PlayStation

Beta de "Gran Turismo Sport" mostra que série ainda vive no passado

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Quem espera inovação irá se decepcionar com "Gran Turismo Sport"; apesar de belo, game ainda traz problemas que acompanham a série há 20 anos Imagem: Reprodução

Rodrigo Lara

Do Gamehall

25/05/2017 12h24

O PlayStation 4 foi lançado no final de 2013, o que significa que o primeiro "Gran Turismo" para o atual console da Sony só chegará quando o aparelho tiver por volta de quatro anos de mercado.

É tempo em excesso para uma série que, mais do que entreter fãs de games de corrida, também é frequentemente usada para demonstrar o poderio visual e de processamento de consoles da Sony e que, ao longo dos anos virou sinônimo da mistura entre "carros" e "videogames".

O pior aspecto dessa demora é que, ao jogarmos o beta fechado de "Gran Turismo Sport", vemos que o longo tempo de desenvolvimento faz com que o jogo chegue ao mercado - o que está previsto para acontecer no final deste ano - um tanto datado. E aqui não falamos em termos visuais, estes sempre competentes em games da série, mas sim sobre mecânicas de jogo e questões técnicas.

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Beta de "Gran Turismo Sport" tem três pistas em rotação diária; corridas acontecem com hora marcada Imagem: Reprodução

Familiaridade

O beta de "Gran Turismo Sport" está disponível apenas para alguns jogadores e funciona da seguinte maneira: há três pistas, que rotacionam durante a semana e, ao longo do dia, é possível jogar em todas elas no modo Sport. "Jogar", no caso, não significa enfrentar oponentes reais ou virtuais, mas sim correr sozinho para marcar tempo e descobrir macetes de cada circuito. 

As corridas, de fato, ocorrem com horário marcado todos os dias e acontecem, geralmente, à noite. É nesse momento que os jogadores poderão enfrentar adversários reais, em grids de até 18 competidores. Ao menos no beta, não há um sistema de lobby, sendo que o jogo faz o pareamento entre os competidores de maneira automática.

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Interface do game continua charmosa, mas no beta só foi possível experimentar corridas online e tomadas de tempo Imagem: Reprodução

De maneira geral, as corridas em si funcionam bem, sem engasgos ou bugs. A Polyphony Digital optou por manter um sistema que transforma os carros em "fantasmas" sempre que há algum tipo de acidente, como forma de uma barbeiragem não atrapalhar outros corredores. Eu, particularmente, não gosto disso, mas resta saber se haverá meios de ativar e desativar a função no game final.

A sensação ao pilotar um carro no game é de extrema familiaridade. Sim, a jogabilidade foi temperada aqui e ali e, em alguns aspectos, ficou mais fácil jogar utilizando um controle comum. Jogar "Gran Turismo Sport", contudo, é algo que fará os fãs mais antigos da franquia se sentirem "em casa". 

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Visão interna em "Gran Turismo Sport" é bem detalhada e exige uma boa dose de treino para ser dominada Imagem: Reprodução

E isso pode ser bom, mas tem um lado ruim.

Estamos mesmo em 2017?

Confesso que me fiz a pergunta acima sempre que batia o carro contra uma paredes, guard-rails e outros competidores ou, ainda, quando ouvia o ronco de algum carro que já dirigi na vida real. No primeiro caso, infelizmente, eu já estive envolvido em acidentes o suficiente para saber que um carro não se choca contra alguma estrutura como se fosse uma caixa de sapatos. Já o sistema de danos, mesmo após uma batida em altas velocidades, continua a mostrar apenas arranhões, alguns deles menos aparentes do que se fossem consequência de uma manobra desastrada em um estacionamento. 

Veja uma volta completa por Nürburgring em "Gran Turismo Sport"

Já sobre os sons, a Polyphony Digital afirmou que melhorou esse aspecto do game. De fato, o ronco dos motores está ligeiramente mais alto e se sobressai ao grunhido dos pneus durante as curvas. Ainda assim, para citar um exemplo: o Mitsubishi Lancer Evolution X, um dos carros disponíveis no jogo, foi minha primeira escolha, simplesmente por ter sido um dos últimos carros esportivos que dirigi até o momento. 

Enquanto a jogabilidade em si me fez lembrar do carro, mesmo usando um controle convencional (ponto para a Polyphony nesse aspecto), o som em nada pareceu o que eu ouvia ao acelerar o modelo. E não adianta mudar a câmera: a impressão que fica é que o ronco dos carros, salvo alguma exceção, ainda soa como se houvesse uma batata no escapamento ou fosse proveniente de uma enceradeira.

Outro ponto que constantemente é alvo da insatisfação dos jogadores é a inteligência artificial dos competidores controlados pela máquina. Por meio do beta, não foi possível testar se os corredores "do videogame" ainda andam em filas pelas pistas. Apesar de presente no game, o modo carreira não deverá ser a ênfase de "Gran Turismo Sport", o que justifica que jogadores escaldados nesse sentido fiquem com o pé atrás para essa modalidade de jogo. Ainda mais quando há games concorrentes, como "Forza", que usa um sistema capaz de tornar os adversários imprevisíveis. 

Já alguns avanços como ciclo de dia e noite e clima dinâmico, vistos em "Gran Turismo 6", desapareceram completamente em "Gran Turismo Sport".

Como dito acima, pilotar os carros usando um controle ficou mais simples. Os auxílios de jogabilidade aparecem de maneira mais abrangente, permitindo que opções  distintas sejam reguladas antes da corrida e, algumas delas até mesmo em tempo real, como controle de tração e outras funcionalidades do carro. Nunca foi tão simples dar uma volta completa e sem erros, por exemplo, no tortuoso traçado de Nürburgring, algo que exigia mais dos jogadores em versões anteriores do game. 

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Mais do que nunca, ajustar a configuração do carro será um diferencial para as corridas; aspirantes a mecânico tendem a se dar melhor nesse caso Imagem: Reprodução

De qualquer maneira, nesse ponto o jogo segue o velho esquema de não ser nem simulador, nem jogo arcade. É o tradicional meio-termo, levemente mais puxado para a simulação.

Falta emoção

"Gran Turismo Sport" até se esforça para atingir o lado emocional dos jogadores, desde a apresentação com a clássica música tema da franquia, até seu visual de primeira (em especial para jogadores que utilizam TV com suporte a HDR) e os menus que transmitem uma sensação de refinamento. Eu, honestamente, trocaria tudo isso pelo som de escapamento estourando em carros mais bravos - o que se vê, por exemplo, em "Assetto Corsa", "Forza Motorsport" (e "Horizon" também) e "Project Cars".

Dentre todos esses games, é provável que "Gran Turismo Sport" se destaque somente nos gráficos. E isso, talvez, seja um sinal para que a Polyphony Digital passe a se concentrar menos nos gráficos (chegamos a um ponto de fotorrealismo que olhos comuns já não notam mais os avanços nesse sentido) e mais na diversão, criando uma experiência mais orgânica.

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Assim como seus antecessor, "Gran Turismo Sport" mesclará pistas reais e fictícias; quem tiver uma TV com suporte a HDR poderá desfrutar dos gráficos mais realistas do PS4 Imagem: Reprodução

No final das contas, esse contato inicial com o novo "Gran Turismo" deixa um gosto meio amargo. "Sport" acaba sendo pouco diante de uma franquia que, há 20 anos, praticamente criava um nicho (o de games de corrida "simuladores, mas nem tanto"). Até mesmo em pontos fortes da série, como o número de carros, mostra uma regressão - serão 140, mesma quantidade do jogo inaugural.

É algo preocupante para os fãs da série em um game que, segundo seu criador, Kazunori Yamauchi, seria o início de uma "nova geração" para a franquia. Resta esperar - muito tempo, como é de praxe - que um possível "Gran Turismo 7" traga, de fato, inovação e dê ênfase à diversão. Em "Gran Turismo Sport", infelizmente, nada disso acontece.

Conheça "Dragon Tail", pista inédita de "Gran Turismo Sport"

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