Jogos

As maiores decepções dos games em 2016

Victor Ferreira

Do Gamehall, em São Paulo

27/12/2016 11h14

Ao contrário de muita coisa - quase tudo, na verdade -, 2016 foi um bom ano para o mundo dos games.

Enquanto vimos mortes de ícones da música, desastres aéreos e constante instabilidade política por todo o mundo, era possível ao menos se distrair com uma excelente variedade de títulos para diferentes plataformas, seja com gigantes como "Doom", "Final Fantasy XV" e "Pokémon GO" até games de nicho como "Stardew Valley", "Firewatch" e "Inside".

Mas nem tudo é perfeito, e vimos diversos tropeços e erros graves vindos de desenvolvedores e outras figuras importantes no mundo dos games.

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    "Battleborn" promete muito e entrega pouco

    Vencedor da categoria de Maior Decepção pela Redação de UOL Jogos, "Battleborn" prometia bastante: uma mistura entre MOBA e jogo de tiro, com dúzias de personagens diferentes e uma campanha single-player própria, cortesia do mesmo estúdio de "Borderlands".

    Ao ser lançado, porém, o game nunca mostrou uma identidade própria, e seus diferentes modos não traziam nada verdadeiramente novo e excitante. Não bastasse isso, o jogo acabou virando o grande rival de "Overwatch" aos olhos do público, e não é preciso dizer que ele não alcançou o destaque do shooter da Blizzard.

    A falta de interesse no game foi tão grande que, em julho, a base de usuários chegou a apenas 641 usuários por todo o mundo. Leia mais

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    "No Man's Sky" mostra os perigos do hype

    Hoje em dia, Sean Murray deve se arrepender amargamente daquele fatídico dia em 2013, onde apresentou ao mundo um pequeno projeto chamado "No Man's Sky", durante o prêmio VGX.

    A ambição do game era incrível, trazendo um Universo inteiro com bilhões de estrelas e planetas a serem encontradas e exploradas, cada local com suas próprias formas de vida e biomas - tudo criado por um pequeno estúdio independente.

    O sucesso da apresentação abriu várias portas para Murray e seus companheiros, incluindo até um contrato de exclusividade com a Sony, mas também trouxe um público voraz por informações, querendo saber mais sobre o que seria possível fazer no game - com respostas quase sempre ambíguas de seu diretor.

    Três anos depois, "No Man's Sky" chegou ao mercado com uma recepção tépida da mídia especializada, que criticou o jogo por não trazer vários elementos prometidos nos trailers e até citados por Murray. O silêncio de meses por parte da Hello Games só serviu para deixar o público ainda mais irado contra o estúdio.

    Não é à toa que, dez dias depois do lançamento, a base de usuários do jogo no Steam havia caído em 91%.

    No fim do ano, os desenvolvedores finalmente atualizaram o jogo com novo conteúdo, mas é improvável que ele volte a alcançar o interesse que tinha no passado, e o que poderia ser um game independente promissor tornou-se um exemplo de como o hype e falsas promessas podem acabar com um projeto.

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    O desastroso lançamento de "Street Fighter V"

    Em termos de pura mecânica e jogabilidade, "Street Fighter V" é um jogo excelente para fãs do gênero de luta.

    Infelizmente, não há muito mais de positivo a ser dito sobre o game.

    Lançado em fevereiro, o mais novo título da icônica franquia da Capcom tinha tudo para ser um dos grandes games do ano. Ao invés disso, "Street Fighter V" chegou às lojas de forma incompleta, sem diversos modos básicos de qualquer jogo de luta, problemas de conectividade e até falta de sistema de punição para fujões de partidas - os chamados "rage quitters".

    A Capcom passou meses retrabalhando o game, com vários atrasos em atualizações e personagens novos. Para se ter uma noção, o modo Arcade, em que o jogador luta contra o computador, só chegou 7 meses depois do lançamento.

    Somado a outras trapalhadas da Capcom, como transformar a versão de PC do game em um rootkit para malware, não é à toa que "Street Fighter V" vendeu bem abaixo do esperado, e fez a publisher repensar o controle de qualidade de seus lançamentos futuros.

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    "Mighty No. 9" não honra o legado de "Mega Man"

    Falando de Capcom, fãs de "Mega Man" tiveram que sofrer sua própria decepção neste ano com o lançamento de "Mighty No.9", que prometia ser uma espécie de sucessor espiritual da série, mas que acabou ficando bem abaixo das expectativas.

    Elaborado pelo produtor e artista Keiji Inafune, o game foi um dos grandes projetos do "boom" inicial do Kickstarter, que gerou títulos como "Broken Age", "Pillars of Eternity" e "Wasteland 2"

    O problema é que, ao contrário dos jogos acima, "Mighty No. 9" viveu sob constante controvérsia, de impressões iniciais negativas até controvérsias envolvendo outros projetos financiados por Inafune, como o fracassado "Red Ash".

    Quando finalmente chegou às mãos dos jogadores, o game pouco tinha do charme do robozinho azul da Capcom, sendo um clone pouco interessante de seu progenitor.

    A esperança agora é de que, com o interesse renovado da Capcom de desenterrar algumas de suas franquias antigas, a publisher volte a dar respeito a um de seus maiores nomes. Leia mais

  • INTZ tem desempenho fraco em Mundial de "League of Legends"

    Com um início impressionante, ao derrotar a equipe chinesa Edward Gaming, parecia que os brasileiros da INTZ seriam a grande surpresa do Mundial de "League of Legends".

    Infelizmente, o desempenho inicial da equipe tupiniquim não se repetiu pelo resto do torneio, e a INTZ acabou sendo eliminada ainda na fase de grupos.

    Desde então, o time tem sofrido com uma série de problemas diferentes, desde a saída de três de seus principais jogadores - Gabriel "Revolta" Henud, Felipe "Yang" Zhao e Gabriel "Tockers" Claumann - e um escândalo de aliciamento envolvendo o jogador Gustavo "SacyR" Rossi da RED Canids, que também levou à suspensão de Luan "Snk" Rodrigues.

    Com tudo isso, é provável que a INTZ precise de um bom tempo para reconquistar seu antigo prestígio.

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    Realidade Virtual não vinga

    Após passar os últimos anos como o próximo passo no mundo do entretenimento digital, os óculos de realidade virtual finalmente chegaram ao mercado, e foram recebidos da forma mais apática possível pelo público.

    Seja pelo preço elevado, limitações técnicas, necessidade de muito espaço para funcionar ou por falta de jogos e conteúdo chamativo, nenhum dos três grandes dispositivos despontou significativamente.

    O maior "perdedor" deste ciclo inicial é, curiosamente, o Oculus Rift, que não ofereceu grandes vantagens sobre seus competidores, só recebendo um controle de movimento no fim deste ano. As peripécias de seu CEO, Palmer Luckey, que financiou secretamente uma campanha negativa de um grupo de extrema direita contra a candidata à Presidência dos EUA Hillary Clinton, também não ajudaram as coisas.

    O HTC Vive, por outro lado, é o aparelho mais poderoso, mas seu preço elevado - US$ 800! - e necessidade de espaço significativo para funcionar direito não ajudam seu caso

    O PlayStation VR parece ser a melhor escolha do mercado neste momento, por ter um valor mais acessível e já ter uma grande base instalada de usuários do PS4. Ainda assim, a este ponto é difícil saber qual será o rumo desta tecnologia daqui para frente. Leia mais

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    Xbox One S, PS4 Pro e PlayStation VR não chegam oficialmente ao Brasil

    Ainda no assunto do PlayStation VR, o dispositivo ainda não tem data de lançamento oficial no Brasil, com a própria Sony dando previsão de lançamento para "até março de 2018".

    Já os consoles Xbox One S e PlayStation 4 Pro, que chegaram a outros países em agosto e novembro, respectivamente, nem tem previsão de lançamento por aqui. A Microsoft, pelo menos, disse que a nova versão de seu console será fabricado por aqui, enquanto a Sony revelou que prefere se focar na versão antiga do PS4 ao Pro.

    A crise econômica do país certamente é um fator importante para esta falta de priorização por parte das empresas, mas também traz receio de que o Brasil volte a ser um mercado de segunda linha para a indústria de games.

    E nem vamos falar do mini NES...

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    PS4 Pro não é lá tão Pro assim

    Após uma série de rumores e vazamentos, a Sony revelou o PlayStation 4 Pro, uma versão mais potente de seu console capaz de rodar jogos em resolução 4K.

    Os benefícios do console, porém, são poucos para quem não tem uma TV Ultra HD e tecnologia HDR. Muitos jogos rodam melhor em resolução 1080p no PS4 Pro, mas os ganhos não são tão significativos para valer uma troca.

    O futuro parece ser mais promissor para o Pro, com jogos como "The Last Guardian" rodando em taxa de quadros estável comparado com o PS4 normal, mas por enquanto o novo console não passa de um item de luxo para donos de TVs com 4K. Leia mais

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    O triste fim do Nintendo Wii U

    Sim, todos nós sabíamos que era inevitável. Não deixa de ser deprimente.

    O Nintendo Wii U é uma lição em como não elaborar e vender uma nova plataforma. Desde seu nome, até sua revelação inicial - em que era difícil saber se ele era um console, ou só um controle diferente para o Wii -, até decisões de design questionáveis, tudo isso influenciou a péssima performance da máquina no mercado.

    Lançado um ano antes do que o resto da competição, o Wii U acabou sendo rapidamente ultrapassado pelo PS4 e Xbox One, e amargou com baixas vendas pelo resto de sua história.

    Isso não quer dizer que o console não tenha méritos, já que tem alguns dos melhores títulos exclusivos dos últimos anos: "Mario Kart 8", "Splatoon", "Super Smash Bros.", "Super Mario Maker" (não vamos considerar a tristeza que é a versão para 3DS), "Bayonetta 2", "Xenoblade Chronicles X", "Tokyo Mirage Sessions"... a lista é surpreendentemente grande.

    Mesmo assim, os erros cometidos pela Nintendo custaram caro, e a empresa tem que fazer melhor com sua próxima plataforma, o Switch. Leia mais

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    Steam é inundado por títulos descartáveis

    Uma das estatísticas mais impressionantes de 2016 foi a descoberta de que quase 40% dos jogos no Steam foram lançados neste ano.

    Mesmo descontando alguns jogos em Acesso Antecipado que estão à venda por algum tempo que finalmente foram lançados oficialmente ("Darkest Dungeon", "Starbound"), este ainda é um número chocante, e mostra os problemas com o sistema de controle de qualidade da Valve.

    Não é segredo que a empresa de Gabe Newell não gosta de ser controladora, deixando os próprios usuários ditarem o que deve ou não ser popular e priorizado na plataforma.

    O problema é que nenhuma das soluções propostas pela Valve funciona direito: o sistema de curadoria tem falhas graves, as análises de usuário nem sempre são confiáveis, e os algoritmos de recomendação para usuários às vezes mostram jogos bizarros e pouco interessantes para o usuário.

    Não é preciso ser tão dracônico quanto a Nintendo, por exemplo, mas a Valve precisa melhorar seu controle de qualidade de produtos o mais cedo possível, já que isso pode levar jogos excelentes mas pouco conhecidos a serem soterrados por shovelware Leia mais

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