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The Witcher 3: Wild Hunt

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

29/01/2015 16h10

  • Divulgação

    Em "The Witcher 3" vocêé o feiticeiro Geralt de Rivia, um caçador de monstros

Geralmente, ao pensar em games de orçamento elevado, daqueles que vendem milhões de unidades e são badalados como filmes de Hollywood, imaginamos que são feitos por estúdios nos EUA ou no Japão, no máximo em grandes centros na Europa, como a França e a Inglaterra. Mas uma das maiores produções de 2015, "The Witcher 3: Wild Hunt" vem de um berço mais exótico: a Polônia, lar do estúdio CD Projekt RED.

Baseada nos romances do também polonês Andrzej Sapkowski, a série "The Witcher" nasceu no PC, passou pelo X360 em 2012 e chegará também aos consoles de nova geração PlayStation 4 e Xbox One em maio. O terceiro jogo da franquia, "Wild Hunt" promete ser o maior RPG já feito. Para isso, aposta em tecnologia de ponta, um roteiro digno de "Game of Thrones", atores famosos e no capricho dos ambiciosos criadores: o game já foi adiado mais de uma vez para evitar as típicas falhas e 'bugs' de jogos desse porte.

Mas as coisas nem sempre foram tão fáceis para os poloneses da CD Projekt.

"Foi um longo caminho", relembra o co-fundador da CD Projekt, Marcin Iwinski, em entrevista ao UOL Jogos. "Me lembro quando fizemos a primeira demo do 'Witcher' original, eramos apenas 4 caras sem muita noção de como fazer jogos. Abrimos nossa empresa para distribuir e traduzir games para polonês. Só queríamos fazer coisas bacanas para encorajar os jogadores a comprar jogos no mercado formal e de repente, estávamos exibindo essa demo em uma turnê pela Europa".

"Foram umas 20 apresentações, passamos por empresas como Take Two, Koch Media e outras.  Duas semanas depois, recebemos os primeiros emails dos publishers: 'Seu jogo é uma droga'. Foi assim que começamos". Depois disso, a CD Projekt, que distribuia os jogos da BioWare (de "Mass Effect" e "Dragon Age") na Polônia, licenciou o motor gráfico do estúdio para fazer o primeiro "Witcher".

"Em nossa primeira E3, só queríamos que 'Witcher' fosse mencionado pela imprensa como um dos RPGs que sairiam naquele ano". Seis anos depois, a série já vendeu cerca de 6 milhões de jogos e conta com um time de 120 pessoas na produção do terceiro episódio.

Para Marcin, o segredo do sucesso está em contratar profissionais super talentosos e apaixonados por "The Witcher" e ouvir a comunidade, prestar atenção ao que os fãs estão dizendo e pedindo. "É preciso saber se comunicar com os jogadores e apoiar a comunidade, oferecer jogos de alta qualidade sem cobrar demais por isso".

VEJA TRAILER CINEMATOGRÀFICO DE "THE WITCHER 3"

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Caçador de monstros

Em "Wild Hunt" você controla  Geralt de Rivia, um feiticeiro, espécie de 'mutante' criado para ser um caçador de monstros. A saga continua de onde “The Witcher 2” terminou (mas uma boa sequência de flashback orienta os jogadores recém-chegados), com os reis malignos destruídos e seus reinos em colapso. Livre das manipulações políticas, a jornada de Geralt é pessoal. O bruxo vai atrás de um infame grupo chamado 'Wild Hunt', que espalha o terror por onde passa.

  • Reprodução

    O ator Charles Dance (o Tywin Lannister, de "Game of Thrones") dará voz ao imperador Emhyr var Emreis em "Witcher 3".

"O tema de 'Wild Hunt' é a jornada de Geralt por esse mundo", disse Michael Platkow-Gilewski, da CD Projekt, à revista OXM. "O mundo não mudou: é um lugar onde cão come cão e não faltam conflitos e disputas políticas. Você é o caçador de monstros e muitas vezes precisa determinar quem é o monstro - e nem sempre é o suspeito mais evidente".

"Geralt é um solucionador de problemas ambulante, como um pistoleiro do Velho Oeste, ele caça recompensas e está em contato com todas as camadas da sociedade", explicou o produtor. É pelo ponto de vista deste personagem carismático, com longos cabelos prateados e uma aparência mais madura do que nos games anteriores, que o jogador vai explorar um mundo de fantasia sombria, conhecido como "Reinos do Norte" e inspirado em uma mistura de mitologias nórdica, germânica, eslava e polonesa ao invés dos tradicionais "Dungeons & Dragons" e "Senhor dos Anéis".

"Quando tomamos a decisão de usar o cenário criado por Sapkowski para os jogos, sabíamos que era importante reproduzir o folclore da Europa oriental", explicou Marek Ziemak, que foi designer das mecânicas do jogo até o início de 2014, para UOL Jogos. "Ele é um autor muito bom em conectar elementos do mundo real em seu cenário de fantasia".

"É fascinante quando você conhece um pouco da cultura eslava e mais ainda, é refrescante ver algo assim quando todos os jogos são dominados pelos filmes de Hollywood", disse Marek. "Para manter esse clima, nós pegamos os monstros dos livros, mas nem tudo é descrito lá, então pesquisamos os hábitos e tradições antigas do povo, como eles imaginavam os demônios".

O designer aponta também que algumas regiões do jogo são inspiradas em povos diferentes: "Skellige é baseada nos povos nórdicos e em seu folclore e mitologia".

VEJA DEMONSTRAÇÃO DE "WITCHER 3" EM PORTUGUÊS

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Narrativa vs. liberdade

Jogos de RPG ocidentais costumam ser divididos em duas categorias: aqueles com mundos vastos e livres para exploração, mas com narrativa rasa; e aqueles com personagens complexos e enredo profundo, mas com pouca liberdade para o jogador sair dos trilhos. A série "The Witcher", da polonesa CD Projekt, sempre foi um expoente da segunda categoria.

Com "Wild Hunt", porém, a produtora quer derrubar essa barreira e oferecer aos jogadores um cenário gigantesco e cheio de vida para explorar, sem deixar de lado os personagens marcantes e o enredo adulto e complexo, cheio de maquinações políticas, romance e traições.

Diferente dos dois primeiros "Witcher", "Wild Hunt" se passa em um mundo aberto, livre para a exploração e sem nenhuma tela de carregamento entre um cenário e outro. As dimensões impressionam: duas das três áreas do jogo, Novigrad e Skellige, somam 135 quilômetros quadrados. E a CD Projekt RED quer que essas áreas sejam cheias de coisas para fazer e paisagens únicas para visitar.

"Nossa equipe de arte odeia copiar e colar coisas. Temos grupos de casas e usamos acessórios para aplicar texturas diferentes. Não temos trechos completos de cavernas, mas paredes, tetos e chão são usados para criar calabouços. Assim ficamos livres para fazer áreas grandes e pequenas", contou o produtor Michael Stec à revista PSM.

Um detalhe importante: o mundo de "The Witcher 3" é vivo e reage tanto às ações de Geralt quanto ao que ele deixa de fazer. Se você passar por uma cabana na floresta e avistar um grupo de bandidos tentando invadi-la, pode chegar perto e arrumar uma confusão mas salvar os moradores. Caso siga em frente, quando passar por ali de novo o dono poderá estar morto. As missões que ele passaria para Geralt ou as mercadorias que ele tinha para vender são perdidas.

Outras escolhas são de caráter moral e não são nada fáceis. Por exemplo, quando um senhor local pede a ajuda de Geralt para lidar com um monstro que ataca seus súditos, você pode descobrir que o monstro é o filho recém-nascido do nobre, transformado após ser abandonado. Você pode matar a criatura e pegar a recompensa, ou convencer o pai a levar o monstro para um ritual mágico, salvando a criança mas ficando sem o dinheiro.

"Este é um RPG guiado pela história, então escrevemos primeiro o roteiro e as missões, depois fizemos o mundo. Criamos os locais que são necessários para situar as missões e os espalhamos pelo mapa para ter o 'esqueleto' do mundo. Depois disso, os designers encheram essas fases de coisas legais", disse Stec.

"Não há aquela dicotomia de claro e escuro no mundo de 'Witcher'", ressaltou o co-fundador Marcin. "Não há escolhas sem sacrifícios, mas o bem e o mal nunca estão expostos claramente, como acontece em outros jogos. Qualquer escolha pode ser ruim aqui".

Para Marek Ziemak, é preciso estabelecer um equilíbrio entre a liberdade do jogador e a lembrança constante de que há uma história maior acontecendo. "Acho que 'Red Dead Redemption' é um exemplo muito legal de jogo que faz isso, de um jogo de mundo aberto com uma boa história".

  • Reprodução

    Jogável em "Wild Hunt", Ciri é personagem fundamental nas crônicas de "The Witcher"

Caçada Selvagem

Além de caçar recompensas, punir bandidos e se envolver em pequenas aventuras, Geralt vai ter que lidar com uma ameaça muito maior, a tal 'Wild Hunt' que dá nome ao jogo. Um grupo de espíritos poderosos e maléficos (impossível não pensar nos Nazgûl de "O Senhor dos Anéis") que assola os Reinos do Norte em busca de Ciri, uma garota ligada ao passado do feiticeiro.

Ciri foi aprendiz de Geralt e possui, além do talento com a espada, uma habilidade mágica misteriosa - motivo pelo qual é perseguida pela Wild Hunt. Em "The Witcher 3" o jogador vai controlar Ciri em certos momentos. A personagem terá cerca de 10 missões independentes das aventuras do bruxo.

Ciri é uma personagem que foi citada nos jogos anteriores e é bastante presente nos livros de "The Witcher", mas essa é sua primeira participação nos games. "Ela nos permite contar a história de uma forma diferente, apresentar os eventos sob outro ponto de vista", disse o roteirista Jakub Szamalek à PSM.

Com uma nova e misteriosa personagem ganhando destaque e a promessa de que "Wild Hunt" encerrará a trilogia de Geralt, fica a dúvida se o feiticeiro vai sobreviver a esse derradeiro capítulo da saga polonesa.

SEXO E ROMANCE

  • Reprodução

    A série "The Witcher" sempre teve elementos de sexo e romance entre Geralt e outros personagens. Mas se no primeiro game, você ganhava cards com ilustrações sensuais das amantes do feiticeiro, no jogo seguinte a relação dele com a ruiva Trish era exibida de forma madura e isso deve ser ainda mais notável em "Wild Hunt"."Nós crescemos junto com o game", explicou Marcin ao UOL Jogos.

  • "O game aborda a relação de Geralt com seus entes queridos e isso será mostrado de forma realista e humana para uma audiência madura, O sexo está presente mas não é um elemento incluído para criar sensacionalismo. É como na sua vida normal, você tem relações sexuais, tem amores, coisas acontecem e você precisa fazer escolhas".

  • "Veja o que rola em 'Game of Thrones'. Nós pegamos leve", comentou.

Versão brasileira

Com a experiência da CD Projekt com um mercado hostil (a Polônia dos games sofria com vários dos mesmos problemas que afetam o Brasil), a produtora prepara o lançamento nacional de "The Witcher 3" com investimento pesado para agradar aos fãs brasileiros, em particular com uma caprichada localização do game para nosso idioma.

O protagonista Geralt é dublado por Sérgio Moreno, ator que empresta a voz para nomes conhecidos como Tom Cruise, Denzel Washington e Orlando Bloom, mas que já acumula experiência com personagens de games, como Aiden Pearce ("Watch Dogs") e Pagan Min ("Far Cry 4"), entre outros. 

 "É um investimento que vai se pagar com as vendas", acredita o executivo Marcin Iwinski.

BIG IN BRAZIL: DUBLAGEM DE "WITCHER 3" EM NÚMEROS

. 81 atores, entre eles Sérgio Moreno (voz de Tom Cruise e Orlando Bloom)
. 2 mil páginas de diálogos e textos
. 300 horas de gravações
. Mais de 900 personagens
. Feita no Brasil, no mesmo estúdio de "Assassin's Creed" e "Far Cry 4"
. Jogo também terá suporte para inglês (PS4, Xone) e outros idiomas (PC)

"The Witcher 3: Wild Hunt" sai em 19 de maio para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

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