Análises

Dragon Quest Builders

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

11/10/2016 15h06

Apresentado ao mundo como uma interpretação japonesa do fenômeno "Minecraft", "Dragon Quest Builders" exala o charme da clássica série de RPGs com referências e tradições, mas é inventivo o suficiente para conquistar até mesmo quem nunca jogou um "Dragon Quest" antes.

O maior mérito de "Dragon Quest Builders" é dar propósito ao que antes era um ciclo indiscriminado de construção e desconstrução. "Minecraft" tem a jornada para derrotar o Dragão do End, mas outros objetivos dependem inteiramente da criatividade do jogador.

"Builders", por sua vez, tem personagens com motivações próprias, um sistema de missões, itens e equipamentos destraváveis, humor e drama, e uma história com começo, meio e fim. E tudo isso sem sacrificar os aspectos de exploração e construção.

O fato de "Minecraft" não ter esses elementos não é um problema: afinal, ter uma narrativa fixa não é a proposta do game. Mas a lista é importante para que "Dragon Quest Builders" transcenda o título de mero clone.

Em um mundo onde o conceito de 'construir' foi perdido, humanos são obrigados a vagar como andarilhos para sobreviver, sempre temendo a ameaça dos monstros comandados pelo maligno Dragonlord.

O jogador assume o controle do Builder - uma figura heróica, mas que não é um herói. Seu dom não é lutar, mas sim construir; e cabe a ele (ou ela) a missão de erguer abrigos para proteger os humanos e dar a eles as ferramentas que eles precisam para prosperar e, enfim, retomar o controle do mundo.

Como em "Minecraft", "Dragon Quest Builders" ocupa os jogadores com a coleta de materiais como madeira, terra, minérios e extratos de monstros, que em seguida devem ser refinados em itens, ferramentas ou construções. O objetivo principal do Builder é criar vilarejos para atrair humanos. Em troca, como em "Dwarf Fortress", os NPCs 'adotados' pelo jogador o retribuem com sua mão-de-obra.

Ao criar uma cozinha, por exemplo, o jogador permite que NPCs preparem alimentos por conta própria, que em seguida podem ser consumidos para saciar a fome do próprio Builder. Cada minuto investido na melhoria de um vilarejo tem um retorno apropriado.

Além dos elementos de gerenciamento, "Builders" tem também um sistema de combate típico de RPGs de ação. O protagonista deve enfrentar monstros clássicos da série "Dragon Quest" enquanto explora o mundo atrás de materiais, e também quando o Dragonlord resolve lançar investidas contra os vilarejos. A soma de tudo isso é uma experiência envolvente mas relaxante, com dezenas de horas de duração até para aqueles que só quiserem ver o final da história.

"Dragon Quest Builders" já está disponível para PlayStation 4 e Vita. Infelizmente, a versão para PS3 do game lançada no Japão acabou descartada no lançamento ocidental, e não há legendas em português.

Nota: 9 (Excelente)

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