I Am Setsuna

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

"I Am Setsuna" parece remake de algum jogo esquecido da era 16-bits, quando RPGs japoneses brilharam nos anos 90 com séries como "Dragon Quest", "Final Fantasy" e "Phantasy Star".

O jogo, já disponível no ocidente em versões para PS4 e PC, infelizmente sem legendas em português, é uma singela homenagem a games dessa época, sendo "Chrono Trigger" a inspiração mais clara. O preço sugerido é de R$ 73 no Steam e R$ 123 na PSN e o jogo está disponível somente em formato digital, via download.

De produção modesta, mas cheia de referências e capricho nos detalhes, "I Am Setsuna" cumpre bem a missão de reviver a nostalgia dos grandes RPGs japoneses do passado, mas sem deixar de lado requintes técnicos atuais, especialmente nos gráficos e músicas.

Não se trata de uma história sobre viagens no tempo, mas sim uma aventura inocente e objetiva, em que heróis de bom coração enfrentam monstros para, claro, salvar o mundo.

A ingenuidade da trama resulta em uma jornada gostosa e fácil de acompanhar, com heróis pitorescos que se aproveitam de todos os clichês do gênero, mas também cativam pelos visuais característicos e sentimentos nobres.

O protagonista é Endir, um mercenário mascarado que não se importa com nada e ninguém a não ser ele mesmo até encontrar a jovem Setsuna, garota que deve fazer uma jornada para se oferecer em sacrifício a monstros e assim garantir a paz a um mundo totalmente coberto de neve.

Toda essa simplicidade se reflete também no sistema de combate, totalmente copiado de "Chrono Trigger" - tanto que um dos primeiros golpes especiais possíveis de se usar chama-se X-Strike, tal qual os heróis Crono e Frog faziam no clássico do Super Nintendo.

Barrinhas se enchem para indicar a vez de cada herói atacar, pontos de experiência levam a novos níveis de evolução que, por sua vez, habilitam novos golpes e magias. Tudo bem simples e direto.

Nas batalhas, a inovação fica por conta do sistema de Momentum. Quando chega a vez de um personagem agir, é possível esperar mais um pouco para preencher outro indicador e acumular pontos (até três, no máximo). Tais pontos podem ser usados para turbinar os poderes, concedendo dano extra ou efeitos adicionais a magias de cura.

Fora dos combates, chama atenção a maneira de obter dinheiro e magias. Derrotar inimigos concede uma imensa variedade de materiais diferentes, que podem tanto ser vendidos para obter dinheiro e comprar equipamentos ou então trocados por pedras Spritnite. Elas funcionam mais ou menos como as esferas Materia, de "Final Fantasy VII", e permitem que o personagem use determinada magia.

A história se prolonga por pouco menos de 20 horas, bem abaixo da médias dos RPGs atuais, mas em sintonia com a experiência retrô que o jogo busca oferecer. Personagens rasos não impedem momentos emocionantes de acontecerem, reforçando a veia nostálgica que "I Am Setsuna" explora.

Ao mesmo tempo, é gratificante reviver todas essas emoções familiares ao lado de um elenco inédito. Seria muito mais fácil e seguro colocar personagens conhecidos de "Final Fantasy" ou até mesmo reviver elencos perdidos no tempo, como o próprio "Chrono Trigger" ou até "Secret of Mana", mas Endir e a doce Setsuna não ficam devendo e figuram bem como caçulas ao lados dos heróis e vilões já consagrados da casa.

De fato, fica a dúvida: por que a Square Enix demorou tanto para dar vida a um projeto desse tipo, revitalizando com gráficos modernos e trilha sonora de alta qualidade a fórmula que deu tão certo no passado em inúmeros cartuchos.

Primeiro fruto da Tokyo RPG Factory, pequeno estúdio criado pela Square Enix com apenas 10 funcionários e um punhado de freelancers justamente para desenvolver projetos menores e nostálgicos, "I Am Setsuna" sinaliza um futuro promissor, em que experiências de ponta, como "Final Fantasy XV", e títulos para celulares e tablets convivem em harmonia com jogos que seguem à risca a receita de sucesso dos anos 90.

Nota: 8 (Ótimo)

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