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Muito além do Superman: conheça HQs aclamadas que não têm super-heróis

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Victor Ferreira

Do Gamehall, em São Paulo

27/09/2017 05h00

Alguns meses atrás, fizemos uma lista com sugestões de por onde começar a ler histórias em quadrinhos de super-heróis, tanto da Marvel quanto DC Comics.

O mundo da nona arte, porém, é bem mais vasto do que histórias envolvendo pessoas que usam colant e cueca por cima das calças.

Graças especialmente ao mercado de independente, os quadrinhos já retrataram uma infinidade de narrativas diferentes, que vão desde histórias mais fantasiosas e alegóricas até retratos realistas da condição humana - e, em certos casos, as duas coisas.

Por isso, UOL Jogos fez uma lista - certamente incompleta - com alguns dos maiores trabalhos da nona arte, que não envolvam - ou pelo menos, não diretamente - nenhum super-herói.

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    "Maus: A História de um Sobrevivente", de Art Spiegelman

    Talvez a graphic novel mais aclamada e artisticamente reconhecida de todos os tempos, "Maus" mostra o poder das HQs de contar uma narrativa importante e envolvente, ao retratar a vida do pai do artista Art Spiegelman, Vladek, um judeu polonês que sobreviveu aos horrores do Holocausto e o campo de extermínio de Auschwitz.

    Usando animais para definir as nacionalidades e etnias dos personagens - judeus são ratos, alemães são gatos, poloneses porcos, e por aí vai -, Spiegelman usa a natureza mais "infantil" pela qual os quadrinhos são conhecidos para traçar a história de seus pais, assim como seu próprio relacionamento com Vladek.

    "Maus" também se destaca, ironicamente, por não dar uma visão "romântica" aos eventos e pessoas envolvidas nele: Vladek, ao menos aos olhos do filho, age muitas vezes como um homem mesquinho, ranzinza, codependente e racista. Ainda assim, sua história se mantém cativante, repulsiva, chocante e emocionante até a última página.

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    "Nova York: a vida na grande cidade", de Will Eisner

    Uma coletânea composta por quatro graphic novels escritas entre os anos 1980 e 1990, "Nova York" retrata a vida cotidiana dos moradores da grande metrópole americana em pequenas vinhetas de uma ou duas páginas, muitas vezes sem diálogos, mas sempre cheio de emoção e sentimento, todo estruturado de forma simples mas criativa do mestre Will Eisner, um dos maiores nomes do mundo dos quadrinos.

    Quem puder também procurar "Um Contrato com Deus", outra obra de Eisner que popularizou a ideia das graphic novels e que traz uma temática semelhante, embora seja um pouco mais difícil de encontrar edições brasileiras da HQ.

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    "Hellblazer"

    Uma das grandes obras do selo Vertigo, a série "Hellblazer" mostrou a natureza mais adulta da DC Comics ao mostrar a vida problemática do sósia de Sting e feiticeiro John Constantine, que enfrenta uma série de criaturas sobrenaturais (e nem tão sobrenaturais) na Inglaterra contemporânea.

    Em seus 25 anos de publicação, entre 1988 e 2013, a série foi marcada por fases excelentes de roteiristas e artistas, mas nenhuma mais popular que a de Garth Ennis, que escreveu arcos clássicos como "Hábitos Perigosos", em que Constantine descobre estar morrendo de câncer, usando toda a sua inteligência e poder mágico para salvar sua vida e adiar sua ida ao Inferno.

    Esta história acabou servindo de base (mal e mal) para o filme "Constantine", de 2005, estrelado por Keanu Reeves.

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    "Sandman", de Neil Gaiman e vários artistas

    Outro grande produto da Vertigo e trabalho que popularizou o nome de Neil Gaiman dentro e fora do mundo dos quadrinhos, "Sandman" usa de várias mitologias, contos, lendas urbanas e - claro - sonhos para criar uma das histórias mais fascinantes e complexas do gênero de fantasia nos últimos anos.

    Seguindo o protagonista, Sonho (também conhecido como Morpheus), o leitor é apresentado a um universo repleto de magia e segredos ocultos, enquanto serve até de comentário e análise sobre a natureza dos sonhos e seus impactos na civilização

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    "Preacher", de Garth Ennis e Steve Dillon

    Outra grande obra de Garth Ennis, "Preacher" conta a história de Jesse Custer, um reverendo desiludido que recebe o poder da Voz de Deus ao ser possuído por uma entidade conhecida apenas como Gênesis.

    Após descobrir que o Todo Poderoso abdicou do Trono dos Céus, Jesse parte junto com sua ex-namorada Tulip e o vampiro Cassidy em busca Dele, cruzando com uma série de figuras bizarras e perigosas no caminho, do aterrorizante Santo dos Assassinos até o pobre coitado do Cara de Cu.

    Além da HQ, "Preacher" agora também é uma série de TV produzida pelo canal AMC (mesmo de "Breaking Bad") e estrelada por Dominic Cooper como Jesse Custer. No Brasil, o seriado pode ser conferido pelo serviço de streaming Crackle.

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    "Ronin", de Frank Miller

    Primeiro trabalho original de Frank Miller para a DC Comics, "Ronin" é a história de um samurai que perde seu mestre após o ataque do demônio Agat.

    Após sacrificar sua vida para derrotar a abominação, tanto o ronin quanto Agat são reencarnados em uma Nova York cyberpunk e distópica, reiniciando uma batalha que pode destruir a cidade - e o mundo.

    Inspirado por mangás e outros exemplos de arte japonesa e oriental, "Ronin" virou um clássico pela incrível arte de Miller e sua estruturação pouco convencional de cada quadrinho, que chegaria a usar em outra obra famosa: "O Cavaleiro das Trevas".

    "Ronin" foi extremamente influente entre artistas e quadrinistas, sendo citado como principal inspiração para o desenho "Samurai Jack" e até na criação das Tartarugas Ninja.

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    "Do Inferno", de Alan Moore e Eddie Campbell

    Alan Moore mudou o mundo dos quadrinhos de super-herói com "Watchmen", e até brincou com conceitos parecidos em "V de Vingança" e "A Liga Extraordinária", mas "Do Inferno" talvez seja a obra-prima do autor.

    Usando como base a teoria (improvável) de que o assassino em série inglês Jack, O Estripador era na verdade Sir William Gull, médico da Família Real, Moore faz uma desconstrução da sociedade vitoriana do fim do século XIX, e conclui que não só a sociedade do espetáculo, como todo o século XX, foi formado com esta onda de crimes.

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    "Transmetropolitan", de Warren Ellis e Darick Robertson

    Obra máxima do inglês Warren Ellis, "Transmetropolitan" é uma HQ cyberpunk estrelada por Spider Jerusalem, um jornalista claramente inspirado ícone da contra-cultura dos anos 1960, Hunter S. Thompson.

    À contragosto, Jerusalem deixa sua aposentadoria para voltar à civilização, onde seu trabalho o coloca de cara a cara com cultos, instituições e corporações monolíticas e até mesmo dois presidentes dos EUA, sobrevivendo apenas com base em sua inteligência e capacidade de ser um cretino ainda maior do que seus oponentes.

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    "The Walking Dead", de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard

    Em 2003, muito antes dos zumbis saturarem a cultura pop como um todo, Robert Kirkman e Tony Moore lançaram "The Walking Dead", uma HQ que mostrava um mundo destruído por uma invasão de mortos-vivos sob os olhos do policial Rick Grimes, líder de um pequeno grupo de sobreviventes.

    Mais do que a violência e a presença dos zumbis, o que tornou a série tão popular entre os fãs de quadrinhos foi o drama humano, apresentando uma série de conflitos entre personalidades interessantes e mortes inesperadas.

    "The Walking Dead" se tornou tão popular que gerou uma franquia de videogames, livros, e uma ou outra série de TV que você deve conhecer.

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    "Y: O Último Homem", de Brian K. Vaughan e Pia Guerra

    Da mente de Brian K. Vaughan (da popular série "Fugitivos", da Marvel), "Y: O Último Homem" passa-se em um mundo devastado por uma misteriosa epidemia que matou todos os animais da Terra com cromossomo Y, com exceção de dois indivíduos: o jovem americano Yorick Brown e seu macaco, Ampersand.

    Junto da agente especial conhecida apenas como 355 e a geneticista Alison Mann, Yorick parte em uma jornada tanto para tentar salvar a raça humana (não, não daquele jeito) e reencontrar sua namorada, Beth, que estava na Austrália quando a tragédia aconteceu.

    "Y: O Último Homem" funciona tanto ao explorar os conflitos internos de seu protagonista - que além de truques de mágica e um diploma em letras é basicamente um peso morto - como nas formas em que uma sociedade composta exclusivamente de mulheres tenta se adaptar a sua nova realidade.

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