Dark Souls III

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

Sete anos após surpreender o público com "Demon's Souls", a From Software mostra com "Dark Souls III" que ainda não perdeu o jeito na hora de criar mundos que assombram, envolvem e desafiam os jogadores.

Tanto em termos de mecânicas quanto de narrativa, "Dark Souls III" encerra com engenhosidade a trilogia, aproveitando as lições aprendidas com "Dark Souls" e "Bloodborne" e desviando dos erros de "Dark Souls II" sob a liderança do diretor Hidetaka Miyazaki. É difícil cravar se o game é o melhor da franquia, mas já é um grande elogio dizer que ele certamente está no páreo.

"Dark Souls III" desconforta de maneira conhecida - de maneira confortável. Um inimigo sorrateiro escondido nas sombras ou um chefão enorme em um pequeno corredor já não surpreendem mais quem se aventurou pela franquia antes. Mas em um jogo em que os menores detalhes separam a vida da morte, pequenas mudanças fazem muita diferença - e é aí que o "III" se separa do "I" e do "II".

Munido do arsenal inicial de sua escolha, o jogador de começa suas desventuras em uma área que parece o equivalente ao segundo ato do primeiro "Dark Souls". Inimigos ágeis logo no início, um primeiro chefe desafiador e uma introdução bem rápida ao sistema de personalização de armas mostram que "Dark Souls III" não subestima seu fã: ele sabe que, se você chegou até aqui, provavelmente não é marujo de primeira viagem na série.

Isto não quer dizer que "Dark Souls III" exagera na dificuldade: os desafios continuam inteligentes e engenhosos na dose certa, e acima de tudo recompensantes.

Na verdade, a postura 'para frente' do game é a prova de que ele se conhece bem como o fim de uma trilogia. Até mesmo a narrativa do jogo, que em capítulos anteriores era críptica e solúvel, é muito mais direta em "Dark Souls III". A From veio para encerrar um ciclo.

No lugar do complexo labiríntico de "Dark Souls" e da vastidão plana de "Dark Souls II" entra um mundo muito mais linear. Extremamente belo, sim, mas um que direciona o jogador com clareza de um chefe ao outro e enfim ao grande final da saga. É algo que pode decepcionar alguns, mas que não atrapalha a credibilidade do mundo. Ainda existem passagens ocultas e outros segredos conectando uma área a outra, mas eles têm menos importância.

As chamadas 'weapon arts' aparecem como a grande novidade para o combate de "Dark Souls III". Limitadas a partir de uma nova barra entre a vida e o fôlego, que mede os 'Focus Points' (FP), as novas habilidades dão mais versatilidade aos confrontos sem fazer com que eles percam o foco.

Cada arma tem sua 'weapon art' específica, como uma greatsword que pode ser usada um movimento de lançamento por baixo da guarda do inimigo. As ações são mais espalhafatosas do que os comandos de ataque e defesa comuns, mas não parecem fora de lugar. Mais opções de ataque significa mais liberdade para os jogadores e também para os próprios desenvolvedores na hora de criar os monstros.

O sistema de FPs também faz ponta como o fator limitante de feitiços, e curiosamente dá mais liberdade aos aspirantes a magos do que qualquer outro jogo da série. Além dos já tradicionais frascos Estus, jogadores agora devem preocupar-se também com os frascos Ashen Estus, que recarregam FP. Carregando alguns dos novos itens, é possível garantir muito mais viabilidade para estilos de jogo que dependem de vários feitiços no campo de batalha.

Na versão para PlayStation 4, "Dark Souls III" tem uma performance no mesmo nível daquela vista em "Bloodborne"; há quedas na taxa de quadros por segundo, mas a experiência é proveitosa mesmo assim. A grande vantagem em relação ao game da Sony é a redução drástica nas telas de carregamento. No Xbox One, o game tem uma performance mais truncada e roda em uma resolução mais baixa, mas continua perfeitamente aproveitável.

O futuro da série "Souls" é incerto. Mas se o improvável acontecer e a marca for enterrada aqui, a From Software poderá descansar tranquila, sem qualquer peso na consciência. "Dark Souls III" me fez querer mais, mas também poderá servir como um bom ponto de despedida caso tudo acabe aqui.

Nota: 9 (Excelente)

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