Análises

Mortal Kombat X

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

16/04/2015 12h57

"Mortal Kombat X" marca a estreia de uma das mais famosas franquias de pancadaria nos consoles PlayStation 4 e Xbox One. O game, disponível também para PC, prossegue com a fórmula adotada no aclamado 'reboot' de 2011, tanto na narrativa quanto nas mecânicas de jogo.

Tudo que deu certo em "Mortal Kombat" está presente no game, como a campanha bem elaborada, os golpes Raio-X e outras técnicas especiais, mas a produtora NetherRealm aposta também em novidades, seja na forma de um 'metajogo' online, novos personagens bem elaborados e um sistema de variações técnicas para cada lutador.

No Brasil, o game é o primeiro "Mortal Kombat" dublado em português, mas apesar da iniciativa louvável, o resultado não é dos melhores - e a participação da cantora Pitty como uma das protagonistas nem é o maior problema.

"Mortal Kombat X" não supera o antecessor, mas mostra que a NetherRealm pode (e deve) levar a série adiante e não se limitar a repetir os feitos do passado.

Introdução

Ambientado 20 anos depois dos eventos do jogo anterior, "Mortal Kombat X" reescreve a trama de "Mortal Kombat IV", onde o feiticeiro Quan Chi busca libertar o maligno deus Shinnok para dominar o nosso mundo, a Exoterra e todas as outras dimensões. Para impedi-lo, porém, entram em cena não só veteranos como Johnny Cage, Sonya e Raiden, mas também uma nova geração de 'kombatentes'.

O jogo faz um trabalho incrível para contar essa história e várias subtramas, como a disputa de poder entre Kotal Kahn e Milena na Exoterra e a rivalidade entre os ninjas Scorpion e Sub-Zero.

Também há várias modalidades para jogar sozinho ou disputar com outros jogadores, tanto online quanto em multiplayer local. Completa o pacote uma grande variedade de segredos para desbloquear na Kripta, inclusive novas finalizações e trajes alternativos. "Mortal Kombat X" está dublado em português.

Pontos Positivos

Violento e divertido

Tecnicamente, "Mortal Kombat X" refina os sistemas do jogo de 2011: o combate (ou seria "kombate"?) rápido e combos de fácil execução. É muito fácil começar a jogar, dar uma olhada rápida na lista de movimentos especiais e se divertir trocando socos, chutes e fraturando os amigos. Mas por trás dessa simplicidade, há um sistema mais complexo de combos, cancelamentos e estratégias que você só aprende praticando no modo de treinamento (ou estudando as listas de golpes avançados).

Cada personagem conta com três variações de estilo, o que amplia o leque de possibilidades para os jogadores. Duas pessoas lutando com Jax, por exemplo, podem adotar técnicas e estratégias distintas, um mais voltado para agarrões, o outro apelando para rajadas de metralhadora. Os movimentos básicos e os principais golpes especiais dos personagens são os mesmos em todas as variações, assim como os Fatalities. Ou seja, você não precisa reaprender todos os movimentos, apenas os truques específicos do estilo.

As arenas, cheias de detalhes graças ao hardware mais poderoso dos novos consoles, trazem muitos elementos interativos: você pode arrancar um galho e golpear o adversário, arremessar objetos e até personagens da 'platéia' nos outros lutadores, se pendurar em cipós e, principalmente, usar objetos nos cantos da tela para saltar para outro lado. Isso torna as lutas mais dinâmicas, ao impedir que alguém fique preso no canto - tática típica dos apelões.

Os Fatalities estão muito sanguinários, com órgãos fatiados ao meio, tripas sendo arrancadas pela boca e outros excessos viscerais. Curiosamente, a violência é tamanha que é provável que os jogadores não fiquem chocados como no passado, quando Kano se limitava a arrancar o coração dos oponentes. É uma coisa exagerada, quase infantil, como um desenho de "Comichão e Coçadinha" num episódio dos "Simpsons" - É violento? Sim, mas muito divertido.

Mais do que em qualquer outro "Mortal Kombat", a máxima "fácil de jogar, difícil de dominar" se encaixa perfeitamente no jogo, o que deve melhorar bastante o competitivo do game, sempre colocado em segundo plano diante dos "Street Fighter", "Marvel vs. Capcom", "Guilty Gear" e "King of Fighters".

Bom plantel de lutadores

"Mortal Kombat X" capricha no plantel de lutadores: são 23 lutadores (mais o monstruoso Goro, se você fez a compra antecipada), com uma boa variedade de veteranos, favoritos dos fãs e estreantes - cada um com seus três estilos distintos.

Vários personagens clássicos aparecem bastante modificados na campanha, como os shaolin Liu Kang e Kung Lao, ou mesmo o ninja Scorpion, mas estão disponíveis em suas versões tradicionais nos outros modos de jogo, com todo o arsenal de golpes que os fãs conhecem - esperteza da NetherRealm, que assim consegue ousar na campanha sem irritar os jogadores nostálgicos.

Entre os novos combatentes, há desde lutadores mais "tradicionais", como Cassie Cage (que traz técnicas similares aos pais, Sonya Blade e Johnny Cage), Jacqui Briggs (filha de Jax que combina a força bruta do pai com muito mais velocidade), até personagens bastante exóticos. Destaque para a dupla Ferra/Thor: um gigante muito forte e rápido que é acompanhado por uma garotinha psicótica.

Para depois do lançamento, a NetherRealm já prepara quatro novos lutadores: o ninja Tremor, Tanya (que já aparece na campanha), Jason (de "Sexta-Feira 13") e Predador (o caçador espacial e colecionador de crânios do cinema). Um ponto positivo disso é que esses personagens, assim  como Goro, podem ser "testados" quando aparecem nas Torres dinâmicas, mesmo por quem não comprou o DLC.

Campanha solo

Maior acerto do "Mortal Kombat" de 2011, a campanha solo do game deu um tratamento cinematográfico para a narrativa complexa da série, antes apresentada apenas em cenas curtas e textos nos finais do jogo. Agora, a NetherRealm prossegue com a trama, reescrevendo a história de "Mortal Kombat IV", mas levando em conta os eventos do jogo anterior.

A trama gira em torno do feiticeiro Quan Chi e do deus maligno Shinnok, mas também envolve a transição de gerações, com personagens veteranos abrindo espaço para Cassie Cage, Kung Jin e outros novatos. O mesmo acontece na Exoterra, onde Milena luta contra Kotal Khan e sua gangue pelo trono do imperador após a queda de Shao Khan.

Tretas antigas também tem lugar em "Mortal Kombat X", como a rivalidade dos ninjas Scorpion e Sub-Zero; a relação entre Johnny Cage, Sonya e Jax e até mesmo entre Liu Kang, Kung Lao e o deus do trovão Raiden.

A história nem sempre consegue explicar direito tudo o que acontece no jogo, principalmente por já começar bem depois dos eventos do último "Mortal Kombat". Outra queixa é a ausência de alguns personagens, como Goro, na campanha. Os chefões finais de "MKX" não são tão legais ou desafiadores quanto foi Shao Khan no game anterior.

Metajogo

"Mortal Kombat X" traz muitas atrações fora da campanha solo e que motivam os jogadores a explorarem as outras modalidades. Logo de cara, há a Guerra de Facções, que coloca todos os jogadores do mundo em uma grande batalha por influência. Todas as suas ações (ganhar lutas, avançar na campanha, vencer desafios) contam pontos para a facção escolhida no início do jogo.

Essa facção oferece em troca algumas finalizações exclusivas para os jogadores (que podem ser usadas por qualquer lutador que você controle), entre outros bônus. A guerra dura uma semana, depois da qual o ranking é zerado e tudo começa outra vez.

Diariamente, o jogador recebe desafios da facção, que podem ser cumpridos nas partidas online ou nas torres, nome dado ao modo arcade do jogo. Você tem torres tradicionais, onde luta contra uma certa quantidade de inimigos, mas há também as torres vivas, que mudam suas características e trazem desafios próprios de tempos em tempos.

Também há a Kripta, que traz vários itens colecionáveis, trajes alternativos para os lutadores, finalizações para desbloquear, moedas e outras recompensas para os jogadores que exploram seus segredos. Vagar pelos corredores labirínticos da Kripta, gastando as moedas acumuladas nas lutas é quase tão viciante quanto trocar socos e pontapés em "Mortal Kombat X".

Pontos Negativos

Lobby multiplayer burocrático

O modo multiplayer online de "Mortal Kombat X" funciona bem, se você optar por desafiar alguém da sua lista de amigos para uns duelos. Mas se optar pelo lobby online, prepare-se para ficar confuso. Salas cheias de jogadores e muitas linhas de conversa poluem a tela. Após escolher um adversário e analisar suas chances de vencer (apresentadas em estatísticas sob o emblema do inimigo), você precisa enviar um desafio e esperar que ele aceite.

É tanta informação na tela que fica difícil até entender que botões apertar para desafiar outro jogador. Pior ainda, os comandos são confusos e você muitas vezes envia o convite e acaba cancelando o desafio logo em seguida, por engano. Pelo menos uma vez, quando o convite foi enviado e aceito, tive o videogame reiniciado por motivos inexplicáveis.

Fora do lobby, você encontra partidas multiplayer de vários tipos, ranqueadas ou não, mas o melhor mesmo ainda é reunir os amigos, seja online ou no sofá, para se divertir com as lutas de "Mortal Kombat".

Dublagem brasileira

Um dos principais argumentos de venda de "Mortal Kombat X", ostentado na capa do jogo nacional e nas peças publicitárias, é a dublagem em português com a cantora Pitty como a lutadora Cassie Cage. Infelizmente, o resultado está bem abaixo das dublagens de games mais recentes - e a culpa nem é só da Pitty.

"Mortal Kombat X" sofre com uma tradução ruim e falta de coordenação na localização. Frases que não batem umas com as outras em alguns diálogos sinalizam que faltou alguém verificar o resultado antes de colocar tudo no jogo. Da mesma forma, a edição do áudio de alguns personagens (como Erron Black e Goro) ficou ruim, com frases inaudíveis.

Sobre Pitty, a cantora tem uma interpretação irregular: em muitos momentos é fraca e sem interpretação, bem diferente da maior parte dos colegas. Em outros, durante a campanha, suas falas funcionam bem e você percebe o esforço em imprimir alguma emoção ao personagem. Faltou experiência? Sem dúvida. Faltou orientação? Também. Há todo um conjunto de falhas na dublagem do game que vão além da participação de Pitty e afetam também os textos de outros personagens.

Depois de "Battlefield: Hardline" e "Mortal Kombat X", fica a expectativa de que a Warner, responsável pela distribuição do jogo, faça um trabalho melhor na próxima investida no mercado brasileiro.

Nota: 9 (Excelente)

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL

do UOL

"Full Throttle Remastered" é passeio nostálgico na estrada dos adventures

Considerado um dos maiores clássicos dos adventures "point and click", "Full Throttle" é uma verdadeira aula do gênero: você é Ben, líder da gangue de motociclistas   No jogo, Ben e sua gangue acabam envolvidos numa trama de disputas corporativas e assassinato, quando o executivo Adrian Ripburger decide tomar o controle da Corley Motors, última fabricante de motocicletas do mundo... para trasnformar a empresa numa montadora de minivans!   Ao longo de "Full Throttle", Ben precisa limpar seu nome, salvar os Polecats e a mecânica Maureen, além da Corley Motors, em uma aventura "on the road" pontuada por quebra-cabeças, combates na estrada e frases marcantes, bem conhecidas dos jogadores veteranos, como a piada "Não vou colocar minha boca nisso!", usada sempre que o jogador sugere que o personagem interaja com algum objeto usando a boca ao invés de usar as mãos ou chutar.   O game usa o motor SCUM, o mesmo de outros games da produtora, como "Day of the Tentacle", mas aposta também em passagens 3D onde Ben luta contra membros de uma gangue rival, trocando golpes ao estilo "Road Rash".   Remasterização primorosa   $escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-foto','/2017/full-throttle-nota-1494353624354.vm') Essa é a aventura que a Double Fine revive em "Full Throttle Remastered", para PC, PlayStation 4 e PS Vita. O jogo teve os gráficos retrabalhados a partir da arte original e todas as falas foram regravadas - inclusive a ótima interpretação do ator Mark Hamill (o Luke Skywalker de "Star Wars") para o vilão Ripburger, que está mais "Donald Trump" do que nunca.   O passeio pela auto-estrada da nostalgia traz opções que vão agradar aos fãs das antigas, como a opção de alternar entre os gráficos atuais e o quadriculado original ao toque de um botão e os comentários dos produtores revelando detalhes do design original e da remasterização.   O jogo é rápido, uma vez que você sabe o que fazer em cada situação, e pode ser terminado em cerca de 2 horas - jogando com atenção, você ainda coleta todos os troféus do game nesse período, ou seja, não há muitos motivos para jogar uma segunda vez.   "Full Throttle Remastered" segue o padrão de qualidade das adaptações dos jogos da LucasArts para plataformas mais recentes, iniciada nos dois "Monkey Island" e aprimorada em "Grim Fandango" e "Day of the Tentacle", mostrando que bons adventures podem ir além da fórmula de diálogos e escolhaas da Telltale (de "The Walking Dead") ao mesmo tempo em que aponta como se faz uma boa remasterização.

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Topo