Análises

F1 2016

Rodrigo Lara

Do UOL, em São Paulo

07/10/2016 11h51

A atual franquia de games oficiais da Fórmula 1, iniciada em 2009 pela Codemasters - em versões para Wii e PSP - guardava uma semelhança incômoda com a atual fase da categoria de automobilismo. Enquanto os primeiros jogos da série, em especial "F1 2011", lançado para PC, PlayStation 3, Xbox 360, Nintendo 3DS e PS Vita, foram bem recebidos, as últimas edições do game não repetiram o mesmo sucesso de crítica e público.

Parte da culpa pelo declínio era da própria Fórmula 1, que encara um período de regulamentos complexos e confusos que, quando transpostos para um jogo de videogame, acabavam por tornar a experiência pouco intuitiva e divertida. Felizmente, com "F1 2016" a Codemasters parece ter achado uma fórmula capaz de equilibrar as características do esporte em um jogo com potencial para agradar tanto quem busca um game de corrida casual quanto os jogadores que curtem passar horas achando o melhor acerto para ganhar preciosos décimos de segundo em um determinado circuito.

Jogue como quiser

A primeira característica notada em "F1 2016" é que ele se trata de um game democrático. E quando o assunto são jogos de corrida, isso passa por não excluir quem utilizará um joystick comum para se divertir. Nesse aspecto, o jogo possui diversas opções de auxílio, como gráficos que mostram o traçado e pontos de frenagem para cada curva ou ainda ajudas como freios ABS (que evitam que as rodas travem), sistema auxiliar de freios (que dá uma ajudinha na hora de desacelerar), controle de tração, entre outros. 

Errou uma curva ou se envolveu em um acidente? Sem problemas: é possível ativar a opção Flashback durante o modo de replay e retornar a um momento antes do incidente.

Se essas opções tiram boa parte do fator simulação, elas se mostram imprescindíveis para quem não tem volantes e pedais à disposição - ainda mais considerando que boa parte dos acessórios que funcionavam com PlayStation 3 e Xbox 360 não são compatíveis com os atuais videogames de Sony e Microsoft. Com essas ajudas totalmente desligadas, controlar o carro utilizando um joystick padrão se torna quase impossível, dado o nível de sensibilidade exigido na hora de acelerar, frear e contornar curvas, em especial as longas que demandam um esterçamento constante.

Quem tiver acesso a um acessório do tipo, porém, encontrará uma experiência bastante fiel à realidade. Há de se considerar, porém, que "F1 2016" não é exatamente um simulador, fazendo um bom trabalho ao ficar mais próximo de games mais realistas para PC do que de títulos com vocação arcade. 

Reprodução
Totalmente licenciado, "F1 2016" conta com todos os pilotos e equipes da temporada deste ano da Fórmula 1 Imagem: Reprodução

Ajuda nesse quesito a boa engine de física do jogo, que permite aos aspirantes a piloto terem uma resposta precisa das reações do carro. Ajustes em itens como suspensão, aerofólios, tipos de pneu e mapa de potência do motor podem ser facilmente percebidos na prática. O mesmo vale para corridas em condições de chuva, que exigem uma pilotagem mais suave, e também para situações nas quais os pneus estão sujos, como ocorre após uma escapada da pista.

Assim como na vida real, o piloto pode comandar alguns ajustes do carro enquanto corre, como equilíbrio de freios, ativação do DRS (asa móvel que pode ser usada em momentos de ultrapassagem) e bloqueio de diferencial.

Outro aspecto visivelmente aprimorado pela Codemasters é a inteligência artificial dos adversários. Conforme se aumenta o nível de dificuldade, eles ficam mais agressivos, mas continuam leais. Em jogos anteriores da série, era comum ter rivais que "surtavam" e acabavam atingindo o carro do jogador ou cometendo barbeiragens inexplicáveis.

Falta variedade

Se em termos de experiência "ao volante" o game da Codemasters se dá bem, o mesmo não é possível de dizer quando o assunto são os modos de jogo. Basicamente, é possível recriar um campeonato aos moldes do que é visto no mundo real, disputar um final de semana de corrida completo (com número de voltas reais ou não), tentar bater tempos da comunidade online do jogo ou encarnar um piloto novato em busca do estrelato na categoria.

Reprodução
Antes de cada treino do modo Carreira é possível cumprir uma programação estipulada pela equipe, o que ajuda a conhecer os traçados e também a conseguir pontos para desenvolvimento do carro Imagem: Reprodução

Os finais de semana de corrida contam com toda a programação de treinos livres, classificatório e corrida. No modo carreira, é possível cumprir programas estipulados pela equipe e, com isso, acumular pontos para que os engenheiros possam aprimorar características dos carros. Ainda nesse modo, há diversas metas, como superar um piloto rival, ser o protagonista dentro da equipe e negociar contratos com outras escuderias.  

Há ainda o modo Carreira Pro, que desabilita todas as ajudas de pilotagem, estabelece metas mais arrojadas e permite apenas a visão de dentro do cockpit, sendo uma opção para quem quer uma experiência mais realista e difícil.

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No modo Carreira também existem as rivalidades entre pilotos e conseguir superar seu principal adversário é uma boa forma de avançar no game Imagem: Reprodução

Já as partidas online podem ser feitas corrida a corrida ou, então, criando um campeonato completo para ser disputado entre amigos. Até 22 jogadores podem participar das sessões de jogo.

Faz falta, por exemplo, o modo clássico visto em "F1 2013", que permitia utilizar carros, pilotos e circuitos históricos da Fórmula 1. Infelizmente, nos jogos seguintes ele acabou desaparecendo. 

Visual impressionante

Desde "F1 2010", o primeiro da atual série para PC, PlayStation 3 e Xbox 360, a franquia se destacou pela qualidade gráfica. Novamente, o trabalho feito nesse sentido merece aplausos, com carros, cenários e condições de pista, como asfalto molhado, trazendo um visual de cair o queixo. 

Outro ponto positivo está no fato de que o jogo roda liso. Durante a avaliação, não houve queda perceptível na taxa de quadros mesmo em condições nas quais há vários carros na tela durante uma corrida com chuva.

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Qualidade gráfica e atenção aos detalhes são pontos altos do game; desempenho técnico do título é invejável Imagem: Reprodução

O som, por sua vez, repete o problema visto na vida real: com a adoção dos motores V6 turbinados, o som dos escapamentos trocou o "grito" agudo por um ronco mais grave e abafado. Isso acaba influenciando na jogabilidade (como, por exemplo, para saber a hora de avançar marchas), mas o problema pode ser contornado ao se ajustar o nível de volume nas opções do jogo. Menus, narração pré e pós-corrida e comunicação por rádio com engenheiros estão em português brasileiro.

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Não apenas as pistas, mas também o seus arredores estão muito bem representados em "F1 2016" Imagem: Reprodução

No final das contas, "F1 2016" acaba sendo um game capaz de agradar quem é fã de jogos de corrida e que procura, mais do que um simulador, um título capaz de divertir. A pouca quantidade e variedade de modos de jogo talvez seja o principal ponto negativo e pode fazer com que sua longevidade seja afetada. Ainda assim, se mostra um game de corrida competente e uma boa adição para quem curte o estilo.

"F1 2016" está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Nota: 8 (Ótimo)

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