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Noites do Terror ou "Walking Dead"? Como sobrevivi a um apocalipse zumbi

Zumbis assustam o público no estande da série "The Walking Dead", na San Diego Comic-Con - Chris Pizzello/Invision/AP
Zumbis assustam o público no estande da série "The Walking Dead", na San Diego Comic-Con Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP

Natália Guaratto

Do UOL, em San Diego (EUA)

20/07/2017 08h36

Em meio a centenas de opções de entretenimento como video games, robôs e salas de realidade virtual, a fila para apreciar um apocalipse zumbi, sem nenhuma firula tecnológica, no estande da série "The Walking Dead", era considerável na noite desta quarta-feira (20), a primeira aberta ao público da 48ª edição da San Diego Comic-Con, maior evento de cultura pop do mundo, nos Estados Unidos.

Natália Guaratto aguardou cerca de 20 minutos na fila para tirar uma foto ao lado do tigre de "The Walking Dead", na San Diego Comic-Con - Natália Guaratto/UOL - Natália Guaratto/UOL
Natália Guaratto aguardou cerca de 20 minutos para entrar no estande
Imagem: Natália Guaratto/UOL
Montada em um espaço rústico, para não dizer tosco, que imita o habitat dos Scavengers, o povo que vive no lixão na série, a experiência é como uma Noites do Terror do Playcenter. Na famigerada rave de Halloween do parque paulistano, criaturas terríveis eram soltas para conviver com os visitantes do complexo. Na Comic-Con é parecido, só que um pouco melhor. A vantagem? Acontece em apenas dez minutos, reduzindo assim as chances de um monstrinho não ir com a sua cara e te perseguir pelo evento.

Para ter um gostinho do que é estar em "The Walking Dead", o participante da feira geek precisou encarar nesta quarta-feira uma fila de 20 minutos, o dobro do tempo que é permitido permanecer na atividade.

Após a espera, devidamente suavizada pela presença de simpáticos monitores vestidos com moletons cinzas, como o que Daryl usou quando ficou em cativeiro no Santuário, é possível tirar uma foto ao lado da Sheeva, a tigresa de estimação do Rei Ezekiel. Pouco impressionante, a versão pelúcia da personagem parece ter sido importada do aniversário com tema de selva da cantora Anitta. Da "Paradinha" direto para a Comic-Con.

Selfie!

A emoção demora, mas finalmente começa quando a zumbi recepcionista surge grunhindo em sua direção. Enquanto ela caminha, fica impossível não se lembrar daquele hit do axé: "É diferente, vem com a gente, quero ver geral pirar". O momento pede que você aja naturalmente, imitando a reação padrão da galera a sua volta, que infelizmente não é fazer a coreografia do morto muito louco, mas sim ficar com medo.

Isso é necessário porque quanto menos medo é demonstrado, mais a profissional do entretenimento zumbi quer fazer o trabalho dela, e a interação pode ficar terrivelmente constrangedora, com ela rangendo os dentes e fazendo movimentos audaciosos perto da sua nuca. Quando o espanto fake não dá certo, a melhor arma para sobreviver ao ataque é o celular.

Se em "The Walking Dead" é preciso um headshot perfeito para conter um walker, na Comic-Con basta apelar para o Instagram. O convite "vamos fazer uma selfie?" vale mais que barras de ouro. Após uma conferida no retrato, você está finalmente liberado do apocalipse. "Não esquece a hashtag", grita a zumbi em um tom chocantemente alegre e divertido. O fim do mundo chegou, é gourmet e até os mortos-vivos são digital influencers.

Cosplayer interage com zumbi no stand da série "The Walking Dead" na San Diego Comic-Con - Chris Pizzello/Invision/AP - Chris Pizzello/Invision/AP
Cosplayer interage com zumbi no estande da série "The Walking Dead" na San Diego Comic-Con
Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP