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Batman: Arkham Knight

Luiz Hygino

Do UOL, em São Paulo

08/04/2015 17h26

No panteão dos grandes super-heróis dos quadrinhos, Batman sempre teve lugar de destaque como um dos mais realistas vigilantes do mundo, seja esse mundo parte do universo DC, Marvel, ou qualquer outro apontado. Não somente pelo fato do Homem-Morcego não ter super-poderes (e neste momento a piada do seu primo mais novo que diz que “o dinheiro é o maior poder de todos” é pertinente), mas também pelo fator sombrio, pela escuridão, não apenas literal, que envolve as histórias do alter-ego de Bruce Wayne.

Essa característica de Batman, tão conhecida pelos fãs dos quadrinhos, foi apresentada ao grande público somente recententemente, pela trilogia cinematográfica do diretor Cristopher Nolan. Em “Batman Begins”, “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, as fantasias espalhafatosas e as onomatopéias coloridas deram lugar a cenários e personagens mais reais, não mais apenas divididos pela simples lógica maniqueísta de Bem e Mal. Há luz m sombra por toda parte. Aliás, há muito mais sombra por toda parte.

Nos games, o momento mais revolucionário e sombrio do Cavaleiro das Trevas é, sem dúvida, a franquia “Arkham” desenvolvida pela produtora Rocksteady, que estreou em 2009 com “Batman: Arkham Asylum” e seguiu em 2011 com “Batman: Arkham City”. E que atinge seu ápice com o capítulo final da trilogia, “Batman Arkham: Knight”. Um episódio tão mais sombrio, tão mais maduro, que a própria classificação indicativa do jogo é para maiores de 18 anos, algo inédito na franquia, e que aconteceu devido a cenas de tortura, execuções a queima roupa e excesso de sangue pelos cenários.

  • Divulgação

    O novo pesadelo do Homem-Morcego começa quando o Espantalho, visto pela última vez em “Arkham Asylum”, ressurge, e ameaça liberar sua toxina do medo em toda Gotham,

“Nunca escrevemos um jogo com a classificação indicativa em mente. Apenas sentimos que essa era a história que queríamos contar. O corte de algumas destas cenas simplesmente destruiria o projeto”, explicou o diretor do jogo, Sefton Hill, recentemente.

O Último Voo do Morcego

Depois da morte do Coringa, no elogiadíssimo final de “Batman: Arkham City”, Gotham City vive um período raro de virtual paz. Em um ano, o crime na cidade é reduzido quase a zero, e Batman aproveita as “férias" para incrementar e melhorar seu arsenal de combate ao crime, sabendo que antes da tempestade, sempre vem a calmaria.

Do outro lado da história, os outros vilões de Gotham estão tentando entender a nova lógica da cidade, sem a presença do Coringa. O fato é que a loucura do maior inimigo da cidade era o que realmente impedia uma aliança organizada por parte de todos os vilões em seu objetivo principal: matar o Batman.

O novo pesadelo do Homem-Morcego começa quando o Espantalho, visto pela última vez em “Arkham Asylum”, ressurge, e ameaça liberar sua toxina do medo em toda Gotham, forçando toda a população a evacuar a cidade, e deixando-a à mercê das gangues locais e de figuras carimbadas, como Harley Quinn, o Pinguim, o Duas-Caras, Hera Venenosa e o Charada.

Sem civis na cidade, a própria lógica de atuação de Batman é reinventada. A preocupação do Homem-Morcego com danos colaterais é muito reduzida, o que traz à franquia, pela primeira vez de modo jogável, o Batmóvel. E um poderoso Batmóvel.

Santo carango, Batman!

Tente imaginar todas as vezes em que você saiu dirigindo com o dedo no fundo do acelerador em “GTA V”, por exemplo. Todas as colisões, os atropelamentos. Agora tente imaginar tudo isso acontecendo, mas com um tanque de guerra super-veloz no lugar de um carro qualquer. Não é o tipo de situação confortável para o Batman. Mas a cidade vazia permite o alto grau de liberdade - e destruição - que o Batmóvel oferece. Isso e o poder da nova geração de consoles.

“Não queríamos ter que limitar nossas ambições para o Batmóvel. A situação no jogo é bastante drástica, então atravessar e destruir coisas é o que o Batman precisa pra fazer o trabalho dele”, explicou Sefton Hill.

Quando no controle do Batmóvel (e isso pode acontecer praticamente sempre que se estiver nas ruas da cidade, apenas apertando um botão), os jogadores poderão dirigir em um modo normal, de deslocamento, ou acionar o Modo de Batalha do carro. No tal modo, diversas armas surgem de cantos diferentes do carro - metralhadoras, mísseis não-letais, armas de choque - e ele se modifica um pouco, torna-se um pouco mais vertical e ganha movimentação mais livre para as laterais.

O Batmóvel funciona também como um excelente recurso de intimidação ou fuga. Mesmo que um exército de centenas de capangas esteja cercando o jogador, a simples chegada do Batmóvel pode colocar todos para correr.

“É tudo o que você precisa, o Batmóvel. Basicamente é assim. Você chama ele, os bandidos começam a fugir. Você também teria medo, se um tanque de guerra aparecesse na sua frente e você estivesse armado apenas com um bastão de baseball”, explicou o programador de combate do jogo, Tim Hanagan, em entrevista à revista Game Informer.

A importância do veículo é tão grande que os produtores decidiram remover qualquer mecânica de viagem rápida do game, argumentando que o Batmóvel já é rápido o suficiente, mesmo para uma cidade tão grande.

“Acho que um sistema de viagem rápida acabaria com grande parte da experiência do jogo. Dirigir pela cidade é definitivamente uma parte fundamental de ‘Arkham Knight’”, argumentou Hill.

TRAILER MOSTRA COMBATE AO CRIME COM BATMOVEL

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Vestido para matar. Não, espera…

Em certo momento do desenvolvimento do papel do Batmóvel, os produtores perceberam que as saídas e principalmente as entradas de Batman no veículo eram bastante violentas para qualquer corpo humano. O Homem Morcego precisaria de uma nova armadura para aguentar o tranco, e que conversasse com o possante. Missão dada, missão cumprida.

  • Divulgação

    “Quando você coloca a armadura e o Batmóvel lado a lado, você vê que as referências são as mesmas. São as mesmas texturas, de fibra de carbono a metal. Visualmente a história é bem contada”
    - David Hego, Diretor de Arte

“Quando você coloca a armadura e o Batmóvel lado a lado, você vê que as referências são as mesmas. São as mesmas texturas, de fibra de carbono a metal. Visualmente a história é bem contada”, explicou o diretor de arte do jogo, David Hego.

“É importante dizer que ele consegue se mexer bem, nela, também. Era algo fundamental, pra nós, que ela parecesse autenticamente funcional. Existem muitas partes que nem existiam completamente articuladas, cada uma se mexendo de um jeito diferente”, completou Jamie Walker, diretor da Rocksteady.

Mudanças, pero no mucho

Atualmente, é mais do que normal ler ou ouvir a descrição do sistema de combate de um jogo como “ao estilo ‘Batman Arkham’”. As lutas “linkadas”, com golpes fluídos e encaixados em sequência graças a pressionadas sistematicamente bem pontudas de botões são realmente melhor explicadas assim, como “combate ao estilo ‘Batman Arkham’”.

A Rocksteady entende que, mais do que um sistema de sucesso, tem uma marca de autoria nas mãos, por isso, o combate de “Arkham Knight” não será muito diferente do restante da série, apenas ganhará novos detalhes pontuais.

A exemplo dos golpes de oportunidade que surgem quando o Homem-Morcego está planando, existem novos golpes exclusivos para saídas do Batmóvel.

Uma das principais adições são os chamados “Fear Takedowns”, uma possível sequência de golpes que derruba três inimigos de uma só vez, contanto que o jogador consiga iniciar o ataque nos três antes de ser detectado. Pressionando os botões de quicktime event da maneira correta, os três bandidos vão pro chão enquanto gritam de medo.

O outro Cavaleiro

A Gotham City de “Arkham Knight” é cerca de cinco vezes maior do que o mapa de “Arkham City”. Ainda assim, será que ela é grande o bastante para abrigar dois Cavaleiros das Trevas? Quem é, então, o misterioso Cavaleiro Arkham, que empresta seu nome ao título do jogo?

“O Cavaleiro Arkham é um super-vilão novo, que criamos do zero. Nos divertimos muito criando ele, e sentimos que era alguém bastante necessário para esse novo arco de história. Mas, na verdade, o nome do jogo veio antes do vilão. E o nome do jogo tem um bocado de níveis diferentes, de significados diferentes”, explicou Sefton Hill.

Desde o anúncio raso do personagem, uma espécie de mercenário, com alto poder de fogo e seu próprio exército particular, teorias a respeito de sua possível identidade transbordam pela internet. Quem estaria por trás da máscara? O Capuz Vermelho? Azrael? Wrath? Alguma versão nova e maléfica de Robin?
A Rocksteady faz questão de guardar bem esse segredo, mais que qualquer outro em relação ao jogo.

Outro lado da história

  • Divulgação

    "O Cavaleiro Arkham é um super-vilão novo, que criamos do zero. Nos divertimos muito criando ele, e sentimos que era alguém bastante necessário para esse novo arco de história"
    - Sefton Hill, Diretor

Uma boa surpresa para os fãs da série será a possibilidade de controlar outros personagens em algumas missões de história de pacotes DLC do jogo.

Em uma das expansões, será possível controlar o Capuz Vermelho, alter-ego de Jason Todd, o segundo Robin que combateu o crime ao lado de Batman. Apesar de ser considerado um vigilante no jogo - inclusive trazendo a marca do Batman no peito - o Capuz Vermelho terá seu tradicional comportamento brutal, carregando armas de fogo e não tendo problema nenhum em matar qualquer inimigo.

Ainda mais curiosa será a possibilidade de controlar Harley Quinn em outro DLC de “Arkham Knight”, numa missão na qual a companheira do Coringa precisa salvar a também vilã Hera Venenosa de trás das grades de uma delegacia.

O começo do fim?

“Nós sempre tivemos essa ideia, de como a trilogia ‘Arkham’ deveria terminar, e conseguimos manter a ideia durante o desenvolvimento de ‘Arkham City’. É um fim que simplesmente parece ser o fim certo, para nós, é o fim que tem que acontecer”, finalizou o diretor do jogo.

“Eu diria que é um final corajoso, não posso contar nada sobre ele. Mas posso dizer que é um bom final, e que os jogadores vão ficar muito satisfeitos com o final da trilogia”, comentou Martin Lancaster, roteirista do jogo.

Curioso a respeito do que pode acontecer? Pois pode ser que a edição limitada do jogo tenha dado uma pista do final da história. Além de quadrinhos, caixa metalizada e livro com arte do jogo, a estatueta de 30 cm do Homem-Morcego vem com uma inscrição curiosa: “De uma cidade eternamente grata, em memória do Cavaleiro de Gotham”.

Totalmente em português, “Batman: Arkham Knight” chega a PC, Xbox One e PS4 no dia 23 de junho, depois de vários adiamentos.
 

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