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Mídia física ou digital? Jogadores mostram preferências e ajudam na decisão

Rodrigo Lara/Gamehall
Ocupar espaço no armário ou no videogame? A dúvida, cada vez mais comum, envolve diversos fatores e depende muito do gosto e do bolso dos jogadores Imagem: Rodrigo Lara/Gamehall

Rodrigo Lara

Do Gamehall

10/12/2015 10h00

Considerando que somente na atual geração de consoles todos os jogos lançados podem ser obtidos por meio da distribuição digital, é possível dizer que esse método de compra, tão comum nos PCs, ganhou popularidade recentemente entre os jogadores dessa plataforma. Enquanto uns comemoram a praticidade de poder adquirir um game a qualquer hora e sem levantar do sofá, outros não abrem mão da sensação de tirar o plástico da caixa, colocar o disco no drive do videogame e jogar. 

Prática, mas não unânime, a distribuição digital enfrenta resistência entre a "turma da caixinha". Um dos argumentos frequentemente utilizados diz respeito ao armazenamento interno dos consoles, consumido rapidamente com os downloads caso o seu proprietário decida ter uma biblioteca de games 100% digital. Especialmente no Brasil, os defensores das cópias digitais descarregam sua barra de especial apelando para uma das partes mais sensíveis do corpo humano: o bolso. Por aqui, ultimamente os lançamentos em disco têm custado mais caro do que seus pares digitais. 

Com argumentos tão distintos, UOL Jogos ouviu jogadores "dos dois lados", que contaram suas experiências e ajudaram a traçar os prós e contras existentes ao se adotar um ou outro tipo de distribuição. Confira!

Mídia física ou digital: qual escolher?

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    Pagar mais barato ou parcelar?

    A alta do dólar é apenas um dos reflexos do momento econômico turbulento atravessado pelo país, mas que acaba afetando diretamente o preço dos games vendidos em mídia física. Não raro, o mesmo jogo é comercializado nas lojas online dos consoles por um preço consideravelmente inferior em relação ao cobrado por uma cópia física.

    O contra-ataque das mídias físicas surge com a possibilidade de parcelar sua compra, opção oferecida por praticamente todos os grandes varejistas. Caso seja utilizado com responsabilidade, o parcelamento pode garantir sua diversão mesmo em tempos de vacas magras.

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    Rápido, mas espaçoso

    A praticidade da distribuição digital é um fator atraente. "Você liga o console, compra o jogo e em algumas horas já pode jogar. Essa é a principal razão que me faz utilizar esse tipo de serviço", conta o engenheiro Nelson Soares, de 31 anos.

    Ele explica que já foi o tipo de jogador que rejeitava games sem caixinha, mas que isso mudou com o tempo. "Acredito que, hoje, 90% dos meus jogos sejam em formato digital. Só compro jogo físico quando encontro preços muito bons, mas, ainda assim, várias vezes há promoções exclusivas nas lojas online e acabo aproveitando", diz. Sobre o espaço para o armazenamento, ele diz que isso não é um problema no seu caso. "Como não tenho tanto tempo para jogar acabo não me importando com isso. Jogo apenas um game por vez, basicamente, e sempre que termino eu desinstalo".

    Enquanto o Nintendo Wii U praticamente exige a compra de um dispositivo de armazenamento externo, o PlayStation 4 e o Xbox One têm, em suas versões mais básicas, discos rígidos de 500 GB. O PS4 permite a expansão com a troca do HD interno, enquanto o Xbox One utiliza HDs externos conectados por USB. Quem quiser mais espaço para manter uma biblioteca digital sem precisar ficar desinstalando games precisará desembolsar uma quantia razoável, já que um HD com 2 TB de capacidade, por exemplo, custa cerca de R$ 400.

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    Passando para a frente

    Uma vantagem de quem adquire jogos em mídia física é a possibilidade de revenda. "É um atrativo, sem dúvidas. Dependendo do caso, é possível até mesmo reaver o valor integral pago no jogo", conta o estudante de medicina Henrique Cardoso, de 24 anos. Para isso ocorrer, contudo, é necessário vender o game próximo da sua janela de lançamento, o que só seria possível no caso de jogos curtos ou, então, quando ele acaba não agradando.

    "Outro ponto que considero é que alguns jogos acabam ganhando status de clássico e seu preço de revenda pode aumentar. Isso não é regra, já que a tendência da maioria dos games é perder valor com o passar do tempo", aponta. Ou seja: aquela caixinha que você guarda no fundo do armário, perdida, esquecida e solitária, pode se transformar em um tesouro dentro de alguns anos. "Só acabo comprando mídias digitais quando esse é o único meio de distribuição. Sei que é uma tendência para o futuro e se os discos deixarem de ser comercializados, terei que migrar. Melhor isso do que ficar sem jogar".

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    O que é meu, é nosso

    O empréstimo é um dos pontos que joga a favor de quem compra games em mídia física. "Ainda que eu pague mais caro por comprar jogos assim e, muitas vezes, tenha que esperar eles serem entregues, a possibilidade de pegar um game emprestado me agrada. É uma boa possibilidade de testar um jogo e tirar a dúvida se devo ou não comprá-lo", argumenta Henrique.

    Por outro lado, quem é adepto das versões digitais tem no compartilhamento de contas um atrativo. Basicamente, utiliza-se uma brecha criada pelo fato dos games comprados ficarem atrelados às contas dos jogadores, permitindo, por exemplo, que eles utilizem seus jogos em consoles de amigos.

    A prática, por razões óbvias, não conta com suporte de empresas como Sony e Microsoft, mas também não há, necessariamente, ações concretas das companhias para combatê-la.

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    Para guardar e recordar

    Cópias físicas de jogos têm um trunfo importante em relação às suas versões digitais: a possibilidade de se criar uma coleção de jogos. "Hoje não vendo nenhum jogo ou console que compro. Há alguns anos, passei para a frente um Neo Geo CD por R$ 60 e, hoje, você não acha um por menos de R$ 500. Imagina se eu não me arrependo", lamenta o designer Alexandre Romero, de 31 anos.

    Edições de colecionador dos jogos, com itens como estátuas, também só estão disponíveis nas versões físicas dos games. "Já comprei mais edições de colecionador, mas hoje, por preço e espaço, esse tipo de aquisição tem sido mais rara", afirma o jogador, que tem um acervo com games de NES, Mega Drive, PlayStation 3, Xbox 360, PlayStation 4, entre outros.

    Alexandre, contudo, reclama da falta de capricho vista atualmente nas cópias físicas dos jogos. "Antigamente, abrir um novo jogo era um verdadeiro ritual. A gente perdia um bom tempo vendo o manual dos games antes de jogar. Hoje é só caixinha, um folheto e disco. Achei muito bacana, por exemplo, a cópia física do 'The Witcher 3', que trazia mapa, carta da CD Projekt Red e luva. Era uma apresentação que dava gosto e tenho certeza que muita gente só comprou a versão física por isso", comenta.

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    Afinal, qual é a melhor?

    Considerando argumentos racionais como preço e praticidade, a vantagem fica quase que totalmente com as cópias digitais. Mantê-las em ordem, por exemplo, é muito mais simples do fazer o mesmo com as caixinhas - afinal, ainda não inventaram um armário com um botão para organizar de A a Z os itens guardados. "Eu sempre comprava jogos em mídia física, mas, hoje, todos os lançamentos também têm suas cópias digitais. E, com a grande desvalorização dos games em disco que eu tinha, eu acabava preferindo guardá-los no armário a vendê-los. Esse foi um dos motivos que fez eu migrar para as versões digitais", aponta Nelson.

    Por outro lado, o apelo sentimental das cópias físicas ainda é forte entre os jogadores. "Comecei a jogar na década de 1990 e acostumei a ter caixinhas. Sei que não há vantagem na minha escolha pela compra de jogos em disco, é algo totalmente subjetivo. Eu simplesmente gosto de ter o jogo na embalagem na prateleira de casa. No caso da distribuição digital, eu não sinto que o jogo é realmente meu", explica Henrique.

    O mercado, por sua vez, aponta uma tendência: a preferência cada vez maior dos jogadores pelas cópias digitais. Segundo a consultoria SuperData, em outubro de 2015 o mercado desse segmento atingiu os US$ 5,5 bilhões, com a receita dessa modalidade de venda nos consoles chegando a US$ 375 milhões, 14% a mais em relação ao acumulado de 2014 no mesmo período.

    A escolha entre um ou outro método de compra deverá depender do gosto dos jogadores por um bom tempo, diante do improvável desaparecimento das cópias físicas. Os números, contudo, mostram que a há uma boa chance de que a distribuição digital se firme como a principal fonte de renda dos consoles em um futuro próximo.