitidamente mais feios (até parecem ser bonecos da era PlayStation 2), mas isso não vai afetar sua experiência de jogo.

Boas mecânicas

Um bom jogo de luta precisa ter mecânicas consistentes e compreensíveis para todos os jogadores e "EA Sports UFC" segue por esse caminho sem muitos tropeços. Como esse é um game onde o realismo é uma das linhas guias, vemos que as animações de socos e chutes são desferidas de forma orgânica e compatível com o que vemos dos lutadores do mundo real.

Na configuração padrão do jogo segue como em um game de luta padrão, com os botões de face do controle sendo responsáveis pelos socos e chutes básicos, já os botões de ombro são modificadores para defesa e ataques especiais, como o soco Superman ou um chute giratório potente. É uma mecânica simples de ser compreendida, porém não é tão fácil de ser dominada.

Os agarrões e submissões, por exemplo, são técnicas avançadíssimas e para você conseguir sua primeira vitória dessa forma será necessário muito treino. E sim, o jogo tem um sistema bem amplo de treinamento. Tão amplo que quando você consegue fazer todas as lições você estará apto para lutar de igual para igual com Anderson Silva – no videogame, claro.

Modo carreira dedicado aos fãs

O modo carreira é o que literalmente vai separar quem é fã de verdade do universo UFC de quem só assiste aos principais cards das noites de luta.

Ao iniciar uma carreira você cria um lutador novinho em folha, escolhendo desde o tipo de sobrancelha que ele tem até o estilo de luta que ele domina. Feito isso, acontece uma temporada expressa do reality "The Ultimate Fighter", com direito a clipes em vídeo gravado por lutadores reais, técnicos e até o chefão do UFC, o careca Dana White.

Esse modo de carreira é bom por dois motivos – ele coloca em prática tudo o que você já aprendeu das mecânicas de jogo, como também lhe dá a oportunidade de experimentar coisas novas que não são reproduzidas em nenhuma outra parte do game.

Online competente e dinâmico

Um componente que não pode faltar para um jogo de luta é o modo online e a opção do "EA Sports UFC" é simplesmente completíssima. Não tem segredo: ao entrar no ringue você tem a opção de escolher o seu lutador favorito e colocar suas técnicas à prova contra outro jogador.

No início, o balanceamento é meio desequilibrado, mas depois de algumas partidas, o game vai encontrando outros jogadores com o mesmo nível de habilidade que o seu e aí as brigas ficam mais divertidas.

Porém, algo que me chamou atenção para o modo online é a forma que a EA consegue colocar diversos extras para os fãs do esporte, como vídeos com os melhores momentos das últimas lutas e até informações para quem quer ficar por dentro de tudo o que acontece no mundo dos lutadores.

Uma pena que nem todo conteúdo dessa parte seja localizado para português, mas mesmo assim é algo que você vai, literalmente, vai querer gastar algumas horas brincando e olhando com calma.

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Pontos Negativos

Muitos bugs

Vez ou outra você vai ver um bug aqui, outro ali. Pode ser um golpe que passa por dentro da cabeça do adversário, como se ele fosse um fantasma, ou até coisas bizarras, como lutadores que saem voando pelo octógono como se fosse uma bola.

Mal o jogo chegou às lojas e os sites de compartilhamento de vídeos já estão apinhados de vídeos bizarros do "EA Sports UFC". Tem até um vídeo onde os jogadores não conseguem sequer ficar em pé. O pior é que nem todos esses erros de programação podem ser corrigidos com uma atualização.

Nos nossos testes, foram poucos os erros, mas em todos o sentimento de frustração foi predominante, principalmente quando se trata de uma partida online, onde seu único recurso é esperar o tempo passar para acabar o round – isso é, quando seu lutador não volta e leva um nocaute sem levar um jab sequer de seu adversário.

Sistema de submissão é ineficiente

Até hoje, nenhum jogo de UFC conseguiu acertar em uma coisa importante: o sistema de submissão. Desde a época de quando a franquia era produzida pela THQ, essa era a parte mais frustrante do esporte no mundo dos games. Aqui os jogadores devem disputar uma guerra de alavancas para ver quem consegue escapar ou travar os membros dos lutadores virtuais.

Para escapar de uma submissão você precisa manter a alavanca  da direita em uma direção e evitar manter a direção do adversário. Se você é o atacante deve prestar atenção na direção que o adversário está pressionando e ainda perceber o breve momento em que aparece a chance de continuar o golpe.

No final das contas você percebe que o adversário apenas fica girando a alavanca e você não consegue impedir que ele escape. Isso aconteceu comigo diversas vezes nas partidas online, ou seja, ficou muito mais fácil sair de uma submissão do que conseguir executar um golpe desses.

O sistema de submissão precisa ser mais equilibrado e totalmente reformulado para que ambos os lados consigam se enfrentar de igual para igual, mas, do jeito que está, nem gaste tempo tentando ganhar por submissão – mesmo que seu lutador seja um mestre nessa arte, essa rotina de golpes é simplesmente inútil.

Nota: 7 (Bom)