Uncharted 4: A Thief's End

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

Estrelada pelo aventureiro Nathan Drake, a série "Uncharted" deu à produtora Naughty Dog prestígio o bastante para o estúdio investir em "The Last of Us", uma obra ousada e emocionante, que fugiu dos padrões de jogos de ação e aventura para criar uma história absolutamente envolvente e emocionante. Tudo isso no já ultrapassado PlayStation 3.

Neste ano, para a estreia de Drake no PS4, veio a retribuição: todo o aprendizado obtido pela Naughty Dog é mais do que evidente em "Uncharted 4: A Thief's End", que não chega a ser o melhor jogo da série - título ainda incontestável de "Uncharted 2"-, mas é uma jornada intensa e intimista como pouco se vê nas grandes produções de hoje em dia e já se consolida como um dos games mais impressionantes do videogame da Sony.

Em linhas gerais, "Uncharted 4" não foge da receita de bolo que rege aventuras deste tipo, sejam elas nos games ou filmes, a exemplo de "Tomb Raider" e Indiana Jones. Surge para o herói a oportunidade incrível de partir em busca de um tesouro lendário. Com a ajuda de amigos e disputando sempre contra rivais menos inteligentes e melhores equipados, Nathan enfrenta uma série de reviravoltas previsíveis com desfechos pouco surpreendentes.

O tempero secreto do game está na aparição do até então desconhecido Samuel Drake, irmão mais velho de Nathan que passou 15 anos preso - mas que Nathan acreditava estar morto. A introdução de Sam causa um turbilhão de emoções no elenco e dá espaço para diálogos saborosos e situações divertidas e fáceis de se relacionar, repletas de trivialidades que, junto aos gráficos impressionantes, dão vida como nunca a este universo.

Ao longo da história, os irmãos conversam bastante, muitas vezes em tom de brincadeira, cheios de informalidades. O veterano Victor Sullivan também marca presença, com um humor educado e pitoresco, que ajuda a dar liga no entrosamento entre os Drakes. Pode até não parecer nada de mais, algo óbvio, mas é justamente aí que está o truque. O relacionamento entre os personagens é tão crível e flui tão bem que ajudam a história a se desenvolver de forma natural e agradável.

Uma herança direta de "Last of Us", por exemplo, são as conversas opcionais que aparecem pelo caminho e permitem saber um pouco mais sobre o que cada personagem pensa ou simplesmente ouvir uma piada ou ver uma cena engraçada - como um lêmure roubando uma maçã de Nathan.

Acabam sendo excelentes colecionáveis opcionais em conjunto com os já tradicionais tesouros e itens espalhados pelas fases para encontrar.

Felizmente, a dublagem do game passa longe do terrível trabalho feito em "Uncharted 3". Algumas vozes se mantém, como as de Nathan e Sully, e, se não impressionam, também não comprometem. Ao menos, o elenco de apoio é brilhante, com interpretações que capturam bem as ironias, convicções e sentimentos de Sam e dos vilões Rafe e Nadine.

Sam reacende em Nathan a paixão pelo perigo, que deixa de lado uma vida pacata ao lado da esposa para rodar o mundo em busca de riquezas. O roteiro é variadíssimo, indo de castelos e cavernas na Itália a savanas africanas e selvas tropicais. Difícil enjoar dos cenários. Para ajudar também, os Drakes volta e meia utilizam veículos como jipes e lanchas que ajudam a mudar um pouco o ritmo da jornada.

Por sinal, outra novidade empolgante é a corda com gancho, utilizada para balançar sobre buracos e puxar objetos. O item dá uma boa renovada no estilo manjado de exploração da série "Uncharted", obrigando jogadores veteranos a pensarem um pouco fora da caixa, em movimentos impossíveis nos games anteriores.

Além disso, brilha também toda a experiência da produtora Naughty Dog em mais de uma década trabalhando com as aventuras de Nathan Drake. Cenários lindos e detalhados dificilmente tornam o caminho confuso, sempre muito bem retratado por plataformas destacadas nas paredes. "Uncharted 4" tem lugar fácil entre os jogos mais bonitos do PlayStation 4, exibindo ambientes grandes e detalhados na maior parte do tempo.

Vale notar, as fases amplas fizeram muito bem aos combates, que deixaram de ser tão lineares e repetitivos para ganhar ares mais estratégicos. Em vez de partir direto para o tiroteio desenfreado é possível planejar o ataque com calma, usando o cenário em seu benefício, para ser mais sorrateiro e eliminar inimigos sem ser visto.

Na medida das aventuras anteriores, "Uncharted 4" é um jogo que pode ser terminado facilmente em cerca de 10 horas e entrega muito mais do que veteranos da série esperam. É uma produção arrojada, com todos os requintes de um blockbuster exclusivo de console, mas marcado por toda a experiência da Naughty Dog com "The Last of Us", que revolucionou a narrativa em jogos de aventura. Claro, não é uma história tão grave e séria como a de Joel e Ellie, mas a relação dos irmãos Drake brilha muito por conta disso.

Nota: 9 (Excelente)

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